segunda-feira, junho 17, 2024

Sem estrutura

Pastoral reclama de más condições no Degase e na Cadeia Pública; Munir promete ajudar a resolver os problemas

Por Vinicius de Oliveira 

Integrantes da Pastoral Carcerária de Volta Redonda denunciaram à secretaria estadual de Direitos Humanos e ao deputado estadual Munir Francisco que os presos da Cadeia
Pública Franz de Castro Holzwarth, no Roma, conhecida como Casa de Custódia, vez ou outra, na hora das refeições, se surpreendem com comida azeda. “Parentes de presos nos contam, quando acompanhamos as visitas, que a comida servida na Casa de Custódia chega, muitas vezes, azeda”, avisou Elisa Ferreira, integrante da Pastoral, com anos de
dedicação voluntária aos presos e seus familiares. “Há algum tempo, desativaram a cozinha que funcionava dentro da unidade e a comida dos internos da Cadeia Pública vem de Japeri. Pelo jeito, neste calor, com a distância e prováveis problemas de acondicionamento, os alimentos acabam estragando”, deduziu, preocupada.
A pastoral carcerária também levou às autoridades queixas da comunidade atendida pelo Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas) relacionadas a problemas estruturais. Segundo Elisa, em dias de visita, as famílias dos jovens infratores ficam
expostas ao sol, chuva e com fome enquanto esperam para ver seus familiares internos. “A
entrada que dá acesso aos visitantes não tem cobertura há muito tempo. As famílias não
têm como se abrigar.


Ficam no tempo. Além disso, não tem nenhuma cantina para que possam comprar alguma coisa para comer enquanto aguardam. Para ter uma ideia, a pastoral leva todo
sábado um cafezinho pra conversar com as famílias num projeto de acolhida. Batemos um papo e nem a gente tem onde colocar as coisas. É um negócio muito ruim. Isso sem
contar o buraco enorme que cedeu na rua na entrada do Degase depois das fortes chuvas, obrigando um desvio”, resumiu. Elisa trouxe à tona ainda o fato de que nem no Degase e nem na Cadeia Pública há instalações para receber mulheres. São exclusivas para homens, o que dificulta o acesso dos familiares que precisam ajudá-las à distância, além do que as expõe a todos. “Está em construção no Degase uma nova instalação. Me parece que
é para provisórios. Mas nenhuma é para meninas. E acontece na nossa região de ter meninas que cometem atos infracionais e descem direto para o Rio”, contou.
Um professor que trabalha no Degase ouvido pelo jornal, que pede para não ser
identificado, fez coro às reclamações da Pastoral Carcerária. “As instalações dentro da unidade são boas e novas. A qualidade da comida também é boa e a lotação está dentro do
adequado. Enfim, as condições de acomodação são boas. Mas já com relação às
visitas, realmente é uma condição precária. do lado de fora não tem uma proteção para as
mães, elas não têm onde conseguir lugar para consumir alguma coisa”, relatou.
Procurada para tratar do tema comida azeda, a secretaria estadual Administração Penitenciária (Seap) nem titubeou. Negou tudo. “A informação não procede. A
SEAP informa que as unidades prisionais vistoriam, pesam e atestam a qualidade das refeições. Além disso, a secretaria conta com uma comissão  que vistoria os itens distribuídos pelas empresas fornecedoras em todo o sistema prisional do estado”, garantiu, em nota. Acerca da falta de estrutura apontada pelos católicos referente ao Degase, a secretaria de Comunicação tratou apenas da cratera que se abriu após a rua ter cedido, o que provocou desvio de tráfego. Inclusive jogou a responsabilidade para a prefeitura. “O Degase informa que o acesso à unidade do Cense Volta Redonda está com sua estrutura comprometida em função das chuvas, situação já registrada e solicitada à Prefeitura de
Volta Redonda”, declarou, sem mencionar a estrutura do prédio que não favorece a espera dos familiares em dias de visita apesar de ressaltar que o “objetivo será sempre realizar intervenções positivas para a sociedade, sanando dúvidas e possíveis problemas existentes, de modo que os princípios das políticas públicas sejam sempre respeitados, de forma que
não haja nenhuma anomalia em sua execução”.
O aQui também procurou o gabinete do deputado estadual Munir Francisco. Sua assessoria
de imprensa confirmou que o parlamentar atendeu os representantes da Pastoral Carcerária, pedindo um prazo de duas semanas para apurar as denúncias. “No último
dia 20, recebemos em nosso gabinete de Volta Redonda o Padre Nilson, a Dona Eliza e a equipe da pastoral carcerária da Igreja Católica. Eles fazem um importante trabalho e merecem toda nossa atenção e dedicação.
Através deles, tomei conhecimento de algumas demandas que precisam
ser vistas, como a qualidade da alimentação dos detentos da Casa de
Custódia. Também falaram sobre a falta de um local adequado no Degase para que os
familiares possam aguardar o início das visitas sem ficarem expostos ao sol e chuva.
Levaremos as solicitações, que são muito pertinentes, à secretaria de estado de Administração Penitenciária e à direção geral do Degase”, disse Munir, através da sua
equipe. Munir, que comandou por anos a poderosa pasta de Ação Comunitária em Volta
Redonda durante os governos Neto, aproveitou a oportunidade para relembrar como foi em
seu tempo quando o assunto eram as duas unidades em questão. “Lembrando que,
quando estivemos à frente da secretaria municipal de Ação Comunitária, sempre fizemos trabalhos em parceria com a Casa de Custódia e com o Cense, para levarmos dignidade às pessoas que estão cumprindo suas penas”, disparou.

Nota da redação: a prefeitura de Volta Redonda foi procurada para falar sobre as
providências tomadas para facilitar o acesso ao Degase. Até o fechamento dessa edição
não houve retorno.

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