Vídeo de suicídio em VR acaba caindo em mãos erradas

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Por Mateus Gusmão

As câmeras de monitoramento da prefeitura de Volta Redonda geraram uma nova polêmica. A pior até então. É que no sábado, 17, vários grupos de WhatsApp passaram a postar o vídeo de uma jovem pulando da Ponte Dom Waldyr Calheiros, que liga o Aterrado ao Aero Clube. As imagens, chocantes, acabaram viralizando, e, importante, teriam sido feitas por uma das câmeras do projeto ‘Cidade monitorada’, da Secretaria de Ordem Pública de Volta Redon- da, que nem as utilizou na sua propaganda oficial diária nas redes sociais, como faz quando tem algum flagrante policial.
A cena, como não poderia deixar de ser, logo viralizou. Diversos perfis, visando ter mais engajamento e visualização, divulgaram o vídeo. A mulher que pulou da ponte, M.S., 21 anos, trabalhava em um bar no Monte Castelo e tinha três filhos. Seu corpo só foi encontrado na segunda, 19, na altura da Elevatória de Santa Cecília, em Barra do Piraí.
A divulgação do caso, além da tragédia em si, reacendeu uma polêmica: o controle das imagens que são capturadas pelas câmeras da prefeitura de Volta Redonda. É que, se um vídeo com uma cena tão marcante, como a de um suicídio, acabou indo parar nos grupos de WhatsApp, o que mais estaria sendo gravado e utilizado para, digamos, fins que não são os esperados?
Procurada para tratar do tema, a Secretaria de Ordem Pública não respondeu à reportagem do aQui. Perdeu a chance de explicar como o vídeo foi parar em mãos erradas. Tem mais. Poderia explicar também se a divulgação do vídeo teria sido autorizada. Em caso contrário, se a pessoa que fez o vídeo já teria sido identificada e se haveria alguma punição aos envolvidos na captura e divulgação do vídeo. Além disso, poderia informar que medidas passará a adotar para evitar novos vazamentos de imagens e vídeos.

Acesso às câmeras
Coincidência ou não, dias após o vazamento das imagens, na segunda, 19, a Secretaria de Ordem Pública destacou que oferece segurança e praticidade aos moradores de Volta Redonda por meio das câmeras do ‘Cidade Monitorada’. E que as imagens podem auxiliar os cidadãos na elucidação de acidentes de trânsito, desaparecimentos e crimes. Esqueceu de informar que não consegue evitar situações como a de sexta. Segundo a postagem da Semop, as câmeras da pasta possuem uma identidade visual (um adesivo com a marca do projeto estampado), facilitando a identificação dos equipamentos e até inibindo a prática de delitos. Para ter acesso às imagens, o solicitante deverá procurar as autoridades, seja fazendo o Registro de Ocorrência na delegacia ou o e-Brat em caso de acidente de trânsito. Detalhe: tem que levar um pendrive para a gravação do vídeo. A gravação pode ser solicitada junto ao Ciosp pelo telefone (24) 3340- 2290.

Crime solucionado por câmeras de lojistas
Na edição 1389, o aQui já tinha mostrado que as câmeras do ‘Cidade monitorada’ realmente podem ajudar a diminuir os crimes patrimoniais – roubo a pedestres e a estabelecimentos comerciais, mas que deixavam a desejar em casos de homicídios. Pior. Que as imagens gravadas pela Semop não estavam ajudando a elucidar crimes graves. E a reportagem estava correta.
Prova disso é o caso do assassinato de Edson Martins de Almeida, 24, em uma loja de produtos de celulares no Aterrado. O principal suspeito do crime só foi reconhecido por conta de imagens gravadas por câmeras de lojistas da Rua 535, nas proximidades do Raulino de Oliveira. O crime aconteceu na manhã de 27 de janeiro, na Rua 556, no Aterrado – quase em frente à prefeitura de Volta Redonda. Na ocasião, dois homens chegaram em um carro, identificado por câmeras dos lojistas e não da Semop. Eles usavam roupas de entregadores de um aplicativo de delivery. Na loja, renderam os funcionários e um cliente. Não satisfeitos, deram uma coronhada na cabeça de Edson Martins de Almeida e acabaram disparando um tiro, que o matou.
Na segunda, 19, a Polícia Civil divulgou imagens do principal suspeito do crime. Trata-se de Ricardo Santos de Oliveira, o “Tim Tim”, de 33 anos. Ele está foragido, aparece nas gravações (seu rosto aparece nítido ao andar pela Rua 353) e, por conta de suas tatuagens, os policiais conseguiram identificá-lo. A Polícia Civil pede para quem tiver informações sobre a localização de Ricardo Oliveira, o “Tim Tim”, que utilize os seguintes canais de atendimento: Disque-denúncia 93a DP (24) 3339-2462 e (24) 99271-6936. O anonimato é garantido.