O Governo Federal anunciou que estudantes com contratos do Fundo de Financiamento
Estudantil (Fies) formalizados a partir de 2018 poderão renegociar as suas dívidas. Os beneficiários poderão solicitar a renegociação diretamente junto ao agente financeiro do contrato, de 1º de novembro de 2025 a 31 de dezembro de 2026. A medida é voltada para estudantes que estejam inadimplentes há mais de 90 dias, contados até o dia 31 de julho de 2025. A nova regra prevê o parcelamento do saldo devedor em até 180 parcelas mensais, com valor mínimo de R$ 200 por parcela, e ainda garante desconto de 100% nos encargos moratórios, como juros e multas por atraso.
O Ministério da Educação (MEC), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento
da Educação (FNDE), publicou no Diário Oficial da União (DOU) a Resolução nº 64/2025,
que estabelece as condições para a renegociação de dívidas. O objetivo é ajudar os estudantes que enfrentam dificuldades financeiras. A resolução esclarece que a renegociação se aplica apenas ao saldo devedor do financiamento, não incluindo valores de
coparticipação com as instituições de ensino, seguros prestamistas ou tarifas bancárias. Os débitos com as instituições deverão ser negociados diretamente com cada instituição de
ensino superior. A renegociação ainda poderá se aplicar aos contratos cuja dívida tenha sido coberta pelo Fundo Garantidor do Fies (FG-Fies), desde que estejam dentro das regras estabelecidas pelo próprio fundo. A formalização da renegociação será feita por meio de termo aditivo ao contrato original, com a concordância expressa do estudante e, se aplicável, de seus fiadores. Em caso de inadimplemento das novas condições acordadas, os nomes dos estudantes e fiadores serão incluídos nos cadastros restritivos de crédito. Além disso, ficam suspensas até o fim de 2026 as solicitações para que o FG-Fies honre as dívidas inadimplidas.
Aumento do teto
O Governo Federal também aumentou em 30% o teto de financiamento por semestre do
Fies para o curso de medicina. O limite passa a ser de R$ 78 mil semestrais a partir do segundo semestre de 2025, quando será aplicado aos novos contratos formalizados e aos aditamentos de renovação. A medida valerá integralmente a partir do primeiro semestre de 2026.
Social
Instituído pela Resolução nº 58/2024, o Fies Social visa retomar o papel social do programa, destinado a atender às necessidades de estudantes de baixa renda. Dessa forma, pretende transformar a sociedade, ao oferecer melhores condições para a obtenção de financiamento estudantil.
Fies
Criado em 2001, o Fies concede financiamento a estudantes de cursos de graduação em instituições de educação superior privadas que possuírem avaliação positiva no
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e aderirem ao programa.
8 em cada 10 estudantes brasileiros relatam sintomas de ansiedade e depressão
O Instituto Ayrton Senna acaba de divulgar dados da Avaliação do Futuro, um dos maiores
mapeamentos no Brasil sobre o impacto das competências socioemocionais no desempenho
e bem-estar de estudantes da rede pública. A avaliação, que integra as ações de monitoramento dos sistemas educacionais, foi realizada nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Paraná em parceria com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), da Universidade Federal de Juiz de Fora, e no estado do Ceará. O levantamento compõe um esforço nacional para compreender como aspectos emocionais e sociais interferem nos resultados de aprendizagem dos estudantes e na convivência escolar.
Cerca de 89 mil estudantes do Ensino Médio dos cinco estados brasileiros foram
escutados. Na avaliação, foram identificadas correlações significativas entre o
desenvolvimento de competências como autogestão, engajamento com os outros e resiliência e o desempenho em disciplinas como Língua Portuguesa e Matemática.
Estudantes com maiores níveis de autogestão – a capacidade de planejar, persistir e lidar com desafios – apresentaram notas superiores e vínculos mais significativos com seus pares e adultos da escola. Os resultados também revelam que o desenvolvimento socioemocional está diretamente relacionado à saúde mental dos alunos. O que chama atenção é o fato de 8 em cada 10 estudantes brasileiros relatarem um ou
mais sintomas de ansiedade e depressão em níveis altos, com 38,9% sentindo-se
esgotados, 33,9% perdendo o sono por preocupações e 22% afirmando sentir-se
incapazes de superar dificuldades.
Entre os sintomas mais recorrentes, o levantamento mostra: 38,9% relataram sentir-se bastante ou totalmente esgotados ou sob pressão 33,9% perderam o sono por causa de
preocupações 20,4% disseram estar bastante ou totalmente infelizes ou deprimidos
22,1% perderam bastante ou totalmente a confiança em si mesmos 22% relataram sentir-se incapazes de superar suas dificuldades 7,9% afirmaram não conseguir se concentrar em suas tarefas.
Entre as meninas, 25,2% perderam bastante ou totalmente a confiança em si mesmas, contra 17,8% dos meninos “Esses números refletem desgastes emocionais que precisam ser olhados com cuidado. A saúde mental é multifatorial – envolve relações consigo mesmo, com os outros e com o contexto em que se vive. Entre os adolescentes, essas pressões podem ter origens diversas: desafios próprios da faixa etária, vulnerabilidades contextuais, desigualdades sociais, preocupações sobre o futuro (como a proximidade do vestibular), a convivência na escola, as expectativas familiares ou sociais e as comparações nas redes sociais. Tudo isso impacta a motivação e a confiança dos estudantes em suas próprias capacidades”, explica Ana Crispim, gerente de pesquisa no eduLab21, laboratório de ciências para a educação do Instituto Ayrton Senna.
Além disso, Crispim destaca que a escola tem um papel central nesse processo. “Além de
identificar fatores de risco associados à prejuízos na saúde mental, as escolas precisam mirar em fatores protetivos como fortalecer espaços seguros, onde vínculos sólidos entre alunos e educadores favorecem a escuta, o acolhimento e o encaminhamento adequado. Programas estruturados de desenvolvimento socioemocional podem ser aliados nessa missão, ao estimular autoconfiança, engajamento, a construção de uma rede de apoio e estratégias de regulação emocional”.
O mapeamento socioemocional mostra que esses números são ainda mais altos para
meninas: 25,2% relatam ter perdido bastante ou totalmente a confiança em si mesmas, em comparação a 17,8% dos meninos. De acordo com Crispim, essa informação
vai ao encontro de outras pesquisas nacionais e internacionais que mostram que meninas
apresentam queda nas suas estratégias de resiliência emocional e de saúde mental desde o
início da adolescência. “Sentimentos como tristeza, raiva e ansiedade tendem a ser mais complexos e difíceis para que o adolescente os administre, algo que parece ser ainda mais acentuado entre meninas.
A adolescência é um período desafiador: fatores como a insatisfação com o corpo, somada à força dos padrões de beleza e das comparações e expectativas sociais, pesam no dia a dia. Por isso, o desenvolvimento de recursos e estratégias para melhor regular suas emoções e a contar com a compreensão e apoio dos adultos, fazem muita diferença nessa jornada”, explica Crispim. A Avaliação do Futuro é fruto de esforços de longo prazo do Instituto Ayrton Senna e que ganha reforços a partir de sua parceria com CAEd, consolidando a liderança brasileira em estudos sobre educação baseada em evidências.
Os resultados se somam a mais de uma década de pesquisas do eduLab21 que reforçam o papel das competências socioemocionais como eixo central de uma educação de qualidade e equitativa.

