sexta-feira, fevereiro 23, 2024
CasaEditoriasEspecialSurto de dengue já atinge cinco cidades da região

Surto de dengue já atinge cinco cidades da região

Piscina de uma casa à venda na 60 está assim; prefeitura nada pode fazer

Que o estado do Rio enfrentaria uma epidemia de Dengue no verão, isso não é novidade para ninguém. Desde setembro do ano passado, a secretaria de Estado de Saúde vem alertando os municípios fluminenses quanto ao risco de um surto da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O que ninguém esperava era que o aumento no número de casos fosse atingir, tão rapidamente, pelo menos cinco das 12 cidades da região do Médio Paraíba. A boa notícia é que Volta Redonda e Barra Mansa (ainda) não estão nesta lista.
A situação epidemiológica é preocupante. Cidades como Itatiaia, Porto Real, Quatis, Piraí e Resende neste momento podem ser consideradas epidêmicas para a dengue. Resende, por exemplo, já registrou duas mortes e quase dois mil casos prováveis da doença até a última semana de dezembro. Detalhe: para que seja declarada a epidemia, seriam necessários 648 casos de dengue e a ‘princesinha do vale’ já registrou quase três vezes mais: estava com 1.801 casos prováveis em 2023. Destes, 1.136 foram confirmados, outros 26 apresentaram complicações (também chamado de dengue hemorrágica) e infelizmente dois pacientes morreram.
Os números da dengue nas demais cidades também preocupam. Em Itatiaia, foram registrados 553 casos prováveis de dengue em 2023, com 40 confirmações. Em Porto Real, foram 149 casos prováveis e 30 confirmados, enquanto que em Quatis, foram 120
prováveis e 4 confirmados. Já em Piraí, o registro de casos prováveis em 2023 foi de 243 e o de confirmados, 76.
Segundo as autoridades epidemiológicas, a diferença entre casos prováveis e confirmados está no diagnóstico clínico e laboratorial da dengue. De acordo com o apurado pelo aQui, a SES-RJ considera casos prováveis aqueles cujos sintomas apresentados pelo paciente possuem acurácia muito próxima dos diagnósticos laboratoriais. Já os casos confirmados são apurados por testes rápidos e sorologias específicas.
Outro detalhe importante no enfrentamento da dengue é que na equação do Estado, um surto ou uma epidemia acontece quando uma cidade atinge 500 casos para cada 100 mil habitantes. Considerando os casos prováveis e a população de uma destas cinco cidades, tecnicamente, todas elas estariam enfrentando um surto de dengue.

A situação em Volta Redonda e Barra Mansa
Barra Mansa parece ter feito bem o seu dever de casa no quesito prevenção e controle de vetores. A cidade registrou, de janeiro a dezembro de 2023, 100 casos prováveis de dengue e 53 confirmados. Considerando o número de doentes e a população total, Barra Mansa teria que atingir 850 casos para configurar uma epidemia. Já em Volta Redonda, foram 440 casos prováveis em 2023, com 347 confirmados. Na mesma equação, seriam necessários 1.307 casos para assegurar uma epidemia.
Apesar de estar muito aquém de um caos epidemiológico, Volta Redonda tem intensificado o combate ao mosquito transmissor da dengue. No sábado, 6, depois de um alerta feito pelo aQui nas redes sociais, a secretaria de Saúde criou uma força-tarefa e, no primeiro bairro visitado, a Sessenta, encontrou 36 focos do Aedes aegypti. O número representa 10% das casas visitadas pelos agentes de endemias durante toda a ação. “É um número muito alto e mostra a importância de os moradores também fazerem a sua parte, realizando, semanalmente, a limpeza nas suas casas”, ressaltou a coordenadora da Vigilância Ambiental, Janaína Soledad.
Segundo Janaína, os agentes estão realizando, em toda a cidade, o Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), para diagnóstico da situação entomológica do município. Além disso, estão sendo planejados mutirões em diversos bairros para a eliminação de possíveis focos. Neste sábado, 13, por exemplo, os agentes estarão nas ruas para vistoriar quintais e varandas atrás de focos. A estratégia faz parte do enfrentamento da dengue, mas não substitui o cuidado do morador com a água parada. É preciso redobrar a vigilância para que a cidade não engrosse as fileiras da epidemia.

Carro fumacê
Na segunda, 8, a prefeitura de Volta Redonda recebeu o reforço de um carro fumacê UBV, cedido pelo governo do Estado, para aumentar o bloqueio da transmissão da dengue no município. O veículo começou a percorrer as ruas do municipio, e os primeiros bairros a receberem a ação foram Conforto e Ponte Alta. O veículo permanecerá na cidade do aço durante três semanas, e o cronograma será divulgado nas redes sociais da prefeitura (@prefeituravr).
A coordenadora da Vigilância Ambiental de Volta Redonda, Janaína Soledad, explica que é importante que os moradores deixem janelas e portas abertas. Recomendase ainda que animais, bebedouros e comedouros, além de roupas do varal, sejam retirados do quintal. “O carro fumacê UBV é específico para o Aedes aegypti, combatendo os mosquitos vivos e bloqueando sua disseminação. É importante esclarecer que este fumacê é diferente do que as pessoas estão acostumadas, porque o fumacê UBV é utilizado em situações bem definidas para o controle do Aedes. Mas é fundamental que a população continue mantendo a vistoria dentro e fora de casa, pois o fumacê não atinge as formas imaturas (larvas) do mosquito”, explicou.
Tem mais. Ela ressalta que, juntamente com a ação do carro fumacê, é importante que os moradores mantenham vistoria semanal no quintal de casa, eliminando a água parada de objetos como garrafas, pneus, vasos de plantas, etc. “O Aedes aegypti se reproduz na água parada, e o ciclo de vida da larva do mosquito pode durar até uma semana, chegando à reprodução total do Aedes. A população deve ficar atenta também à caixa d’água, que muitas vezes fica no alto da casa. Ela deve estar tampada para evitar o depósito das larvas do mosquito”, acrescentou Janaína Soledad.

ARTIGOS RELACIONADOS

LEIA MAIS

Seja bem vindo!
Enviar via WhatsApp