quinta-feira, maio 19, 2022
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Bate Bola – Sergio Luiz

Este é o time do Quero Mais E.C, da Vila Brasília, da turma do Bloco Carnavalesco Quero Mais. Pertence ao acervo do Marquinho, diretor, e foi tirada em 1980. Em pé, da esquerda para a direita: Peu (diretor), Zé Botafogo, Zé Soares, Paulinho Bicudo, Pedro, Dudu e Marquinho (diretor). Agachados: Carlinhos, Zé Luis, Beto, Cleber, Aguinaldo e Nina (massagista).

Quem pariu Mateus, que o embale

Em 1985, o Voltaço conheceu, pela primeira vez, o sabor amargo de ser rebaixado. Era um tempo diferente. Tempos de vacas magras onde, sem os mesmos recursos de hoje, o então presidente, Fausto Possidente, chegou a falar em fechar as portas do clube. Não encontrava uma saída para a crise. Mas, na época, havia um entrelaçamento entre dirigentes, torcedores apaixonados, imprensa e jogadores, principalmente os da casa, que chegavam a ficar dois ou até três meses com salários atrasados. Por outro lado, ninguém admitia a ideia de encerrar as atividades do Volta Redonda. Foi daí que surgiu o ‘Mutirão do Voltaço’.
A sugestão partiu do repórter Luiz Fernando, que, em um programa na TV Sul Fluminense, propôs que se fizesse alguma coisa para que o clube não morresse. Acatamos a ideia e, conversando com o saudoso Gibraltar Vidal, que era presidente da Câmara, resolvemos abraçar a causa e partimos para a ação.
No dia 20 de setembro de 1986, data que ficará eternizada na história do Volta Redonda, com o plenário da Câmara repleto de ex-presidentes, ex-dirigentes, ex-jogadores, torcedores, conselheiros e imprensa, discutimos como faríamos para salvar o time da cidade do aço. Foi um ato de união e amor pelo Voltaço, que emocionou a todos. Ali, o tricolor de aço começou a ressurgir das cinzas para voltar à elite do futebol carioca como campeão da segunda divisão em 1987.
O sucesso do ‘Mutirão do Voltaço’ teve como razão principal a credibilidade da diretoria, que administrava o clube sempre junto dos torcedores. Bem diferente de hoje. Existia diálogo e ele era transparente. Afinal, eram os torcedores que se reuniam na famosa Boca Maldita, na Vila, que ajudavam com suas rifas, festival de chope, livro de ouro, carnê fartura, entre outros, a obter recursos para pagar os salários. Sem falar na campanha de sócios torcedores, quando colocamos quatro mil sócios, com desconto em folha na CSN, prefeitura e outras empresas.
Hoje, os dirigentes imploram pela ajuda dos torcedores, que ignoraram por um bom tempo, para tentar juntar os cacos e levar o Voltaço de volta para a primeira divisão estadual. O problema é que, hoje, eles não têm credibilidade junto a ninguém, a não ser a uns poucos conselheiros que sabe-se lá por que viviam batendo palmas para os desmandos, tipo na montagem do pior time de todos os tempos. Ou, quem sabe, por não se identificarem com a cidade do aço, onde não devem conhecer ninguém, né? Aliás, desafio os conselheiros que apoiam a diretoria a realizarem um mutirão para salvar o Voltaço. Poderão ter uma resposta tal como descrito no velho ditado: “Quem pariu Mateus, que o embale”. Tenho dito!

Tapando o sol
Tentando abafar a vergonha pelo rebaixamento, a diretoria do Volta Redonda soltou nota alardeando que o Voltaço ainda teria chances de retornar à elite do futebol carioca em 2022. A possibilidade até existe, e está prevista no regulamento do campeonato. Explico: o time rebaixado disputa, no mesmo ano, o campeonato da série A-2 (segunda divisão). Caso seja campeão, obtém o acesso e se classifica para o carioca de 2023. Não há novidade nisso. A nota foi maldosa. Era só uma maneira de tapar o sol com a peneira.

História
Mário Barrigana, apesar da sua baixa estatura, foi um dos melhores goleiros do futebol de Além Paraíba. Boêmio por natureza, fechava o gol mesmo quando, na véspera dos jogos, quebrava na noitada. Em 1965, o Vasco, campeão da Taça Guanabara, foi colocar as faixas de campeão no Independente E.C. Os dirigentes estavam preocupados com Barrigana, que certamente iria para a gandaia. Um dos diretores era o Dr. Ricardo Estides, delegado respeitado na cidade, que mandou: “Deixa ele comigo”. Sábado, por volta das 19 horas, quando o goleirão, todo arrumadinho, ia saindo de casa, viu encostar o jipe da polícia. De dentro dele, ouviu uma voz: “Mário, entra aqui”. Assustado, o goleiro responde: “O que houve, doutor?”. O delegado: “Vamos dar uma volta”. Barrigana: “Mas eu não fiz nada”. Dr. Ricardo: “Antes que você faça, entre aqui”. E o levou para dormir no sofá da sua sala na delegacia. No dia seguinte, Mário Barrigana fechou o gol e o Vasco venceu por 1 a 0, gol de pênalti, assinalado pelo artilheiro da época Célio. Detalhe: o jogo foi interrompido aos 15 minutos do segundo tempo, devido a um temporal que desabou na cidade. O goleiro acabou sendo levado para fazer testes em São Januário, mas não quis ficar, preferiu voltar para a gandaia. É mole!

Dificuldades
Para pensar em retornar à primeira divisão, o Volta Redonda terá que montar dois times. Um para disputar a série C do brasileiro e outro para jogar, em paralelo, a série A-2, que começa no dia 30 de abril, contra o Friburguense, em Friburgo. Um pau com formiga, haja vista que na Copa Rio, uma réplica da segunda divisão, o Voltaço chegou a ser eliminado por equipes como Audax em 2017, São Gonçalo em 2018, Tigres em 2019 e Sampaio Correia em 2021. Tá feia a coisa!!!

Cogitados
Veja os nomes dos técnicos cotados para assumir o Voltaço: Júnior Lopes (Filho de Antônio Lopes), Josué Teixeira, Itamar Schulle (ex-Santa Cruz), Francisco Dias (Pouso Alegre) e Edson Vieira ( São Bento).

Bola fora
Para a diretoria do Volta Redonda, que divulgou uma nota em que pede desculpas e se diz envergonhada e consternada com o rebaixamento do time para a segunda divisão. De que adianta pedir desculpas? Vai mudar alguma coisa? Todo ano é a mesma ladainha. Sempre com as promessas de melhorar, de aproveitar para corrigir e aprender com os erros. Só que, desta vez, erraram na mão e afundaram o clube. Deveriam ter vergonha em emitir uma nota dessas.

Bola dentro
Para o técnico e ex-jogador do Voltaço, Wilson Leite, que teve a coragem de assumir o comando do barco à deriva, tentando salvar o time da degola. Não só como profissional, mas também como um apaixonado pelo clube, que defendeu com o todo carinho e raça. Teria que fazer um milagre, mas, como não é milagreiro, não conseguiu. Tá valendo, Leite.

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