sexta-feira, janeiro 27, 2023
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Via do transtorno

Consultoria aponta problemas estruturais como causa de acidentes na Rodovia do Contorno

Por Mateus Gusmão

Problemas estruturais, má sinalização e velocidade máxima imprudente. Esses – e mais outros – podem ser os motivos dos constantes acidentes na Rodovia do Contorno, principalmente no trecho entre os condomínios Jardim Mariana e Alphaville. Pelo menos é o que indica um estudo – obtido com exclusividade pelo aQui – da consultoria em engenharia de trânsito Dynatest, feita em dezembro do ano passado. O levantamento foi encomendado pelo Departamento de Estradas e Rodagens (DER), órgão do governo do Estado.
Os acidentes, infelizmente, já são comuns, principalmente em dias de chuva. Alguns foram até fatais. Somente no início do ano, pelo menos três caminhões derraparam na pista e foram parar no acostamento. Na terça, 10, dois veículos capotaram, deixando cinco pessoas feridas.
Nenhuma em estado grave, ainda bem. Os fatores que podem gerar acidentes na Rodovia do Contorno, projetada há mais de 30 anos e somente concluída em 2017, são muitos.
Um deles, segundo o estudo da Dynatest, pode ser a insuficiência de sinalização na via. “Sinalização precária próximo ao trecho urbano”, diz a consultoria, que observou durante a visita ao local que os veículos de carga (os caminhões), por estarem carregados de mercadoria, alcançam altas velocidades nos
trechos em declive (descidas). “Além disso, a sinalização da rodovia de velocidade permitida é de 80 km/h (há ausência de placas de sinalização) e ao entrar no perímetro urbano é de 30 km/h. Porém, conforme observado, o desenvolvimento de velocidades ultrapassando os limites estabelecidos por lei é comum por parte dos motoristas”, destaca o estudo.
Ainda de acordo com o levantamento, defeitos no pavimento, como ondulações, afundamento ou desagregações, também foram encontrados. “Através da inspeção ao local, foi possível identificar que o pavimento no trecho estudado está com defeitos como trincas de couro de jacaré e bombeamento de finos, indicando que há problemas estruturais na via. Além disso, também foi possível verificar problemas no escoamento de água da rodovia e terraplenos ao redor que ocorrem pela péssima condições e falta de dispositivos de drenagem no local, como demonstrado no relatório de maneira preliminar”, detalha o estudo.
Portanto, um dos problemas da pista seria o acúmulo de água no asfalto, em dias de chuva. E através do levantamento se observou que todas as drenagens da via estão precárias, sejam elas superficiais, subsuperficiais ou profundas. “A drenagem superficial é aquela na qual dispositivos são instalados em partes da pista com a finalidade de captar a água de áreas adjacentes e a água da chuva que se precipita pela estrada, conduzindo-a de forma segura para o deságue, garantindo a estabilidade do pavimento”, aponta.
“É possível concluir, portanto, que os defeitos do trecho ocorrem pela presença de água que penetra pelas trincas do revestimento asfáltico e retira os finos presentes no concreto asfáltico já deteriorado, causando o bombeamento de finos”, completa o estudo, sublinhando que não há – em 1,5 metro de profundidade – nível de água. Ou seja, a presença da água no pavimento e nas frestas do asfalto são por conta de problemas que fazem a água de chuva não escoar. Tem mais. Muitos dos acidentes podem estar ocorrendo por um problema no atrito entre os pneus dos veículos e o asfalto da pista. “Os ensaios de aderência de microtextura e macrotextura apresentaram resultados que indicam que o atrito pneu-pavimento não é o suficiente para garantir a segurança dos usuários da rodovia, justificando os acidentes que estão ocorrendo no local”, sentenciou.
O estudo, que foi feito de forma preliminar, aponta algumas recomendações a serem feitas pelos órgãos competentes para que o número de acidentes diminua na Contorno. Entre eles, a diminuição em 30 km/h da velocidade máxima da via (que ficaria em 50 km/h), a inspeção detalhada da drenagem da pista, análise geométrica e de segurança para verificação da necessidade de inclusão de dispositivos de segurança e de sinalização e a inspeção da condição da terraplanagem.
O estudo foi encaminhado ao DER, que deverá tomar medidas necessárias. E que isso seja feito rapidamente. Amém!

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