Unanimidade

19554004_733980703473935_6511148697024052657_nA vida do ex-prefeito Jonas Marins (PCdoB), que já estava difícil desde que ele deixou a prefeitura, vai ficar ainda mais difícil com a rejeição das contas do seu governo referentes ao ano de 2015. Com a decisão, unânime, o comunista ficará inelegível pelos próximos oito anos e não poderá tentar se eleger deputado federal nas eleições de 2018, o que lhe daria foro privilegiado. É, desde já, carta fora do baralho.

E ele contribuiu para isso. É que, ao contrário do que afirmou ao aQui, que iria se defender, apresentando várias testemunhas de defesa na sessão de quinta, 28, a única testemunha presente foi o ex-controlador e atual secretário de Educação Vantoil de Souza Junior, que pouco acrescentou, pois em 2015 não fazia parte do governo Jonas.

A sessão, que durou quase três horas, foi iniciada pela leitura na íntegra do parecer do TCE, que opinava pela aprovação das contas do ex-prefeito, mas enumerava 23 ressalvas quanto aos números apresentados por Jonas. Em especial o déficit orçamentário da ordem de R$ 82 milhões. Em um segundo momento foi lido o parecer da Comissão de Finanças da Câmara formada pelos vereadores Vicente Carneiro Leão, o Vicentinho (PSB), Marquinhos Pitombeira (PSDB) e Gilmar Lelis (PRTB), que aconselhava a rejeição das contas do ex-prefeito.

O ponto alto da votação ficou por conta dos discursos acalorados dos novatos Wellington Pires (PP), Marcel Castro (PTB), Gustavo Gomes (PTB), Renatinho (PP) Daniel Maciel (PPS) e Thiago Valério (PPS). Wellington, o primeiro a falar, resolveu pontuar todas as ressalvas destacadas pelo TCE e atacar a postura do ex-prefeito. “Desde abril tentamos notificar o ex-prefeito Jonas Marins, que se evadiu pelo tempo que lhe cabia e obrigou essa casa a gastar dinheiro para publicar o edital no Diário Oficial do Estado e em um jornal da cidade”, bradou. “Depois que os prazos se esgotaram a defesa apresenta requerimentos, zombando da população de Barra Mansa”, acrescentou, referindo-se aos pedidos extras apresentados pelos advogados do ex-prefeito, como que querendo ganhar tempo.

Também de forma entusiasmada, o vereador Marcell Castro destacou que nunca confiou em Jonas Marins e ainda parafraseou Brizola, chamando o comunista de sapo barbado. “Eu venho a essa tribuna dizer que Jonas Marins, nascido em Ponta Grossa, foi o pior gestor da história de Barra Mansa. Eu assisti atônito nas eleições de 2012 pessoas falando que iam votar nesse sapo barbudo, se bem que sapo não destrói uma cidade”, ironizou. “Ele mentiu do começo ao fim; quero que ele vá para a cadeia. Jonas mentiu na campanha quando falava mal de José Renato Bruno de Carvalho, um dos melhores prefeitos da história de Barra Mansa”, atacou Marcell.

Quem aproveitou a palavra foi o vereador Thiago Valério, que disparou contra os conselheiros do TCE, que foram presos no início do ano, durante a operação ‘Quinto do Ouro’. “O ex-prefeito pediu que os vereadores fossem solidários, mas não tem como, pois são muitos erros. Cinco dos sete conselheiros do Tribunal que deram parecer favorável às contas foram presos em uma ação da Polícia Federal”, pontuou, usando a vistoria veicular obrigatória para explicar a situação. “É a mesma coisa de um fiscal do Detran deixar um carro sem farol, seta e pisca alerta passar na vistoria obrigatória, dizendo que passou, mas com ressalvas”, comparou.

Daniel Volpe Maciel também abriu o verbo contra os conselheiros do TCE e aproveitou para alfinetar Jonas. “Os conselheiros são corruptos, tanto que foram presos e afastados. Não tem lógica aceitar um parecer assim, um órgão que era para auxiliar aprovou um parecer de um déficit de mais de R$ 82 milhões” clamou. “Mais uma vez digo que o prefeito Jonas se escondeu dentro de casa e já deixei claro que quero mesmo é que ele se esconda em Bangu. Toda a gestão dele foi afastada e a defesa apresentada não apresenta nada para se defender, pois só tentou procrastinar”, bradou.

Gilmar Lelis foi o único que usou o espaço para efusivamente atacar a gestão Jonas. “Foi dada toda oportunidade ao ex-prefeito para vir aqui se defender e ele não o fez. Se uma criança de cinco anos pegar essas contas, ela vai reprovar, não dá mais para aceitar gestores que não têm compromisso com a cidade. Não é por que o ex-prefeito teve uma péssima gestão que iríamos reprovar, mas ele nem observou o que dizia a lei de responsabilidade fiscal. Não dá para aceitar mediante tantos desvios de conduta praticados pela gestão anterior”, finalizou.

Renatinho destacou que o governo Jonas teria enviado documentos maquiados para o TCE. “Analisando o processo minuciosamente, é possível verificar um erro gritante no processo. Ou o Tribunal de Contas foi induzido ao erro, ou errou de má fé. Fui até o Conselho Municipal de Saúde e me foi passado que o Jonas mandou para o TCE o relatório de gestão, não o relatório financeiro, então o TCE foi induzido ao erro”, comentou.

O resultado da votação será encaminhado ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Contas do Estado para as devidas providências.

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