Quiproquó de evangélicos de VR vai parar na DP de Barra Mansa

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2013
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Pastor Rinaldo e Fernando Martins


Por Mateus Gusmão 

Uma cena digna de novela, mas que infelizmente foi real, chamou a atenção de clientes de uma padaria no Retiro. E deixou fieis da Assembleia de Deus de Volta Redonda embasbacados. É que na terça, 16, uma confusão envolvendo nomes conhecidos do meio político e religioso da cidade terminou em boletim de ocorrência, mobilizando a Guarda Municipal e a Polícia Militar. E quase terminou em prisão. Pior. O caso foi revelado justamente por quem teria desferido as agressões.

Em áudio divulgado em grupos de WhatsApp, Marco Loureiro – filho do pastor Nicodemos Loureiro, falecido em 2018 e ainda lembrado como uma das maiores lideranças evangélicas da região – confessou ter agredido o ex-vereador Fernando Martins e ofendido o pastor Rinaldo Dias, atual presidente da CADEVRE (Catedraldas Assembleias de Deus em Volta Redonda).

De acordo com o áudio, Fernando e Rinaldo estavam em uma padaria no Retiro quando Marco chegou. Ele teria iniciado uma discussão acalorada com o pastor Rinaldo. Ao ser interpelado por Fernando Martins, Marco não se conteve: desferiu um soco no ex-vereador e, em seguida, virou a mesa onde eles estavam. A cena gerou tumulto, espanto e corre-corre entre os frequentadores.

Marco, no áudio, agradeceu a Deus por não ter sido preso em flagrante pelo ocorrido. “Eu me deparei com o Rinaldo e o Fernando Martins. Eu simplesmente cheguei e me dirigi ao pastor Rinaldo e ele levantou ironicamente dizendo que estava com saudade de mim. Eu falei, pastor, não subestime minha capacidade de raciocinar. E comecei a conversar com ele, pedi para parar de usar o nome do meu pai em vão”, declarou, ressaltando que existe um processo judicial em andamento em nome do seu irmão.

“A minha decepção é que você usa o nome do meu pai para arrecadar dinheiro e minha família nunca vai ver esse dinheiro. Nessa hora, o Fernando Martins levantou e ofendeu minha família, dizendo que teríamos que devolver dinheiro”, contou Marco, comentando que o ex-vereador, hoje assessor do prefeito Neto, teria dito que ele era inventariante em um processo judicial e que estaria recebendo dinheiro da igreja sem repassar para a suafamília. “Nessa hora eu me exaltei e dei um murro no peito dele. Ele levantou e eu dei outro soco”, contou Marco.

Sobre o pastor Rinaldo, ele disse que não o agrediu. “Xinguei ele de tudo qualquer nome”, acrescentou, salientando que chamou o pastor para a briga. “Aí fechou o clima, chamaram a polícia e chegou um monte de carro da Guarda Municipal também”, pontuou Marco Loureiro. Levado à delegacia, disse que não foi feito o registro de ocorrência porque estava sem energia elétrica no Aterrado. O registro acabou sendo feito em Barra Mansa.

“Eu falei com o pastor Rinaldo que não dependo de dinheiro de igreja. Não teve agressão a ele, mas ele pode me processar porque realmente eu o ofendi. Vias de fato foi com o Fernando Martins, aquele safado, que entrou na frente para ter ganhos políticos”, comentou, ressaltando que a CADEVRE estaria pressionando a família dele para retirar o processo judicial, sem detalhar qual seria. “Esse processo é da honra do meu falecido pai”, sublinhou Marco.

O episódio repercutiu imediatamente nos meios evangélico e político de Volta Redonda, já que todos os envolvidos são figuras conhecidas. Rinaldo comanda a CADEVRE, entidade que reúne diversas congregações da Assembleia de Deus na cidade, enquanto Fernando Martins já ocupou cadeira na Câmara e segue atuante nos bastidores.

Procurado pelo aQui, Fernando Martins confirmou que houve a agressão. “Esse rapaz chegou descontrolado, xingando. Ele já teve outros episódios assim. Ele me deu um soco e virou uma mesa. Eu não o agredi. Fui a delegacia e registrei a ocorrência por agressão e injúria”, comentou, ressaltando que não poderia dizer o motivo pelo qual Marco Loureiro o teria agredido. “Isso você tem que perguntar a ele”, completou, ressaltando que admirava muito o pai de Marco, o pastor Nicodemos. “Um homem maravilhoso, um homem de Deus”, acrescentou.

Até o fechamento desta edição, a reportagem não conseguiu contato com Marco Loureiro para comentar o caso. Nem com o pastor Rinaldo Dias. Se quiserem se manifestar, o espaço estará à disposição deles.