ESPECIAL: Benjamin Steinbruch não pretende vender o controle da CSN
Luiz Alfredo Vieira e Pollyanna Xavier
No CSN Day 2026, o empresário Benjamin Steinbruch e o diretor de Relações Institucionais da siderúrgica, Marco Rabello, divulgaram as estratégias a curto e médio prazo para o conglomerado da CSN – o que inclui um programa agressivo de venda de ativos. Em quase 70 minutos de fala, o presidente da CSN não disse que o controle total da empresa seria negociado. Quem saiu divulgando o contrário está simplesmente ‘viajando’, como se diz popularmente.
A informação de que Steinbruch poderia vender todo o controle da CSN até foi divulgada pelo Valor Econômico, especializado em economia, o que levou os crédulos a temerem o pior. Direita e esquerda em Volta Redonda logo foram às redes sociais – que aceitam qualquer boato como fato – pregar um movimento pró-cidade do aço, ‘contra a venda da Usina Presidente Vargas’. Tudo lorota.
A verdade verdadeira é que Steinbruch está em busca de um sócio asiático – que o aQui apurou, com exclusividade, ser a Nippon Steel – para dividir a gestão da UPV. Não passa pela cabeça do megaempresário vender a usina de Volta Redonda. Aliás, este nunca foi o perfil do presidente da CSN. O que ele quer, e deixou claro para quem soube ouvir a gravação do CSN Day, é encontrar um sócio com tecnologia de ponta para modernizar a usina e, de quebra, ajudar a reduzir o endividamento do grupo.
O aQui mostrou isso em sua última edição, ao publicar detalhes do CSN Day, realizado em São Paulo, no dia 15 de janeiro. Ao falar acerca do ativo siderurgia (a empresa ainda possui outros quatro ativos: cimentos, transporte, energia e mineração), Benjamin Steinbruch foi claro. “A siderúrgica do Sudeste (leia-se CSN Volta Redonda) precisa de investimentos em tecnologia, porque foi construída no século passado, então precisa ser modernizada. Vamos buscar uma forma de fazer isso fora do Brasil, com os asiáticos e os europeus. Vamos trazer modernização de uma maneira compatível com a sobrevivência do negócio”, pontuou.
Minutos antes, Benjamin chegou a falar, em alto e bom tom, que esperava “vender participações na holding do Sudeste”. De uma maneira bem clara, ele disse que quer se desfazer de uma parte do controle da CSN (e não da UPV). “Estamos no momento mais importante da CSN, porque nos é prioritário resolver essa questão de alavancagem e estrutura de capital (….) A ideia é que a gente implemente rapidamente, ainda em 2026, tudo o que foi planejado”, pontuou o executivo.
A verdade é que a fala oficial de Benjamin tem grande peso no mercado, simplesmente pelo fato de a CSN ser uma empresa de capital aberto e suas declarações impactarem diretamente no desempenho das suas ações na bolsa. Ele disse que pretende vender parte do controle da CSN, mas alguns jornais publicaram que seria o controle total do ativo. E muita gente acreditou. Uma pena.
Segundo uma fonte da própria CSN, essa assimetria de informações cria um risco estrutural e pode colocar em xeque a própria estratégia do grupo. Sem contar que, quando há duplo discurso, os investidores passam a desconfiar da própria projeção da empresa, gerando volatilidade e insegurança, expondo a CSN a sofrer questionamentos de órgãos reguladores, como por exemplo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Vale ressaltar ainda que, no CSN Day, Benjamin Steinbruch falou, sim, da possibilidade de vender o controle total do ativo de cimentos, não da siderurgia. Espera captar algo em torno de, como o aQui descobriu e divulgou, R$ 20 milhões com a venda da cimenteira. E não R$ 15 milhões, como os ‘especialistas’ divulgaram. Se conseguir, a CSN vai reduzir a alavancagem financeira, atualmente em torno de 3,5 vezes o Ebitda, para um patamar próximo de uma vez. Na prática, significa dizer que a CSN deve o equivalente a três anos e meio de sua geração anual de caixa operacional (Ebitda), e, com a desalavancagem, a dívida passa a equivaler apenas a um ano de geração de caixa. (Nem tão) Simples assim.

