segunda-feira, junho 27, 2022
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Uns com tanto…

Com inflação em alta, acordos salariais trazem pouco alento para trabalhadores

Roberto Marinho

Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada foi de 12,13%, segundo os dados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Só em abril, o aumento médio dos preços – calculado de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – foi de 1,06%. Mas a reposição salarial dos trabalhadores não está acompanhando a disparada nos preços, e o resultado é a perda do poder de compra da população.
O salário mínimo nacional, por exemplo, em 2022 passou para R$ 1.212. A diferença em relação ao salário mínimo de 2021 foi de 10,18%. Mas como o INPC acumulado foi de 10,16%, o aumento real foi de insignificantes 0,02%. Tem mais. Para 2023, o governo prevê que o salário mínimo chegue a R$ 1.294, sem aumento real, levando em conta uma projeção de 6,7% para o INPC deste ano.
Algumas categorias conseguiram acordos melhores e as perdas com a inflação não foram tão grandes, como é o caso da enfermagem, que ganhou um piso nacional. Outros ainda estão torcendo para que as negociações avancem, em uma queda de braço com os patrões, como, por exemplo, os trabalhadores da CSN. Outros praticamente não terão nenhuma reposição, mesmo com aumento nominal do salário, por causa da inflação. Ficarão no zero a zero.
Veja abaixo alguns dos acordos já fechados envolvendo algumas das categorias de trabalhadores e trabalhadoras de Volta Redonda e Barra Mansa:
Servidores municipais de Volta Redonda
Depois de 14 dias de greve – entre 21 de fevereiro e 7 de março –, os servidores da prefeitura de Volta Redonda terão um reajuste de 10,18%, mas que só começará a ser pago a partir de julho. O aumento foi possível depois de um acordo entre o prefeito Neto e a Câmara de Volta Redonda envolvendo a redução do repasse do duodécimo – verba da prefeitura destinada a manter a Câmara – e o perdão de uma dívida deixada pelo ex-prefeito Samuca Silva, que deixou de pagar o duodécimo em 2020, em um total de R$ 750 mil. Só o reajuste do repasse para o Legislativo – já que houve aumento na arrecadação do município, que deve ser transferido para a Câmara – representaria cerca de R$ 6 milhões.
Mas talvez nada disso adiante muito: professores e auxiliares da rede municipal fizeram uma meia paralisação na semana passada – na quinta, 19 – reivindicando o pagamento mensal de 25% do repasse do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) para o município. Neto já disse que vai cortar o ponto dos grevistas, e a categoria decidiu, em assembleia, fazer meia paralisação três vezes por semana, até que a lei que concede o repasse do Fundeb para os profissionais da educação seja aprovada.
Servidores municipais de Barra Mansa
Em Barra Mansa, os servidores públicos municipais não receberão reajuste salarial – que seria de 2% do salário-base, de acordo com o prefeito Rodrigo Drable –, mas terão um abono que nivelará os ganhos de todos os funcionários concursados para no mínimo R$ 1.800. Em alguns casos, o aumento chegará a 60%. Drable frisou ainda que não há descontos sobre o abono. “Se eu fizer a revisão de 2% do salário-base não muda a vida de ninguém, principalmente dos que recebem menos, pois reajuste tem que ser para todos. Só que isso custa R$5 milhões ao ano para a prefeitura. Com todo respeito aos que ganham mais, eu vou olhar neste momento para os que ganham menos, pois podemos fazer a diferença na vida deles”, justificou o prefeito, que defende ainda uma reforma na previdência dos servidores municipais. Para alívio geral, a Lei Municipal 4.990, que autoriza a concessão do abono, já foi aprovada pelo legislativo e publicada. Ou seja, está valendo.
Construção civil
Os trabalhadores da construção civil em Volta Redonda tiveram um reajuste de 10,6% conforme convenção coletiva assinada este ano. Eles ganharam ainda uma cesta básica mensal de R$ 389; PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de até R$ 5 mil e R$ 31 no vale-refeição.
Apesar do aumento não repor as perdas com a inflação – que foi de 12,13% nos últimos 12 meses –, o sindicato da categoria comemorou o resultado das negociações e afirmou que vai continuar mobilizado, visitando obras em toda a região – para manter sua base. O setor envolve, entre outros profissionais, soldadores, operadores de máquinas pesadas (retroescavadeiras, guindastes), mecânicos, armadores, etc.
Comerciários
A data-base para o acordo coletivo dos comerciários em Volta Redonda é julho, por isso ainda está vigente o acordo fechado no ano passado, quando os trabalhadores do comércio passaram a ter um piso salarial de R$ 1.417,75.
Trabalhadores de estacionamentos rotativos
O Sindicato dos Empregados em Estacionamentos e Garagens do Estado do Rio anunciou um reajuste de 5,5% para a categoria. O percentual é menos da metade do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação dos alimentos e produtos em geral. Em Volta Redonda, o reajuste será destinado, dentre outros, aos funcionários do estacionamento rotativo da Cúria Diocesana, na Vila, que ganham pouco mais que o salário mínimo. Com o aumento de 5,5%, o piso da categoria passará a ser de R$ 1.347 para uma jornada de 44 horas semanais e R$ 1.099 para jornadas de 30 horas semanais. O percentual de reajuste é o menor já concedido pelas empresas, incluindo a Cúria Diocesana, até o momento.
Trabalhadores da Stellantis
Na Stellantis – antiga Peugeot Citroen -, os trabalhadores aprovaram a proposta da empresa, que ofereceu um reajuste de 12,47%, retroativo a 1° de maio, basicamente repondo a inflação. O aumento salarial real será de míseros 0,34%. Mas os funcionários da Stellantis receberão ainda um PPR (Programa de Participação nos Resultados) de R$ 9 mil, com uma antecipação de R$ 6,5 mil, que deve ter sido paga ontem, sexta, 27.
Os funcionários da empresa terão ainda um reajuste de 70% no cartão-alimentação – passando para R$ 300; reembolso de farmácia de 50%, sem limite de valor; e antecipação da primeira parcela do 13o para junho, para os que quiserem. Também foi aprovada a proposta de estabilidade a partir de 4 meses e jornada de trabalho de 44 horas semanais.
Servidores federais
Os servidores federais devem amargar um aumento salarial de míseros 5%. Pelo menos isso é o que vem anunciando o ministro da Economia, Paulo Guedes, em diversas entrevistas. Guedes afirma que esse é “o único possível” dentro do atual orçamento. Mas não é só isso: o presidente Jair Bolsonaro vem prometendo há meses um reajuste diferenciado para as categorias policiais – policiais federais e rodoviários federais, além dos agentes penitenciários, o que vem causando desgaste do governo com as outras categorias, que não seriam contempladas com o mimo.
A queda de braço ainda não acabou – com Bolsonaro afirmando e recuando da proposta, seguidamente – e, diante do impasse, o governo Federal parcelou os cortes no orçamento, para ter dinheiro em caixa e fazer um reajuste de 5% para todas as categorias em julho.

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