Mateus Gusmão
Desde o dia 23 de julho (edição 1312), o leitor do aQui está sabendo que a Guarda Municipal de Volta Redonda tem a intenção de comprar um cão farejador para ajudar no combate ao crime. Para isso, a GM pretende gastar até R$ 23 mil só com a aquisição do reforço, sem contar as despesas para mantê-lo. Pois bem, a notícia não caiu bem, pelo menos nas principais ONGs de proteção animal existentes da cidade do aço: a Vira-Lata e a Sociedade Protetora dos Animais (SPA-VR). Pelas redes sociais, as entidades soltaram uma nota de repúdio a respeito.
Na nota, elas dizem que nos últimos anos as ONGs receberam diversas denúncias quanto aos animais mantidos pela própria Guarda Municipal. “Além disso, testemunhamos, perplexos, o confinamento, a negligência com atendimento veterinário, o local insalubre, a falta de ração e até o uso e deslocamento dos animais mantidos pela GMVR, para cruza fora da corporação”, escreveram, destacando outras denúncias de maus-tratos que teriam sido cometidos pela corporação com outros cães que fazem parte da unidade.
As ONGs foram além. Citaram que a prefeitura, na licitação para a compra do cão farejador, não prevê o orçamento para custeio com veterinário e alimentação. “Os atendimentos veterinários aos animais têm sido realizados pelo Centro de Controle de Zoonoses que, por sua vez, informa e reforça aos contribuintes que não realiza atendimentos clínicos, e a ração é doada pelo Zoológico Municipal, que licita o produto para seus animais. Fica clara a gravidade das negligências. Animais demandam cuidados”, denunciaram. “A Guarda Municipal, mais uma vez, de forma imprudente e irresponsável, tenta reativar o grupamento canino. A cada nova gestão, uma nova tentativa, um novo cão, um novo erro”, completam.
A SPA e a Vira-Latas garantem que a prefeitura de Volta Redonda estaria menosprezando a participação da sociedade nas políticas para a compra do novo animal. “Já que em momento algum solicitou parecer técnico do Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal, ou de alguma das ONGs de proteção animal existentes no município”, completaram, antes de repudiarem a compra do animal. “Em razão do despreparo, da negligência, do desinteresse e do desrespeito da prefeitura e da Guarda Municipal com os animais da GMVR”, justificaram.
A queixa, por enquanto, não mudou a ideia da GM, tanto que a licitação segue marcada para a próxima segunda, 8, através de pregão eletrônico. O animal a ser comprado deve ser da raça Pastor Alemão ou Belga Malinois, fêmea e com idade entre nove meses e dois anos.

