terça-feira, abril 16, 2024
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Indústria fluminense abriu mais de 18 mil vagas em 2021

O ano de 2020 foi marcado por severas restrições à circulação de pessoas e atividades econômicas, por conta do auge da pandemia da Covid-19, o que gerou impactos diretos na atividade industrial fluminense. Naquele ano, o Rio de Janeiro registrou o fechamento de mais de 10 mil postos de trabalho nas Indústrias de Transformação. No entanto, o estudo exclusivo realizado pela Rio Indústria, Associação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, aponta que 2021, por sua vez, renovou as esperanças de plena recuperação da economia, diante do início do processo de vacinação.
“A indústria do Rio de Janeiro reagiu rapidamente à melhora do cenário, abrindo mais de 18 mil vagas de trabalho no ano passado. Ou seja, além de recuperar, em números absolutos, 100% dos postos de trabalho fechados durante o ano de 2020, gerou 80% a mais de oportunidades para o Rio. A indústria foi uma das primeiras atividades a se recuperar do momento de recessão, por sua gestão profissional, elevado volume de investimentos e mão de obra especializada. Para efeito de comparação, as Indústrias de Transformação foram responsáveis pela abertura de uma em cada dez vagas de emprego em 2021 no estado do Rio.”, ressalta o presidente, Sérgio Duarte.
Disseminação de vagas abertas pelos setores da indústria
Nesse sentido, é importante destacar que o resultado positivo foi difuso por todas as regiões do estado. Em regiões mais industrializadas, a participação da indústria foi determinante para a retomada do emprego, como no Médio Paraíba (4 em cada 10 vagas abertas) e Centro-Sul fluminense (3 em cada 10).
Além da dispersão regional, observou-se também disseminação de vagas abertas pelos setores da indústria. 18 das 24 atividades industriais apresentaram saldos positivos de contratação de empregos em 2021 no Rio de Janeiro. Destaque para Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (+6.297), Confecção de artigos de vestuário e acessórios (+3.693) e Fabricação de produtos alimentícios (+1.019), que conseguiram reabrir 100% das vagas fechadas pela pandemia; e Fabricação de produtos de metal (+1.967) e Fabricação de produtos de minerais não-metálicos (+1.919), que continuaram contratando em ambos os anos, apesar do momento desafiador.
“Notadamente, a indústria do Rio de Janeiro saiu mais forte desse momento adverso, evidenciando a competência dos industriais fluminenses e suas expectativas otimistas em relação ao futuro do nosso estado. Expectativas ancoradas em diversos indicadores positivos divulgados neste início de ano.”, afirma Sérgio Duarte.
O estudo revela que a produção industrial fluminense se encontra no mesmo patamar do ano passado, enquanto a indústria nacional retraiu (-6,1%) no 1º bimestre. O número de empresas abertas no Rio ano passado (72.894) foi recorde, segundo a Jucerja, sinalizando maior volume de negócios no estado esse ano.
Investimentos industriais e públicos puxam retomada
O governo do Estado, acredite quem quiser, encerrou 2021 com superávit orçamentário e redução do estoque de restos a pagar, o que permitiu anunciar — e já estar executando — investimento da ordem de R$ 17 bilhões, através do programa Pacto RJ. Dentre as obras prioritárias em infraestrutura, as conexões da Via Light com a Dutra e a Avenida Brasil, a melhoria dos acessos aos distritos industriais e a ferrovia que conectará a EF-118 ao Porto do Açu.
Além dos investimentos públicos, a secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico tem mapeado mais de R$ 75 bilhões em investimentos privados em andamento no Rio de Janeiro. Como, por exemplo, os investimentos industriais, de R$ 2 bilhões da Volkswagen Caminhões, e de R$ 1,3 bilhões, da Nissan, com plantas em Resende, e de R$ 1,3 bilhão da ArcelorMittal, em Barra Mansa. O setor de Petróleo deve investir R$ 5 bilhões a mais esse ano, frente ao ano passado, segundo o IBP. As novas concessionárias de saneamento do estado terão que investir R$ 32 bilhões nos 49 municípios que tiveram seus serviços concedidos no ano passado. A Cedae, por sua vez, prevê investimento de R$ 2,5 bilhões para garantir o fornecimento de água, através da modernização do sistema Guandu. A concessionária da Via Dutra e da BR-101 (Rio-Santos) tem o compromisso de investir R$ 7,5 bilhões dentro do estado do Rio. E outras rodovias federais, com grandes volumes de investimentos, como a Rio-Teresópolis e o Arco Metropolitano, ainda deverão ser concessionadas esse ano.
Da Assembleia Legislativa também chegam notícias boas para o setor industrial, com a Lei 9.633, sancionada em abril deste ano, que amplia o regime tributário especial de ICMS previsto na Lei nº 6.979/2015 para 16 municípios: Araruama, Barra do Piraí, Cachoeira de Macacu, Casimiro de Abreu, Itaboraí, Japeri, Macaé, Magé, Nova Friburgo, Paracambi, Petrópolis, Pinheiral, Queimados, Rio Bonito, Seropédica e Teresópolis. Com a inclusão, serão agora 81 dos 92 municípios fluminenses contemplados com a Lei.
Dessa forma, as indústrias instaladas nos referidos municípios também poderão ter direito de pleitear junto à Codin a fruição dos incentivos fiscais, como regime diferenciado de recolhimento do ICMS com base no faturamento.
Em março, foi realizado o primeiro aporte do governo do Estado no valor de R$ 2,1 bilhões, recurso excedente dos royalties e participações especiais do petróleo explorado no estado, ao Fundo Soberano do Estado do Rio de Janeiro, criado por meio da Emenda Constitucional 86/21. A Rio Indústria participou ativamente das discussões para criação desse Fundo, sempre defendendo que a reserva fosse destinada ao financiamento de projetos de infraestrutura, essenciais para maior competitividade e consequente desenvolvimento do Rio.
Outro exemplo a citar trata-se da Política Estadual de Incentivo às Atividades Econômicas Ligadas ao Mar (ou Economia do Mar), advinda da Lei 9.466/21, que buscará a promoção das cadeias produtivas da indústria de pesca, de exploração de petróleo e gás e naval.
Vocação industrial busca fôlego para enfrentar desafios
Sérgio Duarte pondera com relação aos desafios que ainda enfrentam. “Esse horizonte de prosperidade, não deve, entretanto, anuviar os desafios de competitividade extramuros ainda enfrentados pelo empreendedor fluminense, como, por exemplo, em relação à carga tributária. O superávit fiscal do Estado gera, além de recursos para investimentos, uma janela de oportunidade para redução, ainda que gradual, das alíquotas de ICMS dos principais insumos industriais, como energia e combustíveis, que no Rio de Janeiro custam mais caro do que no restante do país. Uma maior competitividade tributária, aliada à redução da burocracia, como por exemplo, através da abertura de unidades da Agência Estadual de Desenvolvimento Econômico (Resolve-RJ) no interior do Estado, tem a capacidade de impulsionar ainda mais os investimentos industriais no Rio de Janeiro.”, diz.
Estados com matriz econômica mais diversificada encontraram nesta pluralidade de atividades um suporte para momentos de crise. O Rio de Janeiro sofreu muito no início da pandemia pela sua concentração econômica nos setores de comércio e serviços, que precisaram paralisar suas atividades. Nesse sentido, é imperativo reforçar as políticas de atração, retenção e expansão de investimentos no setor industrial fluminense, a fim de tornar o estado do Rio mais forte e resiliente.
“A Rio Indústria e seus associados acreditam que 2022 será um ano ainda melhor para o Rio de Janeiro, um estado com vocação industrial.”, finaliza o empresário.

 

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