Sai de baixo! (II) – Prefeitura já mobilizou equipe para resolver o problema.

Os voltarredondenses que são obrigados a passar a pé, debaixo de sol ou chuva, pelo Viaduto Heitor Leite Franco, que liga os bairros da Colina e Aterrado, se sentem literalmente andando em uma corda bamba. A qualquer hora, podem cair, se machucar feio e até morrer. O drama foi vivido por uma jovem na manhã de segunda, 11, quando, teoricamente, ela caiu do viaduto na pista de rolamento da Avenida Getulio Vargas. Pela foto, postada por vários internautas nas redes sociais, a primeira impressão era de que ela teria morrido. Não morreu. Por pouco, diriam. 

Assim como ela, centenas de pedestres passam diariamente pela principal via de acesso entre a Colina e o Aterrado, como a senhora da foto, obrigada a fazer malabarismo para passar, com os filhos, pela estreita passarela, que nem calçada é. Pior: os blocos de cimento têm muitos buracos e quem se arrisca a andar pelo viaduto corre o risco de tropeçar e cair no leito da via, podendo ser atropelado por automóveis, vans, motos, ônibus e caminhões. Até por carroças. Ou cair na Getúlio Vargas, acidente que pode ser fatal.

No caso dos veículos de transporte o risco é maior. É que, devido ao tamanho ou da carga que transportam, eles passam rentes, bem rentes, de quem está utilizando as passarelas nas duas alças existentes para pedestres. Isso faz com que alguns atravessem o viaduto bem encostados à mureta de proteção para não serem atingidos pelos veículos. Tem mais. A mureta é baixa e não chega nem à cintura das pessoas. Ou seja, se levar um esbarrão de um espelho retrovisor de qualquer veículo, o pedestre atingido pode ser arremessado do viaduto. Pode cair em cima de algum veículo ou até de uma pessoa que esteja passando pelas Avenidas Getúlio Vargas ou Amaral Peixoto. Ou na linha do trem, dependendo de onde for o acidente.      

A verdade é que, devidos a esses problemas, todas as pessoas são obrigadas a passar devagar, bem devagar pelas duas alças destinadas aos pedestres no Viaduto Heitor Leite Franco. D. Nagina Moreira, 62, é testemunha e sofredora. Em setembro de 2010, por exemplo, (edição 704), ela já contava o drama que vivia.  “Por ser muito estreita (a passarela, grifo nosso), os caminhões passam raspando em nossas cabeças e o vento que eles provocam parece que vai nos derrubar”, afirmou na época, acrescentando que as alças, além de buracos, tinham muitos relevos que ofereciam riscos aos pedestres.

Ela tinha e tem razão; e até hoje, quase 10 anos depois, nada foi feito. As passarelas são tão estreitas que muitas vezes não podem ser usadas por duas pessoas, uma ao lado da outra. Se uma delas for gordinha, o impasse é natural. Uma das duas terá, então, que ceder espaço para a outra. Estela Melo, 59, também entrevistada pelo aQui no final de 2010, aconselhava: “Os carros passam em alta velocidade, sendo assim, não dá pra arriscar ir pela rua (leito do viaduto, grifo nosso); é melhor se atrasar do que colocar a vida em risco”, completou.

Ela está certa. Na segunda, 13, depois de ouvir a sugestão de um leitor para fazer uma matéria a respeito, a reportagem do aQui flagrou várias pessoas arriscando a vida ao passar pelo Viaduto Heitor Leite Franco. Um deles foi Leandro Rodrigues, 29. “Esse viaduto é uma porcaria, todo dia tenho que fazer isso para ultrapassar algum outro pedestre, porque todos andam devagar para não cair. Assim, eu é que corro o risco de ser atropelado”, comentou.

Valéria, moradora da Colina, também ouvida pela reportagem, chegou a dar uma sugestão ao governo Neto, que era o prefeito em 2010. “Já perdi as contas de quantas vezes quase caí. Se tivesse mais tempo passaria pelo outro viaduto (Nossa Senhora das Graças, grifo nosso). Aqui tinha que ser feita uma reforma igual à do Viaduto Nossa Senhora das Graças. Eles têm que aumentar o espaço do pedestre, fazer cobertura e colocar uma mureta de proteção maior, pois se alguém toma um esbarrão, corre o risco de cair na linha do trem”, comparou.

Samuca promete mudanças

Felizmente para os que utilizam a passarela do Viaduto Heitor Leite Franco, uma boa notícia: O que Neto não fez, Samuca fará. Procurado pelo aQui para repercutir o acidente de segunda, 11, o prefeito anunciou, com exclusividade, que seu governo já está desenvolvendo um projeto para resolver o problema. “Algumas possibilidades estão sendo estudadas, como a extensão da passarela, estendendo as alças para o lado externo do viaduto. Somos sensíveis ao problema. Outro projeto em estudo é realizar uma reforma para terminar com uma alça de passarela e aumentar outra, assim como acontece no Viaduto Nossa Senhora das Graças”, anunciou.

Na ponte

Já quem é obrigado a passar pela Ponte Presidente Médici, de acesso entre o Aterrado e o Aero Clube, vive o mesmo dilema dos pedestres que atravessam o Viaduto Heitor Leite Franco. As alças dos dois lados medem apenas uns 70 centímetros cada. Dá para passar apenas uma pessoa. Detalhe: elas também têm buracos e relevos, além de blocos de concretos soltos. Nelas, o medo é maior, pois treme quando da passagem de veículos de transportes. A impressão que se tem é que tudo vai desabar. E rolar pelas águas do Paraíba, rio que passa embaixo do viaduto, batizado de ponte.   

Carlos Roberto, 20, estava passando pelo viaduto com sua bicicleta e comentou que fica em dúvida sobre o que fazer. “Se vou empurrando a bicicleta pela passarela, eu fico espremido. Se carrego na rua (pelo leito, grifo nosso) tem risco de algum carro bater nela. E ir pedalando eu nem tento”, disse, acrescentando que a ponte não é segura. “Aqui não é agradável de passar. Não tem espaço e os blocos que estão soltos fazem todos perderem o equilíbrio”, ressaltou.

Em dias de bailes na Ilha São João ou no Aero, quando os jovens exageram nas bebidas, o risco é multiplicado por dez. Bêbados, os jovens podem cair nas águas do Rio Paraíba, pois as muretas de proteção também são baixas. Não protegem nada. Não dão nem para sentar e recuperar a sobriedade. UCA!

 

Prefeitura não perdeu tempo

Dando inicio à promessa de criar uma alternativa para pôr fim aos problemas dos pedestres que passam pelo Viaduto Heitor Leite Franco, denunciado pelo aQui, uma equipe do governo Samuca já esteve na manhã de hoje segunda, 18, ver foto, inspecionando a passarela que liga a Colina ao Aterrado e vice-versa.

 

A ideia, como revelou Samuca ao aQui, é ampliar as passarelas nos dois lados do viaduto e ainda cobrir as duas passagens, a exemplo do que ocorre no Viaduto Nossa Senhora das Graças.    

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