BM: Comandante da PM diz que ‘morre quem procura a morte’

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Ação policial prendeu suspeito de duplo homícidio no Nove de Abril

 

Por Mateus Gusmão

O clima de medo voltou a tomar conta de Barra Mansa, assustando moradores e comerciantes, principalmente da Região Leste, depois de cinco lojistas terem sido ameaçados se não fechassem as portas. A disputa entre facções criminosas  – Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) – seria, segundo o comandante do 28º BPM, coronel Moisés Sardemberg, a principal causa da escalada da violência. Em entrevistas, ele deixa claro que só morreram bandidos.

No último final de semana, a Polícia Civil registrou quatro homicídios em Barra Mansa. Um deles foi na madrugada de segunda, 22, quando um homem foi encontrado morto com marcas de tiro na Rua Duque Antônio de Paiva, no São Domingos. Na noite anterior, duas outras pessoas, de 27 e 30 anos, também foram assassinadas a tiros no bairro Nove de Abril. No sábado, 20, um homem de 46 anos foi assassinado dentro de casa, no Ano Bom, após criminosos se passarem por policiais.

As mortes se somam a uma triste estatística: o aumento no número de assassinatos. De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), de janeiro a agosto deste ano, Barra Mansa já contabilizou 42 mortes violentas, duas a mais do que no mesmo período de 2024, quando foram registradas 40. Como resposta, as forças de segurança foram às ruas já na segunda, 22. E, como em outras vezes, não conseguiram grandes resultados. Até o popular caveirão foi usado. Na principal ação, os policiais prenderam um suspeito – cujo nome não foi divulgado – de ter sido o autor do duplo homicídio no Nove de Abril. Ele foi preso na quarta, 23, em ação integrada entre 28º BPM, 90ª DP e apoio do Grupamento Aeromóvel  (GAM), da Polícia Militar.

Na casa do suspeito, os policiais encontraram um arsenal. Foram apreendidos uma pistola Glock G23 calibre .40 com kit rajada, três carregadores, uma granada de uso restrito, 155 munições, além de 60 pinos de cocaína, rádios-comunicadores, balanças de precisão, um celular e uma câmera de monitoramento.

‘Quem morreu procurou’

O comandante do 28º Batalhão da Polícia Militar, Moisés Sardemberg, procurou os meios de comunicação no intuito de tentar acalmar a população. E pediu para que os moradores não divulguem notícias falsas. Segundo ele, as recentes mortes teriam sido motivadas por uma guerra de facções pelo tráfico de drogas. “O calcanhar de Aquiles do 28º Batalhão é essa guerra e chama atenção de todos nós. Temos índices controlados de vários indicadores, como roubo de veículos, de carga… A letalidade violenta está chamando atenção”, comentou ao Fato Popular, da Rádio 88 FM.

“Barra Mansa tem mais de 200 bairros e temos 40 viaturas circulando. Em algum momento não terá a viatura ali no bairro. Estamos vivendo um momento de crise ali (em Barra Mansa). O que são essas mortes? São confrontos entre facções. Eles se digladiam e se matam”, comentou Sardemberg, dizendo não estar banalizando as mortes que ocorreram na cidade. “Mas eu posso responder que quem está morrendo é quem procurou a morte, é quem construiu esse caminho. É quem entrou para o tráfico, seja por opção, por imposição – até acredito que isso não ocorra. Crime para mim é sempre escolha”, pontuou.

Ele fez questão de explicar o caso no Nove de Abril. Segundo ele, um homem chamado Pabrício, vulgo De Brito, teria sido solto do sistema prisional recentemente. “Ele volta para o Nove de Abril, que já estava sob influência de outra facção, com comando de um homem chamado Diego, apelidado de Tandera. Dois corpos, duas facções, não ocupam o mesmo lugar. E isso gera instabilidade até eles serem presos, e eu vou trabalhar para prender os dois. Mas, enquanto isso não acontecer, eles vão continuar puxando guerra”, acrescentou.

O comandante da PM ainda lembrou de Oziel, um homem morto recentemente em uma ação policial – a mesma onde um PM foi morto – que era egresso do sistema prisional. “O Pabrício tem mais de 30 anos de condenação e não ficou nem três anos preso. Esse Tandera foi preso no dia 6 de novembro e saiu no dia 7 em uma audiência de custódia”, disse, ressaltando que tem escutado relatos de pessoas que são obrigadas a acender a luz interna do carro, tirar o capacete, dependendo do lugar que esteja em Barra Mansa.

Segundo Sardemberg, o tráfico está muito fortalecido no Rio de Janeiro. “A guerra é pela venda de drogas. Eu só posso entender a mente do criminoso como quem quer dinheiro. Eles querem tomar o ponto de venda de droga para fazer dinheiro. O comércio de drogas está muito forte”, opinou. E seria, segundo ele, de difícil prevenção, pois não há como prever onde haverá um ataque de uma facção, por onde será feito o ataque, entre outros. “Eu recentemente fiz uma estatística de todo mundo que a gente prende mais de uma vez. E eu fiz esse puxado para um ano. Se quem a gente prende ficasse na cadeia por um ano, sabe quantos homicídios poderiam ser evitados? 50%. Isso sem gastar um real. Só deixando a pessoa ficar presa. O homicida fica preso hoje 8 meses, o traficante, três meses…”, criticou.

Companhia Independente a passos de cágado

Anunciada com pompa e circunstância, em especial pelo comandante geral da PM, coronel Marcelo Menezes, a criação de uma Cia Independente em Barra Mansa está a passos de cágado. Prevista para ser instalada na antiga sede do Criaad, o local entrou em reforma, mas deverá receber apenas a estrutura da 2ª Cia da PM, que ainda funciona de forma precária na Vila Nova.

As obras andam devagar por falta de recursos. É que o governo do Estado, que havia anunciado a criação da Cia Independente (com reforço de efetivo, grifo nosso), não enviou sequer um real para a obra. A reforma está acontecendo através de uma emenda impositiva do deputado estadual Jari Oliveira, da ordem de R$ 150 mil. Até o momento, não houve outros aportes financeiros para a obra. E, pelo que o aQui apurou, seriam necessários mais R$ 350 mil. Segundo uma fonte, a Aciap-BM anda pedindo ajuda aos empresários locais. Sem sucesso, é claro.

Motos barulhentas

Enquanto a guerra de tráfico avança, a prefeitura se movimenta fazendo ações contra… Motocicletas com escapamentos adulterados e barulhentos. Uma delas ocorreu na quinta, 25, no Centro, e contou até com a presença do prefeito Luiz Furlani, que fez um alerta aos comerciantes, destacando que estabelecimentos que contratarem profissionais para o serviço de motoboy com motos adulteradas poderão ser responsabilizados. Multados, inclusive. “Esse trabalho é para proteger a população. A gente não quer atrapalhar o trabalhador, mas sim combater motos barulhentas que tiram o sossego da população e assustam nossas crianças autistas e nossos idosos. Posem ter certeza que vamos continuar trabalhando firme para acabar de vez com essas práticas irregulares”, afirmou Furlani.