Para inglês ver!

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Vereadores aprovam, mas não acreditam que tombamento vá salvar o Clube Náutico

Por Mateus Gusmão 

O povo não perdoa: “É lei para inglês ver”.  Em Volta Redonda, na segunda, 23, mais uma lei do tipo foi aprovada na Câmara de Vereadores. É a que prevê o tombamento do imóvel da CSN ocupado pelo Clube Náutico como Patrimônio Imaterial. Ou seja, não poderá, se for sancionada pelo prefeito Neto, sofrer modificações, nem ser destruído. Em tese, os parlamentares – e até o deputado estadual Munir Neto entrou nessa – querem impedir o fechamento do clube esportivo. Afinal, a Justiça determinou o despejo do clube em ação de reintegração da posse à CSN.

O problema é que praticamente todos os parlamentares sabem que jogaram para a plateia. Ou seja: aprovaram e defendem uma solução sem eficácia real. O autor da lei é o vereador e advogado Rodrigo Furtado (PL). Ele também foi autor das leis que tombaram o Recreio do Trabalhador e o Umuarama. Ambos, apesar das leis, seguem fechados e com as chaves nas mãos da CSN.

Um vereador, que pediu para não ser identificado, definiu a votação como um “movimento político”. Ainda assim, votou a favor. “Aqui na Câmara não tem bobo. Todo mundo sabe que essa lei é apenas política, é um posicionamento da Casa contra o fechamento do Náutico. Mas sabemos que o efeito prático é zero”, revelou, indo além: “Só traz desgaste para a Casa. O Furtado sabe que não vai dar em nada. Como ele apresentou o projeto e deu publicidade a isso, seria impossível os vereadores votarem contra”, argumentou.

Na sessão que aprovou o tombamento do imóvel da CSN, usado pelo Náutico, alguns parlamentares demonstraram ceticismo. É o caso de Renan Cury (PP), que votou a favor. “Eu assinei junto ao vereador Rodrigo Furtado, mas eu tenho uma preocupação muito grande: a gente vê boa parte das terras da CSN, os clubes, fechados, nada funcionando. E acho que é importante dificultar a vida da empresa; o Naútico é um clube muito importante”, crê.  

No entanto, Renan lembra que o tombamento pode dificultar a utilização posterior do espaço. “Eu entendo a boa intenção do Furtado, vou votar a favor. Mas tenho muita preocupação com os tombamentos. Na Legislatura passada ajudei a tombar o Clube Umuarama, e hoje a gente vê o imóvel fechado. Se não me engano, o Royal queria comprar o espaço, mas, como ele era tombado, não poderia aproveitar”, disse, citando outro exemplo: o da antiga Rádio Siderúrgica, no Laranjal, tombada pela Alerj. “Hoje, não se pode usar para nada, poderia ser um restaurante. Enfim, eu tenho muita preocupação com tombamentos. Vou votar junto com o Furtado, mas eu tenho muita preocupação”, insistiu.

Já o líder do governo Neto na Câmara, Luciano Mineirinho, lembrou que a CSN estaria passando por uma crise financeira e disse estar preocupado com os empregos da cidade. “Nós estamos vendo a forma como a CSN está tratando a cidade, está cada vez pior… A CSN tomou o Recreio e não fez nada; tomou o Umuarama e não fez nada; e vai tomar o Náutico também”, disparou. “Está todo mundo preocupado. Eu frequento o Naútico, daqui a pouco estarei lá. A gente é pequeno para fazer as coisas que tem que fazer, mas a Justiça de Deus vai fazer”, pontuou, em tom profético. Há um detalhe que nenhum vereador destacou em plenário: o Clube Náutico não chega a ter nem 300 sócios contribuintes. É muita confusão por… 

Já o autor da lei, Rodrigo Furtado, garantiu a todos que o Náutico “não vai fechar”. Mas não explicou como sua proposta vai fazer com que a CSN desista de reaver o imóvel. “Apresentamos um novo projeto de lei para proteger esse patrimônio da nossa cidade e garantir que ele continue servindo à população. A proposta busca o tombamento do espaço, reconhecendo sua importância histórica, social e esportiva para Volta Redonda”, disse. 

A proposta do tombamento do Clube Naútico foi aprovada, em urgência e preferência, na segunda, 23. Agora, o projeto segue para o prefeito Neto, que tem até 30 dias para decidir se veta ou sanciona a lei.