Versões diferentes

O vereador Buchecha, muito solícito, disse com veemência que não fez campanha para Bruninho Nicolau, mas admitiu que (ao ser perguntado) teria indicado o rapaz para eleitores próximos. “Muitos vinham me perguntar (em quem votar) por que já fui conselheiro tutelar e como conheço a história de vida de Bruninho, sei do seu caráter, acabava indicando o nome dele. O que é natural”, crê Buchecha. Com relação à participação de Tutuca na campanha de Bruninho, fato denunciado pela fonte, a assessoria de imprensa do deputado disse que “a informação não bate”. “Ele [Tutuca] não ajudou”, resumiu.
Já sobre a suposta declaração polêmica do pastor Washington, de que os fiéis que não votassem na sua candidata estariam com parte com o diabo, o vereador foi taxativo. Via assessoria de imprensa, esclareceu que “desconhece o teor das falas, nega autoria das mesmas, bem como repudia veemente qualquer declaração de caráter pejorativo de cunho religioso. No que tange às eleições, reforçamos os nossos compromissos com as instituições democráticas, sendo o processo pautado na legalidade e participação dos diversos setores, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente”, frisou a assessoria do pastor evangélico.
Em nota, a vereadora Rosana Bergone não disse nem que apoiou nem que não apoiou Alessandra Oliveira, mas afirmou que deixou os funcionários de seu gabinete livres para votar. “Minha equipe e grupo político estiveram à vontade para votar na eleição do Conselho Tutelar. Muitos, dentro do nosso grupo, tinham candidatos diferentes. Embora, eu acredite que seja importante que a minha região esteja representada no Conselho Tutelar, pois somos cobradas em muitas situações e é importante ter alguém que possa nos ajudar nestas questões dos direitos de crianças e adolescentes. Considero o Conselho Tutelar um órgão imprescindível na cidade e precisa de pessoas competentes e compromissadas na defesa do ECA”, avaliou.
O Psol limitou-se a encaminhar uma Nota, que é a seguinte: “O conselho tutelar é composto por membros eleitos, logo sua estrutura é política. Isso não quer dizer que os membros eleitos possam tomar atitudes baseadas em suas opiniões pessoais, eles precisam defender os direitos já conquistados para nossas crianças e adolescentes, como no ECA. O Psol acredita na luta da defesa desses direitos, e por isso, nossos militantes tem a liberdade de votar e fazer campanha para aqueles que com sua trajetória de vida e propostas, se mostram melhores para assumir essa luta. Estaremos sempre à frente de movimentos que defendam a vida e a melhor qualidade para aqueles que mais precisam”, escreveu.

O que diz O CMDCA
Provocado pelo aQui a comentar o assunto, o presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Barra Mansa (CMDCA-BM), Ivan Alves da Cunha, preferiu se abster por achar o tema “complexo” demais. “Não tenho condições no momento de responder a essas perguntas. Muito complexas e de cunho pessoal”, pontuou o conselheiro, dizendo apenas que seu desejo é de que os eleitos usem o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) como norte. “Que os novos conselheiros deixem de lado suas crenças, seus pensamentos pessoais, suas opiniões. E que usem somente o ECA na defesa e na proteção dos direitos da criança e do adolescente do município de Barra Mansa”, pediu.
O presidente do CMDCA de Volta Redonda, Guilherme da Silva Benedito, por sua vez, entende que não houve um movimento intencional de igrejas para sitiar o Conselho Tutelar local. “Acredito que, no município de Volta Redonda/RJ, essa questão não ocorreu de forma tão exacerbada quanto foi no município do Rio de Janeiro/RJ e em outros. Tivemos candidatos de movimentos religiosos, assim como de outros setores da sociedade. Não constatei uma disputa entre grupos religiosos como relatado em outros locais. Todos temos a liberdade de credo, porém, para o exercício da função de Conselheiro Tutelar, o fundamental é conhecer a legislação aplicável, compreender o que é ser um conselheiro tutelar, o que a ele compete, ter uma atuação proativa e mediadora”, disse.
Com relação à participação maciça de parlamentares que poderiam ter desequilibrado a corrida em favor de seus afilhados, Guilherme disse que este é um fato “indesejado” e prejudica o processo. “O apadrinhamento de candidatos ao Conselho Tutelar por políticos é um indesejado processo histórico. É um cenário que precisa ser modificado, notadamente pela conscientização dos envolvidos. A manifestação de apoio a este ou aquele candidato é livre para qualquer pessoa física. Porém, não pode extrapolar os limites, se tornando um apoio institucional ou um aparelhamento político. Os candidatos devem se valer de seus aspectos pessoais (histórico pessoal e profissional) para convencer os eleitores e estes, por sua vez, devem observar aquilo para escolher o seu candidato. A quebra dessa lógica implica na composição distorcida do quadro de Conselheiros Tutelares, prejudicando o trabalho do órgão e afetando toda a população. Portanto, é um círculo vicioso”, reclamou.
“Aos novos Conselheiros Tutelares, (peço que) não permitam isso. Ajam com a independência e autonomia preconizada ao Conselho Tutelar na legislação, lembrando que o exercício da função de Conselheiro Tutelar exige dedicação exclusiva. A Comissão Eleitoral Especial e demais órgãos de fiscalização da Eleição estão disponíveis para receber denúncias dessas práticas”, completou Guilherme, preocupado com os rumos do CT na região.
Ao ser perguntado sobre o número alto de abstenções, Guilherme tem algumas teorias para explicar o desinteresse da população. “Tivemos na eleição para os Conselhos Tutelares de Volta Redonda deste ano um total de 6.075 votos, dos quais 6.012 foram votos válidos, 57 nulos e 6 em branco. De fato, trata-se de uma grande abstenção. Todavia, esse fenômeno é historicamente observado em todas as eleições para os Conselhos Tutelares. São inúmeros os fatores que contribuem para essa grande abstenção. Como principais, arrolo os seguintes: o fato de o voto ser facultativo; de haver menos locais de votação do que na eleição tradicional; menos divulgação do que nas eleições tradicionais, devido às peculiaridades da divulgação das candidaturas (regras mais restritivas, não disponibilização de recurso público para esse fim etc.); baixo número de candidatos”, pontuou.
Para o presidente do CMDCA – VR, só existe uma solução. “Ampliar a divulgação da inscrição e da eleição, bem como repensar a forma pela qual se dá o processo de escolha dos Conselheiros Tutelares. Este mais em nível nacional. Por exemplo, em Volta Redonda nos preparamos com o apoio da Prefeitura e de diversos órgãos municipais para uma eleição para mais de 200.000 pessoas, sabendo que votariam até 10.000 pessoas. E não podemos fazer diferente, pois não sabemos, previamente, quem votará ou não. Então, entendo que seria importante repensar a sistemática dessa eleição, pois ela é essencialmente distinta da eleição tradicional, se mostrando ineficiente a replicação do formato desta para aquela”, finalizou o conselheiro.
O que poucos sabem é que não está descartada a convocação de novas eleições. Isso porque candidatos que não se elegeram para o Conselho Tutelar ou que não passaram na prova que aferiu a competência de cada um, estariam reclamando na Justiça da lisura da avaliação. “Os que não passaram na prova reclamam de mudanças pontuais no processo que não foram apontados em Diário Oficial. Dizem também que não sabiam quais questões da redação foram avaliadas nem quanto valia cada quesito. Tiveram acesso à cópia da prova corrigida, mas não sabem onde perderam pontos nem quantos”, lembra a fonte de Volta Redonda. O processo em questão está sob segredo de Justiça registrado pelo número 0062098-55.2019.8.19.0000.
Nota da redação
Durante a elaboração desta reportagem, o aQui tentou ouvir todos os citados, mas não conseguiu o contato de cada um em tempo hábil. Paolla Sapede foi procurada para falar da influência do seu marido no processo eleitoral e para comentar a denúncia de compra de votos, mas até o fechamento dessa edição não havia respondido.
A prefeitura de Volta Redonda também foi procurada para comentar a suposta participação de três secretários municipais na campanha de Márcia Assistente Social, assim como a equipe de reportagem também não conseguiu falar com o vereador Jari.

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