Por Pollyanna Xavier
A situação da Dengue no Médio Paraíba está cada vez mais preocupante e Resende continua liderando os números de casos e, infelizmente, também os de óbitos. Até ontem, sexta, 19, já tinham sido notificados cinco mortes na cidade, sendo dois confirmados e três em investigação. Itatiaia também já notificou um óbito pela doença. As duas cidades estão acima do limite superior do período sazonal, o que significa que ultrapassaram o maior número esperado em 2023 e nas duas primeiras semanas de 2024, considerando a série histórica dos 10 últimos anos. Resumindo: estão com epidemia de dengue. A informação consta no Panorama da Dengue, atualizado pela secretaria de Estado de Saúde na quinta, 18.
O panorama traz ainda o cenário da Dengue nas chamadas regiões de Saúde do Estado do Rio, incluindo o Médio Paraíba. Em Volta Redonda, por exemplo, dezembro foi o mês mais crítico de 2023 e janeiro já dá sinais do que vem pela frente, com 107 casos prováveis nas duas primeiras semanas do ano. O número representa 19% de todos os casos registrados na cidade do aço em 2023, que chegaram a 565. Para se ter uma ideia da situação, as quatro últimas semanas de 2023 registraram 36, 46, 54 e 76 casos respectivamente. Em 2024, foram 87 casos prováveis na primeira semana do ano e 20 na segunda. A queda pode indicar sub- notificação ou atraso de notificação, mas não a redução dos casos.
Apesar do cenário preocupante, as autoridades de Volta Redonda não falam em epidemia. Longe disso. Até porque, a cidade precisaria registrar 1.307 casos em três semanas epidemiológicas consecutivas para configurar a situação de emergência em saúde pública, o que não é o caso. Para evitar o caos, o Palácio 17 de Julho pôs nas ruas uma força-tarefa para combater os focos do mosquito transmissor da Dengue. Essa semana os bairros contemplados foram o Aterrado, Nossa Senhora das Graças e Jardim Paraíba. Além disto, o fumacê está circulando pela cidade do aço desde a semana passada.
Em Barra Mansa, a situação parece estar tranquila. A cidade registrou apenas 105 casos em 2023 e 14 nas duas semanas de 2024. O cenário nem de longe indica uma epidemia. Lá seriam necessários 850 casos registrados em três semanas consecutivas, para configurar emergência em saúde pública. Barra Mansa também não aparece nos boletins do Estado como cidade com subnotificação ou atraso em notificação. No Instagram, a prefeitura divulgou o calendário do fumacê para os meses de janeiro e fevereiro, com previsão de circulação nos bairros depois das 16 horas. Vale lembrar que o fumacê não é a melhor estratégia de combate à Dengue, por uma série de razões, uma delas, é pelo desequilíbrio que a fumaça causa ao ecossistema, ao causar a morte de abelhas, borboletas, passarinhos, etc.
ÓBITOS – A situação de Dengue em Resende e Itatiaia é a mais preocupante da região. As duas cidades registraram óbitos no ano passado e a prefeitura de Resende notificou ao Estado cinco mortes, entre agosto e dezembro, sendo duas confirmadas e três em investigação. As duas primeiras teriam ocorrido em agosto e novembro, e as que estão em investigação teriam ocorrido em dezembro. Segundo Panorama do Estado, a cidade registrou 2.200 casos prováveis em 2023, com o pico na penúltima semana do ano (332 casos) e 106 casos em 2024. Para se ter uma ideia, Resende teria que ter 648 casos em três semanas consecutivas para configurar epidemia e ela chegou a registrar 871 casos.
Já Itatiaia aparece no Panorama da Dengue com 791 casos em 2023 e 64 nos primeiros 15 dias de 2024. A cidade tem pouco mais de 30 mil habitantes e precisaria registrar 155 casos para decretar uma epidemia. Nas últimas três semanas de dezembro, Itatiaia registrou 347 casos da doença e, segundo apurado pelo aQui, há um óbito ocorrido no período, em investigação. Tanto Resende quanto Itatiaia lideram os casos de Dengue no Médio Paraíba, fazendo com que a região apareça em segundo lugar no ranking de distribuição de casos por região de saúde. Ela fica atrás apenas da Metropolitana I, que compreende os 11 municípios da Baixada Fluminense mais a cidade do Rio de Janeiro.
Quanto ao panorama geral do estado, foram registrados 51.848 casos de Dengue nos 92 municípios fluminense durante o ano de 2023, com 3.202 internações e 28 óbitos. Já nas duas semanas de 2024, os números foram 4.446 casos (8% do total registrado no ano passado), 177 internações e felizmente, nenhuma morte. Ainda falando em números, dos 4.446 casos prováveis já notificados em 2024, 2.993 ou 67,32% estão na Região Metropolitana I, e 383 ou 8,6% concentram- se no Médio Paraíba. No fim da fila está a Região Norte com apenas 17 casos (0,38%). O cenário indica ainda que a curva é crescente e requer atenção.

Treinamento para melhorar diagnóstico
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) dará treinamentos aos médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e das emergências de hospitais para aperfeiçoar o diagnóstico clínico da dengue e aumentar as chances de recuperação mais rápida dos pacientes. A decisão foi anunciada pela secretária Claudia Mello durante reunião com diretores e chefes de pediatria das unidades de emergência, a coordenação das UPAs estaduais e a Fundação Saúde.
No encontro, na sede da SES, ficou definido que todos os médicos dessas unidades passarão pelo treinamento. Além disso, a capacitação também será oferecida aos municípios, conforme regionalização planejada pela secretaria. Foi discutida ainda a organização para a ativação do Centro de Operações de Emergência (COE), caso necessário, assim como foi feito durante a pandemia de Covid-19.
O treinamento terá foco no manejo clínico pediátrico e neonatal, com abordagem de sinais, sintomas, melhor forma de tratamento e a diferenciação da dengue com outras doenças que apresentam estado febril semelhante, como a zika e a chikungunya. De acordo com a secretária, durante a capacitação também será reforçado que o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) está apto a receber as amostras para a identificação dos sorotipos circulantes no estado.

