Sindicato enfrenta desafio para convencer nova geração de metalúrgicos a rejeitar primeira proposta da CSN
Pollyanna Xavier
Daqui a duas semanas, os metalúrgicos das empresas da base, entre elas a CSN, voltam às urnas para escolher a diretoria que comandará o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense pelos próximos quatro anos. Sem chapa de oposição, a eleição deve confirmar, tranquilamente, a permanência da atual direção. A falta de disputa nas urnas, porém, contrasta com o desafio que a entidade admite ter pela frente: o adversário não é uma chapa concorrente. Está dentro das fábricas, entre uma geração de trabalhadores que, segundo o próprio presidente da entidade, Odair Mariano, tem dificuldade de enxergar as negociações sindicais como um investimento de longo prazo. Eles preferem garantir o (pouco) ganho imediato a prolongar uma mobilização em busca de uma proposta melhor.
A avaliação foi feita por Odair Mariano no início da semana, durante entrevista ao programa Dário de Paula. O sindicalista admitiu que a principal missão da sua diretoria hoje é convencer os trabalhadores mais jovens de que, em determinadas situações, vale a pena rejeitar a primeira proposta da CSN para ampliar o poder de negociação da categoria. “Hoje, a gente tem uma categoria muito jovem, entre 19 e 30 anos. É uma geração que quer tudo para agora. Estamos tentando mostrar a importância da luta, das reivindicações e de pensar no futuro”, afirmou. “Mas é muito difícil. Eles querem tudo para ontem. Por causa do abono, aceitam rápido a primeira oferta. A gente respeita, democracia é isso”, comentou.
Durante a entrevista, Odair disse que a mudança de perfil do ‘novo trabalhador da CSN’ vem exigindo uma adaptação da própria diretoria, formada majoritariamente por trabalhadores e aposentados mais experientes. Aliás, essa mesma diretoria, segundo o próprio Odair, não aceitava a primeira oferta da CSN, rejeitava no voto uma, duas, três vezes, obrigando a empresa a melhorar a proposta. “Estamos tentando nos adaptar nesse cenário, nesse grupo de novos metalúrgicos, para que possamos conseguir trabalhar de forma consciente e mostrar para eles a importância da luta, a importância das reivindicações, e que nem tudo é bom naquela hora. Às vezes temos que lutar e pensar no futuro, coisa na qual hoje eles não pensam”, declarou
Segundo Odair, na ocasião do acordo coletivo da CSN, a diretoria do Sindicato sugeriu que os trabalhadores não aprovassem a proposta da empresa. Até porque, na comparação com a do ano passado, a oferta era menor. Mas a categoria jovem entendeu que aquele era o momento, especialmente por conta do abono. “Nós somos o mediador entre a categoria e o patrão, mas não podemos impor dizendo que eles têm que aceitar. Não! Estamos numa democracia. Primeiro a gente respeita a democracia e depois a categoria (…) eles entenderam que aquela proposta era boa, então seguimos em frente. Ano que vem tem mais”, comentou.
Numa entrevista rápida – pouco mais que 20 minutos – Odair, que estava acompanhado do diretor de Finanças, Alex Clemente, disse que o Sindicato está buscando se adaptar para atender essa nova geração de trabalhadores. “Estamos tentando buscar um equilíbrio para lidar com os trabalhadores mais jovens, ou não conseguiremos acompanhá-los”, reconheceu, ciente de que a parte mais incômoda talvez não seja enfrentar a CSN nas campanhas salariais, mas convencer o novo trabalhador de que, nos acordos coletivos, a primeira proposta raramente é a última.

