segunda-feira, junho 27, 2022
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Terminar a fila

Volta Redonda nega fechamento de Policlínica, mas não informa tamanho de fila de espera para atendimento

Mateus Gusmão

Na edição passada, de forma exclusiva, o aQui revelou a intenção da prefeitura de Volta Redonda em terceirizar as consultas médicas que oferece com seus especialistas. Para isso, a secretaria de Saúde quer contratar uma empresa que tenha condições de oferecer cerca de 12 mil consultas por algo em torno de R$ 1 milhão. Seriam 100 mil consultas por mês, equivalente a mais de quatro mil atendimentos diários, excluindo-se os finais de semana. A notícia, é claro, caiu como uma bomba na Policlínica da Cidadania, que funciona nas dependências do Estádio Raulino de Oliveira, e onde o atendimento é ruim, o que gera filas e mais filas de pacientes à espera de consultas em várias especialidades.
A bomba provocou, entre os funcionários e médicos, o medo de que a unidade, mal administrada, possa vir a ser fechada. Procurada, a prefeitura de Volta Redonda disse que não há chance de isso ocorrer. “Não há essa possibilidade”, informou a secretaria de Comunicação do governo Neto, garantindo ainda que a contratação de uma clínica privada para zerar a fila na Policlínica da Cidadania, visa – como o aQui mostrou – reduzir as filas. “Para ajudar a zerar as filas herdadas”, explicou, esquecendo que Conceição Souza, atual secretária de Saúde, está no cargo há 18 meses.
Apesar de dizer que o objetivo é dar agilidade à demanda de atendimentos deixada pelo governo Samuca, a secretaria de Saúde não informou qual seria o tamanho da fila de espera na Policlínica da Cidadania. “A demanda varia, dependendo da especialidade, e por isso a diversificação de contratações”, salientou a Secom, não descartando a contratação de consultas médicas em outras clínicas privadas, além da que vencer a licitação das 12 mil consultas previstas. “A Prefeitura, por meio da secretaria de Saúde, fará todo o necessário para reduzir o tempo de espera nas filas por exames, consultas e cirurgias”, informou.
Questionada sobre como se daria a regulação da fila de atendimento na clínica que for contratada, a resposta não foi esclarecedora. “A fila já existe e seguirá normalmente por meio do atendimento contratado”, completou a pasta. Vela lembrar que as consultas a serem terceirizadas são de angiologia, cardiologia, endocrinologia, gastroenterologia, nefrologia, neurologia, ortopedia, proctologia e reumatologia.
Apesar de a prefeitura informar que o objetivo é acabar com a fila de espera na Clínica da Cidadania, a terceirização, segundo uma fonte do aQui, teria mais motivos. Um deles é que a administração da Policlínica tem dificuldades para contratar médicos que se sujeitem às regras da casa. “Há uma insatisfação geral na Policlínica da Cidadania por conta do valor pago pelas consultas, que gira em torno de R$ 30 por cada atendimento. Por isso, a unidade não está conseguindo contratar especialistas. Os que estão trabalhando lá é porque pegaram afeto com pacientes ou foram indicados politicamente para o cargo”, disse a fonte.
Segundo ela, muitos médicos estariam atendendo consultas apenas rotuladas como ‘consulta de retorno’. “A fila assim não anda, porque os pacientes atendidos são os que já estão em tratamento”, destacou a fonte, pedindo anonimato. Tem mais. “O preço que a prefeitura vai pagar nas consultas da clínica privada que assumir o serviço será bem maior do que o que ela paga diretamente aos seus médicos. Isso gerou muita insatisfação. Além de não conseguir contratar profissionais, agora tem chance de muitos deixarem a unidade”, concluiu.

 

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