Tiro pela culatra

Deley-Antonio Carlos Rodrigues_cor

O feriado de 1º de maio foi proveitoso para um grupo de deputados federais, como Deley de Oliveira (PTB). É que, ao votar contra as reformas trabalhista e da Previdência, os parlamentares passaram a ser perseguidos pelo Governo Temer e seus indicados passaram a ser demitidos. Resultado: ganharam espaço tanto nas mídias sociais quanto na grande imprensa. No caso de Deley, sobrou para o voltarredondense Marcelo Xavier de Castro, que foi destituído da diretoria de Finanças e Administração das Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

 

Deley, é claro, não gostou e interpretou a demissão do seu indicado para a INB como uma retaliação por não dizer amém a Temer. “Foi uma retaliação sim”, disparou. “Em primeiro lugar, temos de ressaltar que a escolha dessa indicação foi técnica, então só nos resta esperar que o substituto esteja a altura. Em segundo, não cabe a pecha de infiel (a Temer), pois quem acompanha nossos mandatos sabe bem que jamais, em tempo algum, votamos a favor de matérias que em nossa visão atentem contra direitos adquiridos por trabalhadores, aposentados e pensionistas. Nosso primeiro e principal compromisso é com eles. E não importa o governo, a pessoa ou sigla partidária que esteja no Planalto, essa será sempre nossa posição”, pontuou.

 

Ao jornal Valor Econômico, um dos mais influentes do país, Deley garantiu que a retaliação não funcionará. “Não estou nem dormindo. Sabe quando vou aceitar chantagem de algum governo? Nunca”, ironizou, acrescentando que “o Congresso do governo Temer só tem projeto que prejudica quem mais precisa”, disse. Já ao aQui, Deley fez outra promessa. “Vamos manter a postura de votar a favor dos trabalhadores, aposentados e pensionistas. Como diz o ditado: perco o pescoço, mas não perco o juízo”, disparou. Que assim seja!

 

Neto

Na semana anterior, Deley também se posicionou sobre a rejeição das contas do ex-prefeito Neto, “um dos homens públicos mais corretos que conheceu na vida”, definiu, aproveitando para relembrar a prisão dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. “O engraçado é que a maioria dos vereadores de Volta Redonda ratificou o julgamento de um Tribunal que está sob suspeição e que teve mais de 90% dos seus conselheiros presos”, disse.

 

Deley foi além. “O prefeito Neto simplesmente transformou Volta Redonda, de acordo com o Datafolha, na cidade mais eficiente do Brasil. Ele foi secretário da Receita, presidente do Detran/RJ, e nunca houve uma vírgula sequer que pudesse constrangê-lo. Fica, então, a pergunta: por que esse relator desse Tribunal de Contas aprovou a conta de outros 10 municípios que estavam na mesma situação de Volta Redonda?”, indagou, levantando suspeita sobre os reais motivos das contas do ex-prefeito terem sido rejeitadas no TCE.

 

Por último, Deley lembrou que a rejeição das contas de Neto, o que o deixou inelegível por oito anos, pode ter tido motivos eleitorais. “Eu lamento muito que a Câmara de Vereadores já esteja pensando na eleição de 2020”, avaliou, sem citar nomes dos políticos que teriam interesse em ver Neto fora do páreo. Nem quis avaliar, a pedido do aQui, a postura do atual prefeito, Samuca Silva (PV), no desenrolar do processo de apreciação das contas do ex-prefeito. 

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