Crimes em série

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Por Mateus Gusmão 

A escalada da violência em Barra Mansa chegou a um novo patamar. Em meio a disputas por venda de drogas, a cidade vive dias de tensão com operações policiais, apreensões e tiroteios. Na noite de quinta, 21, durante ação da Polícia Militar na Vila Independência, o soldado Felipe dos Santos Amaral, 32, foi baleado. Ele foi levado para a Santa Casa, mas não resistiu. No confronto, um suspeito, identificado como Oziel Guilherme da Silva, 42, também morreu.

Os policiais foram ao bairro após informações de que ao menos seis homens armados estariam escondidos em uma casa. Segundo a PM, ao serem avistados, os criminosos abriram fogo e fugiram para um imóvel vizinho, de dois andares, e continuaram atirando, atingindo Felipe. A seguir, três suspeitos se renderam.

Após a rendição, Oziel teria surgido armado e feito menção de atirar contra os PMs. Um policial disparoucontra, atingindo-o. Ele morreu na hora. Com ele, foi encontrada uma pistola com numeração raspada. Dentro do imóvel, foram apreendidos outra pistola também raspada, um carregador com 19 munições, um revólver 38 com cinco munições, uma colmeia com 38 munições de 9mm, um rádio comunicador, outro revólver 38 raspado com 14 munições, além de nove celulares. No quintal, os agentes encontraram até uma granada.

Segundo a PM, Oziel era suspeito de homicídios recentes na Vila Independência. Uma fonte policial ouvida pelo aQui disse que ele havia deixado a prisão recentemente e se aliado a uma facção carioca. “Ele tinha diversas passagens. Quando ganhou liberdade, recebeu armas e munições de uma facção do Rio. Voltou para Barra Mansa aterrorizando”, contou.

Luto oficial

Ontem, sexta, 22, o prefeito Luiz Furlani, decretou luto oficial de três dias devido a morte do PM Felipe dos Santos Amaral, que era do Grupamento de Ações Táticas (GAT) da 2ª Cia do 28º BPM. “Neste momento de dor, nos solidarizamos com todos os familiares, amigos e companheiros de profissão. Que encontrem conforto e força para atravessar essa perda irreparável. Expressamos nossos mais sinceros sentimentos”, disse Furlani em nota oficial.

O ex-prefeito Rodrigo Drable também esteve na Santa Casa na noite de quinta e lamentou a morte do PM. “Policial morto e ninguém fala em direitos humanos. O Brasil está perdendo a noção de valor e gratidão. Minha homenagem ao PM Amaral, cruelmente executado enfrentando bandidos. Meu respeito a todo Policial Militar que expõe a vida em defesa da nossa, sem receber o devido reconhecimento da sociedade”.

Escalada de violência
Na edição passada, o aQui mostrou que, entre os dias 8 e 10 de agosto, cinco pessoas foram assassinadas em Barra Mansa. A onda de crimes começou no dia 8, com dois mortos e uma mulher ferida por bala perdida. Já no dia 13, a PM deflagrou a Operação Impacto, que mobilizou dezenas de agentes, viaturas e até um caveirão. Entre os dias 13 e 18, o balanço oficial registrou dez prisões, cinco armas de fogo apreendidas, drogas e cerca de R$ 74 em dinheiro. Foram apreendidos ainda 1,294 kg de cocaína, 7,074 kg de maconha, 60,2 g de crack, 26,8 g de haxixe e 14 g de ecstasy. Com os novos acontecimentos, a expectativa é de mais operações na cidade nos próximos dias.