Solução prática

Há pouco mais de uma semana, deputados da Comissão de Meio Ambiente, Saneamento Ambiental e de Saúde da Alerj, liderados por Gustavo Schmidt (PSL), visitaram os depósitos de escórias da CSN, operados pela Harsco. Apesar do caráter técnico, a visita também foi política. O parlamentar do partido do presidente Bolsonaro, por exemplo, nunca deve ter visitado a cidade do aço. Talvez seja por isso que nas eleições passadas só obteve 152 votos nas urnas voltarredondenses. E foi embora reclamando da CSN. Segundo ele, não houve qualquer mudança na altura das pilhas de escórias espalhadas pela área da Harsco na Brasilândia. Há pouco tempo, é bom que se frise, a Justiça determinou à CSN e a Harsco a redução na altura das pilhas, dos atuais 20 metros para 4 metros de altura.
A visita dos deputados resultou em um relatório que será encaminhado aos Ministérios públicos Estadual e Federal para ser inserido na Ação Civil Pública movida contra a CSN. Em seguida, será realizada uma audiência pública, com agenda ainda a ser definida, para apresentar à população e aos órgãos competentes um resumo da visita (política, grifo nosso) dos deputados da Alerj.
Ao aQui, uma fonte ligada à CSN disse que a redução das pilhas de escória não pode ser feita da noite para o dia, conforme os MPs querem. Segundo ela, a escória proveniente da Usina Presidente Vargas vem sendo depositada no bairro Brasilândia há mais de 20 anos, sem ter apresentado qualquer problema até hoje. “Esse material tem sido depositado naquele terreno há mais de 20 anos. É impossível retirar rapidamente. A redução da pilha de 20 metros para 4 metros está sendo estudada com responsabilidade e não existe meio para fazer isso do dia para a noite. Eventual retirada precipitada desse material pode atrapalhar e muito o sistema viário de Volta Redonda, provocando grandes transtornos para a cidade”, pontuou a fonte.
Ainda de acordo com a fonte, embora o volume retirado até agora não seja o exigido pela Justiça, houve redução da escória, sim. E as retiradas do produto vêm sendo feitas aos poucos, em geral por órgãos públicos. O SAAE-VR, por exemplo, já teria feito retiradas de escória para uso em obras urbanas. Outras prefeituras da região estariam em negociação com a CSN para fazer o mesmo. “Neste momento já foram formalizados convênios com sete municípios da região para doação do material” contou, acrescentando que a CSN tem encontrado dificuldades de expandir estes convênios, porque para alguns municípios com menos recursos, o custo da logística para retirada da escória é muito alto. “Muitas não querem vir buscar o produto. Alegam que o custo do frete é muito alto”, disse, para completar: “Fretar um caminhão sai mais caro que comprar a escória da CSN”, comparou. .
Só que o problema pode ser resolvido. Basta que o governador Wilson Witzel acate uma sugestão apresentada pela CSN de assumir o transporte da escória da UPV às cidades, onde o produto poderá ser usado na pavimentação de estradas vicinais e rurais. “Há uma iniciativa da Harsco e CSN de fazer um convênio com o estado do Rio de Janeiro para que o Estado faça o transporte, a CSN doe a escória e o município faça a obra de pavimentação ou calçamento. Está em estudo”, destaca a fonte.

Não é tóxica
Lamentando a pressão política em cima do caso, a fonte garante que “a CSN e a Harsco estão empenhadas em solucionar o problema do agregado siderúrgico”, e reiterou que a escória não é tóxica, o que na maioria das vezes é solenemente ignorado pelos deputados. “Ela é coproduto gerado no processo de refino do aço e pode ser usado em diversas aplicações, principalmente em pavimentação de estradas e vias, além de terraplanagem”, explicou.
A fonte foi além. Disse que à medida que a CSN produz o aço, ela armazena o agregado siderúrgico e que nos últimos cinco anos, o mercado da construção civil – que em geral absorve este agregado – sofreu um esfriamento, reduzindo, assim, a demanda pela escória. “É por isto que ela acumulou mais”, explicou a fonte.
De acordo com ela, empresas concorrentes da CSN, como a Usiminas, Arcelor Mittal e a CSA também têm feito doações de escória para pavimentação de vias e calçadas, mas em volumes menores do que a CSN. A fonte concluiu frisando que a Siderúrgica tem buscado incrementar as doações, mas que até mesmo elas dependem da realização de obras de infraestrutura nos municípios adotantes. “Sem obras, não há o porquê das cidades aceitarem a doação da escória”, concluiu.

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