‘Tô no sufoco’

Um novo golpe através do WhatsApp está fazendo vítimas por todo o Brasil. Os criminosos usam os dados presentes em anúncios online para clonar o WhatsApp de usuários e com isso tentar pedir dinheiro para familiares e amigos da vítima, se fazendo passar pela pessoa.
A agência especializada em mídias sociais MF Press Global foi uma das primeiras a notificar sobre o golpe quando um de seus clientes foi vítima do golpe e teve seu Whats-App clonado. Com isso, Fabiano de Abreu, CEO da MF Press Global, recebeu uma mensagem do criminoso se fazendo passar pelo seu cliente, pedindo a transferência de R$ 1790,00: “O golpe, ao meu ver, é muito similar aos sistemas tipo Ardamax. O hacker chama as pessoas que parecem ser amigos, conhecidos ou familiares mais próximos e se passa pela pessoa para pedir dinheiro, usando uma escrita correta e poucas palavras, que sejam neutras o suficiente para não levantar suspeitas”.
Como funciona o golpe
Os criminosos usam informações encontradas em plataformas como o OLX e o Mercado Livre, podendo ser outro, que em geral pedem um número de telefone para cadastro dos interessados nos produtos anunciados, e assim os criminosos pegam o número de telefone e mandam mensagens à vítima, dizendo que é preciso enviar um código de confirmação que chegará via SMS para terminar o cadastro.
Contudo, esse código é, na verdade, o auten-ticador de duas etapas do WhatsApp da vítima, que é a última peça necessária para o golpista clonar a conta. Assim que a clonagem acontece, a vítima perde acesso ao aplicativo, que passa a ser controlado pelo criminoso, que entra em contato com amigos e familiares da vítima para pedir dinheiro. Como o processo acontece de forma muito rápida, antes mesmo que usuários desatentos desconfiem da história.
Como evitar cair neste novo golpe
Fabiano de Abreu diz que é importante perceber que algo não condiz com o discurso regular daquela pessoa e avisar ao real dono da conta: “Eu sugiro que a pessoa ligue para o remetente da mensagem confirmando se é ele mesmo ou até mesmo para alertá-lo ou envie mensagens nas outras redes sociais para confirmar que é ele mesmo”.
Além disso, o especialista também revela que todos os dias chegam relatos de pessoas que já sofreram com esse tipo de tentativa de invasão. Para se proteger do golpe é necessário ter a verificação em duas etapas do WhatsApp ativada e ficar atento ao receber e-mails de serviços que deixam dados de contato expostos publicamente.

Romance Scam – outro golpe nas redes sociais

As redes sociais são imensamente importantes, porém, alguns cuidados são recomendados para utilizá-las, principalmente nos dias de hoje, pois novos golpes surgem e se proliferam. Uma dessas novas armadilhas é o “romance scam”, algo como “golpe de amor” – um misto dos velhos e quase sempre não virtuais golpes do baú e conto do vigário.
Uma forma muito popular desses golpes é praticada, principalmente por nigerianos: eles capturam fotos de militares americanos e procuram manter contatos com mulheres, geralmente afirmando estarem servindo em lugares remotos. O relacionamento virtual evolui e em seguida o ciber-golpista começa a pedir dinheiro “emprestado”, sob diversos pretextos – a vítima, apaixonada pelo pobre “soldado”, passa então a auxiliá-lo, até que percebe ter caído em um golpe. Até mesmo Adam Kinzinger, um congressista americano, militar, teve sua imagem roubada e utilizada por um desses vigaristas.
Alguns casos têm final trágico, indo além da perda de dinheiro: em 2017, Renee Holland, uma mulher casada, apaixonou-se por alguém que se identificava como Michael Chris, um soldado do exército americano. Ela acabou enviando a ele cerca de US$ 30 mil, produto das economias da família. Mas “Chris” não existia, as fotos eram do sargento Daniel Anonsen, um fuzileiro naval que nada sabia a respeito do assunto.
A situação evoluiu de tal forma que, quando “Chris” anunciou estar voltando de serviço no exterior, Renee foi buscá-lo no aeroporto – evidentemente ninguém chegou; o voo sequer existia “Chris” não fez mais contato e ela percebeu que fora vítima de um golpe. Mas a situação foi além: após alguns meses, ela e seu pai foram mortos pelo marido, que em seguida se suicidou.
Aqueles que têm suas imagens roubadas também têm problemas, pois os golpistas as utilizam sob diversos nomes, gerando inúmeras vítimas: o deputado Kinzinger e o sargento Anonsen têm sido assediados por vítimas, que inclusive se propõem a processá-los.
Mais uma vez: cautela nunca é excessiva no ambiente das redes sociais.
Vivaldo José Breternitz – Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Mackenzie.

Deixe uma resposta