Ana Griselda, Sibel Gaicki e o subsecretário de Ordem Pública, Amauri Pego
Guardadas as proporções, os volta-redondenses podem ter presenciado mais uma gafe internacional, como a que o ex-prefeito Samuca Silva cometeu em 2017 quando recebeu Rafael dos Santos Pinto, que se apresentava comochanceler do Qatar, propondo fazer negócios em Volta Redonda e levar empresários locais para investir no Oriente Médio. Pura lorota. Na época, tudo foi negadopela embaixada do Qatar. Ele faria parte apenas de uma entidade chamada ‘Câmara de Comércio Brasil-Qatar’, sem ter qualquer ligação oficial com as autoridades árabes. Foi um mico.
Passados oito anos, na segunda, 15, a Secretaria de Ordem Pública de Volta Redonda gabou-se de ter recebido a visita de integrantes da maior associação policial do mundo, a International Police Association (IPA) de Hamburgo. Eles visitaram a sede do Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública) e, ao contrário do que ocorreu em 2017, não foram recebidos no Palácio 17 de Julho. Ou seja, Neto escapou de um mico parecido com o de Samuca.
A alemã Sibel Gaicki, integrante da IPA de Hamburgo, segundo release oficial, ao visitar o Ciosp, achou tudo uma maravilha. Ela foi além. Elogiou a segurança da cidade do aço. “É surpreendente constatar que a cidade está entre as que têm os menores índices de criminalidade do Brasil!”, teria dito.
O problema é que a cidadã alemã não faz parte da polícia de Hamburgo ou de qualquer estado ou do governo central. Mesmo assim, as autoridades locais bateram palmas para ela. “É motivo de muito orgulho para nós ver Volta Redonda se tornar uma referência não apenas em nível nacional, mas também internacional”, declarou o coronel Luiz Henrique, segundo informações fornecidas pela sua assessoria. O mais engraçado ainda é que ele nem estava presente, foi representado por Amaury Pego, subsecretário da pasta.
No Ciosp
A visita dos estrangeiros aconteceu na segunda, 15, quando Sibel Gaicki, apontada como integrante da International Police Association (IPA) de Hamburgo, na Alemanha, acompanhada por um policial federal – Renan Torres – e pela instrutora de tiro Ana Griselda, também integrante da IPA, estiveram no Ciosp da prefeitura de Volta Redonda para conhecer o sistema de monitoramento com tecnologia de reconhecimento facial implantado na cidade do aço.
Segundo release oficial da pasta, Sibel teria se surpreendido com o que encontrou em Volta Redonda. “Quase todo mundo me dizia o quão perigoso era. Por isso, é ainda mais emocionante perceber que este país não é dominado pelo crime. É muito interessante ver a integração de diferentes instituições em um mesmo espaço, como acontece no Ciosp, em Volta Redonda. Além disso, é surpreendente constatar que a cidade está entre as que têm os menores índices de criminalidade do Brasil, mesmo com uma população considerada grande sob a responsabilidade das autoridades”, teria destacado, conforme informações fornecidas pela assessoria de imprensa da Semop.
A alemã teria ido além. “Vocês contam com um sistema de reconhecimento facial que auxilia investigadores na localização de suspeitos procurados. Além disso, os cidadãos podem autorizar as forças de segurança a utilizarem seus próprios sistemas de vigilância, o que fortalece muito a atuação da polícia”, teria dito.
Os visitantes foram recebidos pelo subsecretário da Semop, Amauri Pego, já que o titular, coronel Luiz Henrique, continua de férias desde que foi envolvido pelo MP em investigações sobre venda de CNH.
Sorte do coronel PM é que ele não saiu na foto. É que, apesar das informações divulgadas, a IPA não seria uma força policial mantida pelo governo alemão. Seria apenas uma associação de policiais, aposentados ou não, como a ADEPOL (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil), ou a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e ainda o Clube dos Oficiais da Polícia Militar, entre outros.
A IPA de Hamburgo, conforme pesquisa feita na internet, não cumpre funções típicas de polícia nas áreas de segurança pública, investigação criminal, patrulhamento. Seu objetivo é mais de cooperação, intercâmbio, amizade, etc. Seria uma entidade civil registrada, com personalidade jurídica como associação e não órgão estatal. Seus membros – policiais ativos e aposentados – pagam contribuições mensais para que a IPA possa organizar eventos, encontros, viagens (como a Volta Redonda), entre outras… Resumindo: A IPA não seria parte da polícia de Hamburgo ou de qualquer estado ou do governo central.
Foto: Ana Griselda, Sibel Gaicki (com a inscrição ‘Polizei’ nas costas) e o subsecretário de Ordem Pública, Amauri Pego

