Riscos de lesões

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CARNAVAL: Cuidados com o uso de pomadas modeladoras para cabelo às vésperas do Carnaval, que começa neste sábado, 14

 

Riscos de lesões

Com a chegada do Carnaval, que começa neste sábado, 14, cresce a procura por tranças, twists e penteados que prometem resistência ao calor, ao suor e à folia. No meio desse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) faz um alerta importante: o uso inadequado ou irregular de pomadas modeladoras para cabelo pode causar danos graves à pele e aos olhos, incluindo risco de cegueira.

É que os produtos utilizados para fixar tranças e reduzir frizz têm textura oleosa ou cerosa, o que facilita a fixação prolongada. O problema é que, em ambientes quentes e com suor excessivo, como blocos de rua e praias, a pomada pode escorrer do couro cabeludo para o rosto, atingindo os olhos.

“Cosmético não é um produto inofensivo. O uso excessivo, sem obedecer às orientações, ou pomadas irregulares podem provocar desde dermatites até lesões oculares graves. Às vésperas do Carnaval, nosso papel é intensificar o alerta para que as pessoas façam escolhas mais seguras”, explica a superintendente de Vigilância Sanitária da SES-RJ, Helen Keller.

O Dr. André Bahia, médico em Volta Redonda,  cirurgião capilar e pós-graduado em Tricologia Médica, com mais de dez anos de atuação na área de doenças do couro cabeludo e queda capilar, concorda. “É muito importante o alerta feito pela SES-RJ, especialmente em períodos como o Carnaval, em que há maior exposição ao calor, suor e uso prolongado de produtos fixadores. Do ponto de vista técnico, muitas pomadas modeladoras possuem bases altamente oclusivas, com petrolatos, ceras e polímeros fixadores que, em altas temperaturas, podem se tornar mais fluidos e escorrer para a região dos olhos”, detalha.

Segundo o tricologista, em 2023, a Anvisa chegou a suspender a comercialização de diversas pomadas modeladoras no país após um aumento expressivo de casos de lesões oculares graves associadas ao uso desses produtos. Na ocasião, foram registrados episódios de ardência intensa, edema ocular, dificuldade de abrir os olhos e até cegueira temporária ou permanente. “Quando o produto atinge os olhos, não é apenas uma irritação simples. Alguns componentes podem alterar o pH da superfície ocular e agredir a córnea, causando quadros de ceratite química. Dependendo da formulação e do tempo de exposição, pode ocorrer inflamação intensa, dor importante e risco de sequelas visuais”, alerta.

Tem mais. O risco é ainda maior em crianças, que tendem a levar as mãos aos olhos com mais frequência, além de transpirarem mais e terem menos cuidado ao brincar. “Temos observado ocorrências especialmente relacionadas a produtos sem registro, vendidos de forma clandestina. Em muitos casos, a composição não é adequada para esse tipo de uso, o que aumenta muito o risco de lesões, principalmente nos olhos”, ressaltou a coordenadora de Vigilância e Fiscalização de Insumos, Medicamentos e Produtos da SES-RJ, Rosa Melo.

Além dos problemas oftalmológicos, o uso contínuo dessas pomadas pode causar dermatite, coceira intensa, descamação, foliculite, acne na testa e na nuca e até queda de cabelo por obstrução dos poros. “No couro cabeludo, o uso excessivo e prolongado também merece atenção. A oclusão prolongada favorece desequilíbrio da microbiota local, aumento da oleosidade, dermatite seborreica, foliculite e inflamações que podem desencadear queda de fios de cabelo”, disse o tricologista André Bahia, indo além. “Outro ponto importante é que muitos consumidores associam ‘fixação extrema’ a maior qualidade. Essa prática aumenta a carga de agentes formadores de filme e substâncias potencialmente irritativas ao couro cabeludo”.

Produto regularizado e uso correto fazem diferença

A Vigilância Sanitária da SES-RJ reforça que pomadas modeladoras só devem ser usadas se forem regularizadas junto à Anvisa, com rótulo em português, fabricante identificado, número de registro ou notificação e, claro, dentro do prazo de validade.

Outro ponto crítico é o modo de uso. É importante ter cuidado com o excesso de produto e com a aplicação próxima à testa e aos olhos, além da permanência por muitos dias sem lavagem. Tudo isso pode aumentar significativamente os riscos.

“A recomendação é usar a menor quantidade possível, evitar a aplicação próxima aos olhos, lavar o couro cabeludo regularmente e suspender o uso diante de qualquer sinal de ardor, coceira ou vermelhidão. Mesmo um produto regular pode causar dano se for usado de forma inadequada”, alerta a superintendente Helen Keller.

Para quem vai curtir o Carnaval, a orientação é simples. “Desconfie de promessas de fixação extrema ou à prova d’água, evite produtos caseiros ou sem procedência e, sempre que possível, opte por alternativas mais leves e regularizadas. A beleza não pode custar a saúde. Um produto inadequado pode transformar um penteado em um problema sério e acabar com a sua alegria, trazendo um problema sério de saúde”, orienta a coordenadora Rosa Melo.

O Dr. André Bahia finaliza lembrando dos riscos do uso inadequado das pomadas. “Além da regularização da Anvisa, é fundamental educação quanto à forma correta de uso: pouca quantidade, evitar proximidade com a linha frontal, higienização adequada e retirada imediata do produto diante de qualquer sintoma ocular ou cutâneo. Cosméticos são seguros quando bem-indicados e utilizados corretamente, mas não são isentos de risco”, pontua.

Fiscalização e papel da Vigilância Sanitária

A SES-RJ destaca que o papel da Vigilância Sanitária estadual é reforçar os alertas à população, apoiar tecnicamente os municípios e acompanhar os riscos à saúde associados a esses produtos. Já a fiscalização direta dos comércios, salões e pontos de venda é responsabilidade das vigilâncias sanitárias municipais, que podem aplicar sanções como apreensão de produtos, multas e interdições em caso de irregularidades.

Legenda da foto:

André Bahia é médico, cirurgião capilar e pós-graduado em Tricologia Médica, com mais de 10 anos de atuação em Volta Redonda e região, na área de doenças do couro cabeludo e queda capilar. Veja mais em @dr_andrebahia