Grampos

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Para a história (I)

Essa tem tudo para entrar para a história. Pela primeira vez, ao longo dos últimos 20 anos, o prefeito Neto saiu em defesa da CSN. Foi na quarta, 4, quando liberou um release aos jornais dando conta que tinha enviado um ofício ao presidente da República “expressando preocupação com os efeitos negativos das recentes decisões no mercado internacional do aço”. O documento oficial do Palácio 17 de Julho pedia que Lula adotasse “medidas urgentes para proteger a indústria siderúrgica nacional (a CSN, é claro, grifo nosso) e evitar o aumento do desemprego em cidades diretamente afetadas, como Volta Redonda”,
justificou.

Para a história (II)
Na sua justificativa, Neto se posicionou contra o aumento da tarifa do aço, de 25% para
50%, imposto por Trump, presidente dos EUA. “Uma política protecionista que reduz
drasticamente a competitividade  das exportações nacionais”, avaliou o prefeito de Volta
Redonda. Ele foi além. Lembrou que o mercado interno brasileiro “enfrenta a crescente entrada de aço chinês, vendido a preços mais baixos e considerados desleais pela indústria nacional (pela CSN, grifo nosso). “Dados do Instituto Aço Brasil apontam que, entre janeiro e abril de 2025, a importação de aço da China aumentou 22%”, detalhou Neto, mostrando estar a par da crise do aço.

Para a história (III)
Ao defender a CSN (Benjamin Steinbruch), Neto destacou que o município sente os efeitos diretos dessa “guerra comercial”. “Já observamos congelamento de contratações e uma revisão de investimentos. O impacto é imediato na vida do trabalhador, que está na ponta da cadeia produtiva”, justificou, sem citar dados que comprovem a tese. Aliás, a CSN também divulgou quase no mesmo dia a abertura de mais 200 vagas para Volta Redonda e Porto Real. Não é nada, não é nada, mas sempre é alguma coisa.

Para a história (IV)
Voltando à posição inédita de Neto em favor do aço brasileiro, o prefeito lembrou que o setor siderúrgico emprega diretamente mais de 110 mil pessoas no Brasil, com milhares
desses empregos concentrados em Volta Redonda e outros polos industriais. Nisso ele tem
razão. A CSN deve gerar cerca de 20 mil empregos na cidade do aço, sem contar os de Porto Real, São Paulo etc. “Só a CSN teve, em 2024, cerca de 18% de sua receita internacional ligada às exportações para os EUA, que agora estão ameaçadas”, comparou, mudando o foco para as vendas internacionais do aço da UPV.

Para a história (V)
No documento oficial encaminhado a Lula, Neto listou várias reivindicações que deveriam ser atendidas pelo Governo Federal. Entre elas, vejam só, a abertura de processos de defesa comercial, como antidumping e salvaguardas temporárias; reforço na diplomacia para reversão das tarifas aplicadas pelos EUA; criação de um grupo interministerial para
monitorar e mitigar os efeitos sobre os municípios siderúrgicos; e ações emergenciais de apoio aos trabalhadores e aos municípios impactados. “É nas cidades que esses impactos chegam com mais força. Precisamos proteger a nossa indústria e os empregos do nosso povo”, concluiu Neto.

O prefeito foi além. “A Prefeitura de Volta Redonda segue acompanhando o cenário
e se coloca à disposição do Governo Federal para colaborar com propostas e dados que ajudem a enfrentar esta crise”, prometeu ao finalizar o ofício enviado ao presidente da República. É ou não é para entrar para a história?

Da série ‘perguntar não ofende’
Por que cargas d’água na cópia do ofício enviado aos jornais o Palácio 17 de Julho não escreveu o nome de Luiz Inácio Lula da Silva, preferindo escrever apenas ‘Presidente da
República’?

Mais uma da mesma série
Quem seria o consultor diplomático de Neto que o convenceu a escrever um ofício a Lula defendendo o aço brasileiro? Ops, defendendo a CSN? (nada contra, é claro.)

Com o ‘homem’
O deputado estadual Jari Oliveira participou do XVI Congresso Nacional do PSB, realizado em Brasília no último final de semana. No evento, dois momentos importantes: o primeiro foi que Jari foi indicado para compor o Diretório Nacional da legenda. No segundo, como mostra a foto, o parlamentar volta-redondense posou para a posteridade ao lado do presidente Lula. Vai virar ‘santinho’ para ser usado em 2026, né?

Nas ondas do rádio
Na manhã de terça, 3, Jari esteve na Rádio Cidade do Aço e foi entrevistado a respeito das
eleições… De 2028. Sérgio Mama, por exemplo, quis saber se ele, Jari, seria candidato à sucessão de Neto. A resposta deixou os ouvintes na expectativa: “foco será a reeleição em 2026”, disse o parlamentar, para completar. “Mas o futuro a Deus pertence”. Será?