Descascando abacaxis

O prefeito Rodrigo Drable se reuniu com o secretário de Finanças, Leonardo Ramos, com o controlador-geral do município, Rodrigo Amorim, com o procurador-geral, César Catapreta, e com a coordenadora de Arrecadação, Linamar Lago. Na pauta: os pepinos financeiros que Barra Mansa terá que enfrentar em 2022. E olha que eles são inúmeros. A solução inicial tomada pelo grupo de pesos pesados do governo foi criar um Conselho Financeiro que, de comum acordo com a sociedade local, vai buscar alternativas para resolver os problemas.
Em 2021, para que todos tenham ideia, a prefeitura espera pagar R$ 55 milhões apenas de previdência, pensões e aposentadorias, o que corresponde a cerca de 10% da arrecadação da cidade. Para 2022, esse valor deverá chegar a R$ 85 milhões. Ou seja, o governo Drable terá R$ 30 milhões a mais de despesas só com aposentadorias. “Nós temos R$ 90 milhões de dívidas de precatórios que eu venho pagando dos governos anteriores. Só para as Organizações Sociais que trabalharam para o governo do Jonas Marins, temos que pagar, por decisão Judicial, R$ 42 milhões. Se o valor for corrigindo, vai dar mais de R$ 50 milhões”, revelou. “Estamos pagando R$ 1,2 milhão por mês, o que dá R$ 15 milhões ao ano só de condenações judiciais de outros governos”, acrescentou, de forma irritada. “Tudo por conta dessa condenação causada pelo ex-prefeito”, alfinetou.
Drable aproveitou para explicar o quanto isso interfere no futuro de Barra Mansa. “Com esses problemas, fica inviável a gestão da cidade. Isso quer dizer que no ano que vem teremos severas dificuldades em pagar os salários. Esses problemas, por mais que nós tenhamos tido êxito em administrá-los em 2017, 2018, 2019 e 2021, daqui para frente, por consequência dos governos passados, eles se tornam quase insuperáveis. São problemas que, mesmo criados em outras épocas, estamos enfrentando. São problemas da cidade, cuja solução é de médio e longo prazo, e quero pedir à sociedade civil para que nos apresente sugestões para encontrarmos uma solução, porque essa conta cada munícipe vai pagar. Quero discutir isso de forma ampla e irrestrita com a sociedade civil”, declarou.
Drable foi além. “Barra Mansa tem feito um enorme esforço para romper com o modelo do passado, quando as informações eram escondidas, para que, da forma mais transparente possível, nós façamos a discussão das soluções. Isso, na prática, é a aplicação do tão falado compliance, que pouca gente entende, mas, na prática, nada mais é do que compartilhar de forma transparente as informações do processo decisório e a manutenção da integridade”, detalhou.
Segundo o secretário de Finanças, Leonardo Ramos, a prefeitura está fazendo de tudo para melhorar a situação. “É importante deixar claro que todas as ferramentas financeiras foram utilizadas com o intuito de controlar as nossas despesas e receitas, bem como otimizar nossos gastos, mas isso não está sendo suficiente diante do legado deixado pelo governo anterior”, afirmou.

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