“Vai dar certo”

Os motoristas que passam atualmente pelo Aterrado nos horários de pico, principalmente por volta das 18 horas, sabem que terão que ter paciência, muita paciência, com o engarrafamento (que não existia até bem pouco tempo) em várias ruas e avenidas do bairro, em direção ao Retiro e bairros próximos. Dependendo do dia e do clima, o caos dura mais de 60 minutos. Motivo: excesso de carros, ônibus, motos e caminhões. Não é para menos. A cidade do aço tem hoje uma das maiores taxas de motorização no Brasil. São 1,8 habitantes por veículo, ou seja, um carro para cada dois habitantes, número muito maior que a média nacional, que é de 29,7 pessoas/carro.
Além dos engarrafamentos e do aumento no consumo de combustível, deve-se levar em conta a perda de tempo – o estresse de ficar ao volante buscando (ou brigando por) espaço para sair da balbúrdia. Para piorar, no caso do Aterrado, cabe ao bairro ser o elo de ligação das partes “nova” e “antiga” de Volta Redonda. Ou seja, os motoristas que estão na Vila Santa Cecília, por exemplo, e querem chegar ao Retiro ou Vila Mury, são praticamente obrigados a enfrentar o engarrafamento do Aterrado. E vice-versa.
“Vamos iniciar o teste prático ainda em outubro. Nossa ideia é melhorar o trânsito de quem sai da Vila para o Retiro e vice-versa. Vai dar certo. Mas, caso surjam imprevistos, faremos as modificações necessárias”, garante Maurício Batista, secretário de Transporte e Mobilidade Urbana, que vem se destacando à frente da pasta, já tendo feito várias intervenções no trânsito de Volta Redonda, como na Vila, Jardim Amália, etc.
Para resolver outro caso crítico – o da ligação entre Aterrado e Beira-Rio, a secretaria de Trânsito e Mobilidade Urbana vai pôr em prática um ousado plano de mudanças no trânsito do bairro, que o aQui detalha nesta edição, com exclusividade. O gerente de projetos da SMTMU, Renato de Almeida, garante que o principal objetivo das mudanças no bairro será o de criar uma espécie de “via expressa” na Avenida Sete de Setembro, que passará a ter mão dupla, fazendo a ligação entre os setores “novo” e “velho” da cidade do aço. Há que se ressaltar que a avenida – que interliga os viadutos Heitor Leite Franco e D. Waldyr Calheiros – já funcionou com mão dupla. “Foi bem lá atrás”, lembra um dos leitores do aQui.
Para que a 7 de Setembro volte a ter mão dupla, a prefeitura de Volta Redonda vai criar duas “rotatórias”: uma na subida do Viaduto Heitor Leite Franco (que vem da Colina e segue para o Aterrado) e outra na ponte D. Waldyr Calheiros (que liga o Aterrado a Niterói e ainda à Avenida Almirante Adalberto de Barros Nunes, a Beira-Rio), com a alteração dos canteiros existentes. “O plano é ligar o Aero, Voldac, Santo Agostinho e Retiro – a parte antiga da cidade – com a parte nova, onde ficam o Shopping Park Sul, os hipermercados, e o Hospital da Unimed, grandes polos geradores de tráfego. Para isso, a Avenida Sete de Setembro passará a ter mão dupla. No sentido atual, a faixa da esquerda será invertida. Na atual faixa da direita, existem cerca de 30 ou 35 vagas, que serão realocadas para as ruas transversais, para criar mais uma faixa de rolamento”, explicou Almeida, detalhando que as vagas que ficarão do lado esquerdo da via terão o sentido invertido. Tem mais. Não será permitida a conversão à esquerda para quem estiver na nova pista da Sete de Setembro.
Duas fases
Renato de Almeida revela que as mudanças serão feitas em duas fases: na primeira, algumas ruas do “miolo” do Aterrado, nas proximidades do ‘Cais Aterrado’, terão o sentido invertido. “As mudanças da primeira fase são a inversão de sentido das ruas Geraldo Di Biase (rua da UGB), Juiz Amir Garcia (rua lateral da UGB, onde atualmente ficam trailers de comida), Rua A (lateral do quartel do Corpo de Bombeiros), e um trecho da Rua Simão da Cunha Gago – o do quarteirão da sede da CDL-VR. Existe ainda a possibilidade de a Rua Coroados mudar de sentido, o que será definido em breve”, afirmou Almeida, explicando que esta fase deverá começar a ser implantada ainda em outubro, devendo estar finalizada até o final do mês. “Esta fase é mais rápida e mais simples, porque as mudanças serão só na pintura e na sinalização vertical das ruas”, justificou.
A segunda fase, com a mão dupla da Avenida Sete de Setembro, será mais complexa, e deverá ser feita, segundo o especialista da SMTU, a partir de novembro (feriado de finados, grifo nosso). “Esta fase envolve algumas obras, por isso é mais demorada. Será instalado um semáforo no cruzamento da Sete de Setembro com a Rua Desembargador César Salamonde. Também será retirada parte do canteiro no acesso ao Aero Clube – logo após o Viaduto D. Waldyr Calheiros – para melhorar o raio de giro e aumentar a largura da pista, e na saída do Viaduto Heitor Leite Franco também haverá uma alteração no canteiro central, que será parcialmente retirado”, disse Almeida.
Nesta fase, como explica Almeida, haverá a inversão de sentido em um trecho da Rua São João Batista (Rua do Hospital Santa Margarida) e o Viaduto D. Waldyr Calheiros passará a funcionar nos dois sentidos, com duas faixas para cada direção.
‘Senhor gargalo’
Além de criar uma ligação expressa entre os dois setores da cidade, as mudanças no Aterrado têm como objetivo resolver o maior gargalo no trânsito do bairro, da Ponte Pequetito Amorim, que faz a ligação direta entre o Aterrado e a Avenida-Beira Rio, destino de quem vai para o Retiro e Vila Mury, entre outros bairros. “A ponte é subdimensionada, tem só duas pistas. Todo o trânsito do Aterrado em direção ao Retiro, Voldac e Santo Agostinho passando pela Beira-Rio converge para este ponto. O tráfego afeta também a Avenida Paulo de Frontin. Com o engarrafamento da Peque-tito Amorim, o trânsito (caos, grifo nosso) se espalha por todo o Aterrado”, explica Almeida.
Ele vai além. Diz que, abrindo a nova ligação pela Sete de Setembro, o fluxo de veículos será dividido. “Outro ponto importante que se observa hoje é que tanto a Ponte D. Waldyr quanto o Viaduto Heitor Leite Franco são superdimensionados. Isto é, eles têm capacidade de receber mais tráfego do que recebem atualmente. Cada um deles conta com quatro vias. Outro aspecto é que com as mudanças e a nova ligação, não haverá a “figura” da rotatória. Os finais da ponte e do viaduto funcionarão como rotatórias para quem quer fazer um retorno, por exemplo”, acredita o gerente, que completou: “Isso vai equilibrar o tráfego no acesso a todos os bairros dessa região e vai criar várias alternativas de trânsito”.
Almeida diz que, com as mudanças, ruas e rotas de tráfego nas imediações que hoje são pouco utilizadas ficarão mais explícitas para os motoristas, ajudando a desafogar as ruas principais do Aterrado, criando outras alternativas para sair do bairro.
Críticas ao projeto
Mas nem todos estão otimistas com as mudanças, entre eles, alguns integrantes do Comutran (Conselho Municipal de Trânsito), que colocaram em dúvida pontos do projeto. Uma delas é que a secretaria de Transportes não teria feito os levantamentos necessários, como a medição do fluxo de carros nos locais onde serão feitas as mudanças, o que colocaria em xeque a eficiência do projeto. Outro ponto levantado pelos integrantes do Comutran seria que a Avenida Sete de Setembro, principal peça da remodelação do trânsito, seria muito curta – a via tem cerca de 700 metros de extensão – para receber uma modificação tão radical, com muitos pontos de comércio. As mudanças, segundo João Alves, um dos conselheiros, poderiam prejudicar o movimento das lojas, inclusive para operações de carga e descarga.
Almeida discorda. Segundo ele, as ruas laterais da 7 de Setembro terão vagas para carga e descarga. Tem mais. A maioria das lojas ao longo da avenida é de revenda de automóveis. “O que acontece é que as agências de automóveis deixam os carros na rua, ocupando as vagas de estacionamento e, aí sim, prejudicando o comércio. Agora eles terão que deixar o carro na loja, como vitrine, o que é o correto a ser feito”, afirmou.
Em relação aos estudos técnicos, o gerente de projetos da SMMTU afirmou que eles serão feitos. “O que nós apresentamos (na reunião do Comu-tran, grifo nosso) foi uma ideia inicial. A partir daí, os estudos começarão a ser feitos. Já estamos começando a levantar estes dados. O problema nós já enxergamos, precisamos agora quantificar”, disse Almeida, acrescentando que, em relação à extensão da via, a Sete de Setembro é a alternativa mais viável para as mudanças.
“As outras alternativas seriam muito mais drásticas. Uma delas seria a inversão da Avenida Lucas Evangelista – o que já se discutiu. Teríamos que inverter a mão em toda a extensão dela, remodelar todos os acessos ao bairro Nossa Senhora das Graças, todos os acessos à Amaral Peixoto. Influenciaria todas as conexões dela, que são preparadas para o trânsito de hoje. Na Sete de Setembro não, porque a conexão que sai dela – do Viaduto Heitor Leite Franco – já é em mão dupla. A Ponte D. Waldyr tem mão única, mas conta com quatro vias, possibilitando a divisão da pista”, argumentou.
Almeida lembra ainda que as mudanças serão bastante divulgadas pela prefeitura de Volta Redonda, e a presença da Guarda Municipal nos locais de mudança será imprescindível. Que os GMs façam direito o dever de casa. Aí dará certo.

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