quarta-feira, dezembro 1, 2021
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‘Sem pressão’

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Foi sob grande expectativa que o prefeito eleito Samuca Silva (PV) anunciou os integrantes da equipe que o ajudará a administrar a cidade do aço pelos próximos quatro anos. A maioria é desconhecida ou pouco se ouviu falar, mas com currículo extenso, alguns com experiência no setor privado. Os políticos, verdes ou não, ficaram de lado e na lista dois já andaram subindo as escadas do Palácio 17 de Julho. O ex-vereador Toninho Oreste (PSC), candidato derrotado em 2012 e 2016,  vai ocupar duas secretarias, a de Obras e a de Serviços Públicos, que a partir de janeiro serão apenas uma.

 

O nome do segundo político do governo Samuca é ligado, muito ligado, a Paulo Baltazar (PRB). Trata-se de Sérgio Boechat, que foi secretário de Administração do ex-prefeito, atual vereador. Boechat, inimigo do prefeito Neto, para surpresa de muitos vai assumir, a partir de fevereiro, o cargo de assessor especial do Palácio 17 de Julho. “Vai ser consultor político”, limitou-se a dizer Samuca, o que provocou arrepios em alguns dos presentes à cerimônia, realizada na manhã de quarta, 30, no Hotel Bela Vista, como o aQui tinha anunciado com exclusividade.    

 

Outra surpresa: Samuca tinha prometido a todos os seus eleitores que não iria aproveitar ninguém – ninguém mesmo – da equipe do prefeito Neto (PMDB). “Vou demitir todos eles”, fez questão de afirmar durante a campanha eleitoral. Não cumpriu e  aproveitou alguns nomes importantes da atual administração. O caso mais emblemático é o de Márcia Cury, diretora do Hospital do Retiro. A partir de janeiro, quando Samuca assumir o Palácio 17 de Julho, ela – que também é ligada ao deputado Nelson Gonçalves (PSD) – vai assumir a direção administrativa do Hospital São João Batista. E o novo secretário de Saúde, o médico Rafael Galvão, também faz parte da administração de Neto, já que também é diretor do Hospital do Retiro.

 

Essas escolhas, como não poderia deixar de ser, foram celebradas pelo prefeito Neto. “Eu conheço alguns nomes que foram indicados, achei que ele foi feliz na escolha do Fernando Rabelo (para a Cohab), é uma pessoa do bem. Todos nós conhecemos a competência da Márcia Cury. O Rafael (da Saúde) também é uma pessoa do bem. Tenho algumas restrições a algumas pessoas. Mas conheço muito pouco da equipe”, destacou Neto nas rádios. Entre as restrições – embora não tenha citado nomes –, o atual prefeito estava se referindo ao futuro conselheiro político de Samuca, o administrador Sérgio Boechat – ex-secretário de Baltazar. “Eu vi uma pessoa aí que adora falar na internet, no blog dele, muitas inverdades. Pelo que eu estou sentindo, vai ser a pessoa de confiança (do Samuca)”, ponderou.

 

Neto também lembrou que Samuca terá muitas dificuldades para administrar o Palácio 17 de Julho. “Só o fato de você administrar a cidade que você gosta, que você é apaixonado, já dá para superar qualquer pepino. Ele (Samuca) vai ter dificuldade. Nós só conseguimos vencer a crise porque tivemos uma equipe competente. Tomara Deus que ele consiga vencer os desafios”, clamou o atual prefeito. “Ele vai precisar de ajuda. Está com muita vontade de fazer acontecer. A gente ouviu muito ele falar em gestão. E é importante sentar na cadeira e veja que as dificuldades existem. E você supera isso quando você tem um compromisso com o povo de Volta Redonda – e acredito muito que ele (Samuca) e o vice (Maycon) têm esse compromisso”, pontuou Neto.

 

Sem indicação

Na entrevista coletiva, Samuca respondeu as perguntas dos jornalistas presentes – e olha que eram muitos, comum em início de governo. Disse que em breve revelará o nome dos outros componentes do governo (para o Saae, Furban, Banco da Cidadania, Coordenadoria da Juventude etc) e afirmou que sua primeira ‘canetada’ será um pacote de medidas para melhorar a gestão pública. E jurou, respondendo ao aQui, que nenhum secretário foi indicado por políticos. “Não sofremos nenhum tipo de pressão. Ninguém que está aqui foi indicado por políticos. Não houve qualquer interferência dos vereadores, e isso eu tenho que elogiar, da mesma forma que não vou influenciar no trabalho da Câmara. O Legislativo e o Executivo são independentes e teremos muito diálogo”, disse.

 

Questionado se os deputados que pediram voto para ele, como os federais Alexandre Serfiotis (PMDB) e Júlio Lopes (PP), indicaram alguém para o governo, Samuca garantiu que não, embora nos bastidores seja do conhecimento de todos que Serfiotis tenha emplacado o nome do futuro secretário de Saúde, Rafael Galvão. “Os deputados são parceiros. Fui a Brasília, falei com vários deputados federais e abri as portas da cidade para que possam enviar emendas para o município. Eu, mesmo sem ter tomado posse, estive com quatro ministros a pedido dos deputados. E isso é muito prestígio que a cidade tem e que os deputados abriram as portas para a gente. Mas não houve indicação”, reiterou. 

 

Entre as novidades de gestão, Samuca anunciou que vai extinguir toda a estrutura da vice-prefeitura (salas no Edifício Plaza), já que o vice-prefeito Maycon Abrantes assumirá a secretaria de Ação Comunitária. “A secretaria de Governo também será extinta. Estamos fazendo algumas incorporações, como agregar a secretaria de Obras à de Serviço Públicos. Já a secretaria de Planejamento vai agregar as áreas de gestão e controle. As coordenadorias, como de Juventude e Combate às Drogas, também ficarão atreladas à secretaria de Planejamento”, destacou, ressaltando que essas modificações precisarão ser enviadas como Projeto de Lei e apreciadas pelos vereadores.

 

Na coletiva, Samuca abordou a nota do aQui sobre as dificuldades que estaria tendo com Maycon Abrantes, que exigia que ele lhe entregasse a Secretaria de Ação Social, que tinha sido prometida a Dayse Penna. E o futuro prefeito não escondeu que teve uma ‘conversa transparente’ com Maycon e Dayse sobre a Smac. “Na transição a gente viu que a Smac é um guarda-chuva com várias ações que nem sempre efetivamente transmite uma política pública para a cidade. Em conversa muito transparente com a Dayse e com o Maycon, disse que nós precisávamos ter duas estratégias”, disse, explicando a seguir como isso seria feito. “A secretaria das Mulheres (que vai ficar com Dayse) está sendo ampliada para Igualdade Racial, Diversidade e outros. E para não deixar a Smac com uma estrutura tão grande, eu perguntei ao Maycon se ele aceitaria a Smac se tirássemos alguns serviços da pasta. Lhe disse que não abria mão dele ser vice-prefeito e ele acabou aceitando o desafio (de assumir a Smac). Foi isso que fizemos”, ressaltou.

 

Sobre os servidores lotados nas secretarias, os famosos ocupantes de cargos comissionados e RPAs, o prefeito eleito pediu cautela. “Não vamos fazer caça às bruxas. Nosso compromisso é com a técnica, com a responsabilidade. Cada caso será analisado. Falei para cada secretário para manter as pessoas pela técnica e não pela política. Nós vamos manter quem é bom e cortar quem não é”, destacou.

 

Ao ser questionado sobre a situação financeira da prefeitura de Volta Redonda, Samuca disse que ainda a desconhece. “Nós temos uma Comissão de Transição trabalhando e está fazendo um levantamento de dados. Em meados de dezembro essa equipe vai nos mostrar o diagnóstico real da prefeitura. Hoje eu sei que temos problemas, até o atual governo diz isso”, salientou.

 

Sobre licitações que precisam ser iniciadas esse ano, como de compra de material escolar e uniformes, Samuca revelou que o atual prefeito teria lhe garantido lançar as concorrências. “O prefeito disse que vai iniciar todos os processos para o ano que vem; se faltar material, a culpa não é do Samuca. Eu não posso fazer licitação agora, pois não tomei posse. Ele (Neto) me garantiu que iria fazer isso agora”, sublinhou.

 

Antes de encerrar, Samuca revelou quais serão suas primeiras medidas ao assumir o Palácio 17 de Julho. “Nós vamos encaminhar alguns Projetos de Lei para a Câmara, e efetuar alguns decretos, visando uma gestão pública eficiente e formas de gastar melhor o dinheiro público de Volta Redonda”, pontuou, sem dizer quem será seu líder de governo na Câmara. Mas assumiu que este será o principal articulador do governo. “Nós estamos conversando com os vereadores. Essas articulações políticas vão ficar comigo mesmo. Já fui à Câmara e segundo informações havia tempo que um prefeito não ia ao Legislativo. Agora vamos conversar com os vereadores para decidir quem será o líder”, concluiu. Detalhe: dos 21 vereadores eleitos, apenas um estava presente à primeira coletiva do futuro prefeito. O ainda guarda municipal Isaac de Araújo.

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