Bloqueado

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Mais de um milhão de brasileiros se autoexcluíram das plataformas de jogos e apostas

Qualquer cidadão brasileiro pode pedir para ser bloqueado em todas as plataformas de apostas licenciadas no país. O pedido é gratuito e mais de um milhão de pessoas já usaram esse recurso. A funcionalidade integra o Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), plataforma tecnológica desenvolvida pelo Serpro para a Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda. O Sigap permite regulação, monitoramento e fiscalização do mercado de apostas no Brasil. O bloqueio pode valer por prazo determinado ou indeterminado, conforme a escolha do próprio usuário.

Como pedir a autoexclusão

  1. Acesse a Plataforma de Autoexclusão com conta gov.br nível prata ou ouro. Contas de nível bronze não têm acesso ao serviço.
  2. Faça login e escolha o motivo da autoexclusão. O portal pede que o cidadão informe por que está solicitando o bloqueio.
  3. Defina o período de bloqueio. A escolha pode ser por tempo determinado ou por prazo indeterminado.
  4. Leia e aceite os Termos de Uso. O documento explica as condições do serviço.
  5. Declare ciência das restrições. Durante o período escolhido, o cidadão não pode acessar nenhuma plataforma licenciada nem receber publicidade dessas empresas.

Quem opta pelo prazo indeterminado só pode pedir a revogação após 12 meses. Esse pedido exige laudo de profissional de saúde atestando a ausência de transtorno de jogo.

Duas formas de bloqueio

O Sigap tem dois mecanismos de proteção. A autoexclusão parte da vontade do próprio apostador, que reconhece a necessidade de se afastar do jogo. Já o Módulo de Impedidos bloqueia automaticamente o CPF de beneficiários de programas sociais, por decisão do Supremo Tribunal Federal.

OMS reconhece o transtorno do jogo como problema de saúde mental

A ludopatia, ou transtorno do jogo, é a incapacidade de controlar o impulso de jogar, mesmo com consequências negativas para a vida financeira, familiar e social da pessoa. A Organização Mundial da Saúde classifica a condição como transtorno mental na CID-11, na categoria de comportamentos aditivos.

Segundo o Ministério da Saúde, os atendimentos pelo SUS com códigos de jogo patológico cresceram 104% entre janeiro de 2018 e maio de 2025. Foram 10.553 atendimentos no período, com predominância de pessoas entre 20 e 49 anos.

O ministério publicou um guia direcionado aos profissionais de saúde que atendem pessoas com transtorno do jogo. Também criou um serviço de teleatendimento voltado a essa população.

 

Artigo

O custo real das apostas online no orçamento das famílias brasileiras

Por Tony Diniz*

O mercado de apostas online se tornou, em poucos anos, um dos fatores de maior impacto no orçamento das famílias brasileiras. Um crescimento que pode ser explicado pela facilidade de acesso e o excesso de propaganda. O setor movimenta até R$ 21 bilhões por mês no país, segundo o Banco Central, acumulando forte expansão nos últimos anos. Parte relevante desse volume drena exatamente o elo mais fraco: o orçamento doméstico.

A Confederação Nacional do Comércio estima que até R$ 117 bilhões deixaram de circular no varejo em um único ano, substituídos por apostas, com efeito maior sobre famílias de renda mais baixa, justamente os 60% dos trabalhadores brasileiros que, segundo o IBGE, ganham até dois salários mínimos. Ou seja, um impacto financeiro direto que já atinge uma parcela expressiva da população.

O que diferencia apostas de outros gastos impulsivos é o desenho do próprio produto. Cada rodada é construída para puxar a próxima, inclusive depois da perda. Exatamente quando a lógica financeira mandaria parar. É a mesma engenharia que sempre sustentou cassinos em Las Vegas ou Macau, só que agora cabe no bolso, disponível 24 horas por dia. É o mesmo padrão de pequenas decisões repetidas que discuto com meus mentorados há anos, com uma diferença importante: aqui, a indústria das bets trabalha ativamente contra a disciplina do apostador, não a favor dela.

Por isso, meu conselho começa antes da aposta: a opção mais segura é simplesmente não entrar nesse jogo. Mas, para quem já aposta, a segunda melhor escolha é fazer isso com responsabilidade e isso exige rigor. Comece anotando cada valor apostado, sem exceção. Não só para gerenciar o gasto, mas porque a maioria das pessoas subestima muito quanto perde. Nunca aposte dinheiro que já tem destino certo: conta fixa, dívida em negociação ou reserva de emergência. E fique atento a um sinal específico: se a aposta virou tentativa de recuperar o que já foi perdido, pare ali. Nesse ponto, não é força de vontade que resolve; é reconhecer que o jogo mudou de categoria e que buscar apoio profissional não é nenhum exagero.

Sem responsabilidade, uma sequência de perdas em apostas tem o poder de devolver uma família inteira à estaca zero. E isso eu já vi de perto, com meu próprio dinheiro, em situações diferentes, mas pela mesma lógica. Mas também vi o caminho inverso: reconhecer o padrão a tempo, cortar o gasto pela raiz e reconstruir a base financeira do zero é possível. Eu mesmo fiz isso mais de uma vez, e sei que não existe atalho, só disciplina repetida até virar hábito.

*Tony Diniz é empreendedor, palestrante e consultor em gestão, empreendedorismo e finanças. Construiu carreira no mercado de joias e pedras preciosas. Hoje, é diretor da holding multinacional TDX. Escreve sobre prosperidade, vendas e negócios. Autor do livro ‘Pobreza é Opção?’, pela LC Books Editora.