Bolsonaristas querem vencer em 2024 pensando em 2026

Maurinho inaugura nova sede do PL no Aterrado ao lado de ícones da extrema-direita carioca

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Por Mateus Gusmão e Vinicius de Oliveira

Atualmente, apesar do caos das obras inacabadas, há quem entenda que é certa a reeleição de Neto e, por isso, quem se lançar candidato a prefeito em 2024 terá de mostrar o que pretende logo de cara. Foi por essa razão que Mauro Campos, o Maurinho, novo presidente do diretório do PL de Volta Redonda, reuniu a cúpula carioca do partido para inaugurar a sede da extrema-direita na cidade do aço. Entre eles, estavam o senador Carlos Portinho, os deputados federais Luiz Lima, Jorge Pazuello e Altineu Côrtes, e o estadual Anderson Moraes. A mensagem era clara: fortalecer o bolsonarismo no município mais importante do Sul Fluminense e, de quebra, colocar combustível na possível candidatura do polêmico político local, empresário e latifundiário.
Em meio a discursos sobre conservadorismo, críticas ao aumento da violência graças à ascensão do PT e aforismos sobre ética na política, Eduardo Pazuello foi, junto com o senador Portinho, o principal porta-voz da mensagem. “A ideia é levantar as ideias da direita, do conservadorismo. Queremos criar uma base forte, com liderança! Queremos fazer com que as pessoas se sintam pertencentes e, assim, novas lideranças apareçam”, discursou o general, se referindo, em tese, a Mauro Campos.
O ‘dono da casa’, sorridente como de praxe, usou a velha máxima “sou um soldado do partido” para dizer que está pronto para cumprir as ordens da cúpula direitista. “Não estamos pensando só no agora, já que o partido quer eleger 1.500 prefeitos. Mas precisamos ser maiores do que a prefeitura. Pensamos lá na frente, em 2028”, anunciou enquanto repetia a cantilena do PL que figura como possível mote de campanha a embalar sua futura candidatura a prefeito no ano que vem: “O melhor programa assistencialista é o emprego”, disparou.
Ao ser questionado sobre como colocaria em prática o slogan que estampava as propagandas do PL, Maurinho disse que a receita é simples: ser “amigo dos empresários”. “Nenhum empresário vai se instalar num lugar onde não é bem-vindo, onde é bem-tratado apenas quando está chegando e depois sofre. Temos que fazer diferente. Tratar bem os empresários que querem investir na cidade”, argumenta.
Provocado a falar sobre o pó preto e a escória da CSN, Maurinho criticou quem fala mal da empresa. “Ir contra a escória é um tiro no pé! Tem que conversar com os donos da CSN, respeitar a empresa por sua história e importância para Volta Redonda e cobrar quando necessário”, resumiu, antes de ser pego de surpresa ao ser indagado se, seguindo a premissa, em sua opinião, Neto não estaria desempenhando um bom papel em relação à CSN, já que o mandatário segue o mesmo raciocínio. “Não posso opinar sobre isso”, desconversou.

CONTORNO
Inimigo confesso de Neto, Mauro Campos terá de se desdobrar para ficar mais conhecido entre os eleitores e, principalmente, se livrar de estigmas complicados, como o de ser latifundiário, dono de vários terrenos ao longo da Rodovia do Contorno, onde lança empreendimentos, como o Jardim Mariana, pivô de várias mortes em acidentes na via. “Eu não tive nada a ver com as mortes na Rodovia do Contorno. São responsabilidade dos prefeitos que não me ouviram. Eu avisei a eles dos problemas da rodovia, mas infelizmente não os convenci a salvar vidas”, defendeu-se.
E, de forma reservada, Mauro minimizou o escândalo do gato de água ligando a fonte de abastecimento do Saae diretamente a um de seus condomínios, o Mariana. “Aquilo não foi nada. Um funcionário plugou numa torre nossa para encher uma piscina. Bobagem. Pagamos uma multa e tudo foi resolvido”, crê.
Por fim, Maurinho falou de seu relacionamento com o governador Cláudio Castro, cacique do PL, que hoje morre de amores por Neto. “Não posso falar por ele, mas Cláudio Castro é do PL e , se decidir apoiar Neto, vai liberar os demais a apoiar quem quiserem. Não sei se o governador se deixaria levar pela amizade”, considerou Mauro.

POR TELEFONE
Após a inauguração da sede do PL, Maurinho e seus apoiadores foram participar do 2o Encontro Conservador, realizado em um salão de festas, onde o senador Flávio Bolsonaro já os esperava. Detalhe: até o ex-presidente Jair Bolsonaro participou, por telefone, do encontro. O prefeito Neto, convidado por Maurinho, preferiu não bater palmas para o adversário e não foi ao evento.
O tom do encontro foi de motivação, tentando encorajar os ‘conservadores’ a continuarem unidos no entorno da pauta bolsonarista. E que assim permaneçam até as eleições de 2024 para eleger 1.500 prefeitos e outros tantos vereadores para trabalharem pelo retorno de Bolsonaro. “Temos que eleger bons prefeitos e vereadores em 2024. Nós buscamos fortalecer nosso partido (PL), mas sempre com as nossas ideias, de Deus, Pátria, família e liberdade”, disse o ex- presidente em uma rápida fala que fez com que os presentes entoassem o grito de ‘mito’.
O senador Carlos Portinho, por sua vez, deixou clara a ideia de o partido retomar o Palácio do Planalto. “Aqui no Sul Fluminense vai sair a força para voltarmos a governar o país”, disparou, ressaltando que a legenda deve ter candidatos em diversas cidades da região. “Teremos prefeito em Volta Redonda, seja o Mauro ou alguém que ele indicar, teremos prefeito em Angra, Resende, Porto Real e outras cidades”, completou.
Mauro Campos também destacou que o objetivo do grupo é a eleição presidencial de 2026. “Esse evento é uma demonstração de força da nossa cidade. Nosso partido vai voltar e mudar o país, e para isso precisamos da base, da nossa cidade. O futuro de nossa sociedade passa por essa eleição do ano que vem”, disse o empresário, ressaltando que está imbuído da missão da pré-candidatura à prefeitura e da formação de uma boa nominata de vereadores para o pleito.
Estrela do evento, Flávio Bolsonaro destacou que a direita precisa ‘resgatar’ o país. “E isso começa pelas cidades”, completou. “Mauro tem uma missão grande de fortalecer a legenda aqui em Volta Redonda. Precisamos conscientizar as pessoas das nossas ideias, do nosso lado. Sem brigas. Esse governo que está aí (presidente Lula) apoia ditaduras como a Venezuela, passa a mão na cabeça de bandido…”, disparou.
Em nenhum momento, as cerca de 500 pessoas presentes se mostraram engajadas com as eleições municipais. O foco era a eleição presidencial. As eleições municipais servirão apenas de escada.