Bloqueios na Dutra

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A vitória de Lula nas eleições para presidente provocou uma onda de protestos nas principais estradas do país. O movimento começou, simultaneamente, em Barra Mansa e em Santa Catarina e se espalhou pelo Brasil. Na segunda, 31, a Via Dutra, entre Barra Mansa e Resende, estava com vários pontos de interdição. Ninguém passava. Em nota, a CCR Rio-SP, que administra a via, informou que ambulâncias da prefeitura de Resende, com pacientes que iriam para tratamento no Rio, foram impedidas de passar.
Ainda na segunda, houve o registro de ataque a um carro com o adesivo de Lula, no acesso à Bocaininha, em Barra Mansa. No veículo estava uma mulher que levava o filho menor para a escola. Ela teve o para-brisa do carro quebrado pelos manifestantes. Na terça, a Polícia Rodoviária Federal informou que havia solicitado à Advocacia Geral da União a emissão de uma medida liminar proibitiva, para impedir as manifestações. O documento, porém, só foi emitido à noite, junto com decisão do STF para que os caminhoneiros liberassem a Dutra. O STF fixou em R$ 100 mil a multa diária para quem descumprisse a decisão.
No mesmo do-cumento, a Suprema Corte determinou a aplicação de multa no mesmo valor, em caráter pessoal, ao diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, a contar da meia-noite do dia 1°, além da possibi-lidade de afastamento de suas funções e até prisão em flagrante por crime de desobediência. A medida se deu porque a PRF teria permitido as manifestações e vários vídeos que circularam no WhatsApp e redes sociais mostraram agentes, em várias estradas do país, apoiando o movimento e afirmando que nenhum caminhoneiro seria multado. Para o STF, a PRF agiu com “omissão e inércia”.
A liberação total da rodovia, no trecho de Barra Mansa, ocorreu na quarta, 2, depois do pronunciamento do presidente Bolsonaro. Em compensação, os manifestantes foram parar na frente da Aman, em Resende, em protesto contra o resultado das eleições. Mesmo sob chuva, o manifesto atraiu bolsonaristas de municípios como Resende, Itatiaia, Porto Real, Barra Mansa e Volta Redonda. Eles pediam por intervenção militar.