Em busca de solução

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EDUCAÇÃO: Pai denuncia falta de mediador para filho autista em escola municipal de Volta Redonda

A inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas vai muito além da matrícula e da presença em sala de aula. Para muitas famílias, o desafio é garantir que os alunos recebam o acompanhamento necessário para aprender, se desenvolver e permanecer em um ambiente seguro. Quando esse suporte falha, as consequências podem ser graves. É justamente essa situação que, segundo um pai, estaria ocorrendo na Escola Municipal Bahia, em Volta Redonda.

Morador do Minerlândia, Adilson Mello, pai de um menino de 9 anos diagnosticado com TEA e matriculado no 3º ano da unidade, procurou o aQui para denunciar que o filho estaria frequentando as aulas sem um mediador ou cuidador profissional que, segundo ele, seria essencial para garantir o acompanhamento adequado durante o período escolar.

De acordo com Adilson, a ausência desse profissional estaria comprometendo diretamente o desenvolvimento da criança. Adilson afirma até que, apesar de estar no 3º ano do ensino fundamental, o menino ainda não foi alfabetizado adequadamente e estaria enfrentando sérias dificuldades de aprendizagem.

Além da questão pedagógica, Adilson demonstra preocupação com a integridade física do filho. Segundo ele, em uma das ocasiões, a criança teria voltado para casa com um corte em um dos dedos, situação que aumentou a apreensão da família quanto ao tratamento dispensado pela escola.

“Esse não é o caso somente do meu filho. Há outras crianças na rede municipal de ensino na mesma situação. Elas precisam desse acompanhamento para conseguir se desenvolver e estudar com dignidade. Sem o mediador, ficam prejudicadas e vulneráveis”, afirmou Adilson, ressaltando que o filho já contou com a presença de um mediador em outros momentos, mas que a assistência não é contínua. “É uma situação cíclica. O mediador fica um tempo e depois deixa a escola, voltando tudo à estaca zero”, relatou.

Diante do problema, a família cobra providências da Prefeitura de Volta Redonda e da Secretaria de Educação. “Já estivemos diversas vezes na Secretaria de Educação em busca de uma solução e também conversamos com a direção da escola. É um direito do meu filho e de outras crianças que precisam desse acompanhamento”, concluiu.

 

Nota da redação 

Procurada pelo aQui, a Prefeitura de Volta Redonda informou que a rede municipal de ensino não possui o cargo de mediador escolar, mas sim de profissional de apoio escolar (PAE), regulamentado pela Portaria SME nº 421/2026. Segundo o governo municipal, pode haver situações pontuais de vacância em razão de desligamentos, afastamentos ou durante o processo de reposição desses profissionais, que são acompanhados pela Secretaria de Educação e pela empresa responsável pelas contratações.

Acerca da situação da Escola Municipal Bahia, a Prefeitura confirmou que parte dos estudantes que necessitam de acompanhamento por profissional de apoio escolar aguarda reposição após o desligamento de uma profissional que atuava na unidade. Acrescentou ainda que novas demandas dependem da ampliação do quadro de funcionários e que a empresa contratada já foi acionada para realizar o recrutamento dos profissionais necessários.

A administração municipal informou ainda que atualmente 461 profissionais de apoio escolar atendem 902 estudantes na rede de ensino e que outras 82 demandas estão em processo de atendimento. Segundo a Secretaria de Educação, as situações de carência são pontuais e decorrem, principalmente, de desligamentos, afastamentos e do aumento da demanda ao longo do ano letivo. A pasta afirmou que acompanha continuamente o serviço e tem solicitado reposições e novas contratações para suprir as necessidades identificadas.