COMPORTAMENTO: Casais do Rio de Janeiro passam a adotar modelo igualitário de sobrenomes
Uma transformação cultural marcante tem redefinido a forma como os casais fluminenses constroem sua identidade familiar. Dados compilados pela Associação dos Notários e Registradores do Estado do Rio de Janeiro (Anoreg/RJ) mostram que a opção em que ambos os cônjuges adicionam o sobrenome um do outro, modelo considerado um dos principais símbolos de igualdade dentro da união civil, alcançou em 2024 o maior índice da série histórica.
No último ano, 7,8% dos casamentos realizados no Rio seguiram essa escolha. No total, 5.535 casais decidiram adotar sobrenomes de forma recíproca, número que contrasta fortemente com o cenário de 2003, quando essa prática representava apenas 1,4% dos matrimônios, com 850 registros.
Em números absolutos, em 2024 foram realizados 936.555 casamentos no Brasil, sendo que em apenas 70.500 o casal adotou os sobrenomes dos dois. Em 2003, este número totalizava 3.7468 adoções de sobrenome dos casais dentre um total de 748.981 casamentos.
Os dados compilados pela Associação de Notários e Registradores do Estado do RJ (Anoreg/RJ), com base nos dados lançados pelos Cartórios do estado na Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), traduzem um novo momento da sociedade, explica o presidente da entidade, Celso Belmiro. “A sociedade hoje é muito diferente daquela de 2003 e as mulheres conquistaram muito mais espaço e independência do que tinham há 20 anos”, destaca. “Embora ainda tenhamos muito a evoluir como sociedade em relação aos espaços da mulher é inegável que elas conquistaram autonomia nos relacionamentos e a opção por não incluir o nome do marido é uma delas e cada vez mais usada”, completa.

A prática tradicional – a mulher adotar o sobrenome do marido – ainda é frequente e segue mantendo espaço ao longo das últimas décadas. Em 2024, 47,8% das mulheres que se casaram no estado realizaram essa alteração, totalizando 33.900 registros. Nos primeiros anos da série, entre 2003 e 2007, a taxa ficava próxima de 38%.
A opção que mais se consolidou entre os fluminenses é a manutenção completa dos nomes de solteiro, adotada por 43,81% dos casais em 2024 – mais de 31 mil matrimônios. Em determinados períodos, como entre 2013 e 2015, essa preferência ultrapassou 80% dos casamentos no estado.
Já a possibilidade de o homem adotar o sobrenome da esposa, prevista desde o Código Civil de 2002, permanece como escolha de baixa adesão no Rio. Em 2024, apenas 417 homens incluíram o sobrenome da cônjuge, o equivalente a 0,59% das celebrações – praticamente o mesmo patamar de 2003, quando essa opção foi registrada em 0,31% dos casamentos.
Segundo Belmiro, as estatísticas refletem transformações sociais profundas e uma valorização crescente da autonomia individual. “O nome é um elemento central da identidade de cada pessoa. O que vemos hoje é um movimento de liberdade de escolha, em que cada casal decide de forma consciente qual modelo representa sua história, seus valores e seu entendimento de parceria”, explica.
O cenário também foi impactado pelas mudanças recentes trazidas pela Lei Federal nº 14.382/22, que ampliou a possibilidade de inclusão de sobrenomes familiares e flexibilizou alterações decorrentes do casamento, do divórcio ou da mudança de nome dos pais. As novas regras permitiram maior diversidade de combinações e reforçaram a autonomia das partes no processo de formação do nome civil.
Helena é o nome de criança mais registrado pelos pais no Rio de Janeiro
Preferência das famílias fluminenses
O nome Helena foi o mais escolhido pelos pais no Rio de Janeiro em 2025. Ao todo, 2.457 crianças foram registradas com o nome no estado, garantindo a liderança no ranking dos nomes mais registrados nos Cartórios de Registro Civil fluminenses neste ano.
Na sequência aparecem Ravi, com 2.227 registros, e Maitê, com 2.096, evidenciando a forte preferência por nomes curtos, sonoros e de fácil pronúncia, além de escolhas que dialogam com tendências contemporâneas e referências globais. O ranking também revela a presença equilibrada de nomes tradicionais e modernos entre as famílias do estado.
O levantamento integra a base do Portal da Transparência do Registro Civil, administrado pela Arpen-Brasil, entidade que congrega os Cartórios de Registro Civil do país e reúne informações sobre nascimentos, casamentos e óbitos registrados em todo o território nacional. A plataforma permite consultas por nomes simples ou compostos, com recortes por estados e municípios, oferecendo um panorama detalhado das tendências regionais.
Além de Helena, Ravi e Maitê, figuram entre os nomes mais registrados no Rio de Janeiro Theo (1.910), Noah (1.794), Arthur (1.733), Miguel (1.732), Laura (1.668) e Gael (1.634). O ranking estadual também destaca a presença expressiva de nomes femininos como Cecília, Aurora, Antonella, Alice, Ísis e Liz, além de nomes masculinos tradicionais como Heitor, Bernardo, Benício, Davi e Samuel.
“As escolhas de nomes vão além do gosto pessoal e expressam movimentos culturais, sociais e influências midiáticas que impactam diretamente as famílias brasileiras”, afirma Celso Belmiro, presidente da Anoreg/RJ. “Os Cartórios de Registro Civil são responsáveis por registrar e preservar a história e a identidade cultural do país, garantindo às futuras gerações a memória das decisões que acompanham a trajetória de cada cidadão, do nascimento ao falecimento”, completa.
Ranking dos 10 nomes mais registrados no Rio de Janeiro em 2025
1º Helena – 2.457
2º Ravi – 2.227
3º Maitê – 2.096
4º Theo – 1.910
5º Noah – 1.794
6º Arthur – 1.733
7º Miguel – 1.732
8º Laura – 1.668
9º Gael – 1.634
10º Heitor – 1.566
Ranking dos 10 nomes masculinos mais registrados no Rio de Janeiro em 2025
1º Ravi – 2.227
2º Theo – 1.910
3º Noah – 1.794
4º Arthur – 1.733
5º Miguel – 1.732
6º Gael – 1.634
7º Heitor – 1.566
8º Bernardo – 1.523
9º Benício – 1.337
10º Anthony – 1.150
Ranking dos 10 nomes femininos mais registrados no Rio de Janeiro em 2025
1º Helena – 2.457
2º Maitê – 2.096
3º Laura – 1.668
4º Cecília – 1.534
5º Aurora – 1.387
6º Antonella – 1.293
7º Alice – 1.275
8º Maria Cecília – 1.083
9º Ísis – 1.072
10º Liz – 1.039
Sobre a Anoreg/RJ:
Fundada em 1996, a Associação de Notários e Registradores do Estado do Rio de Janeiro é uma entidade de classe reconhecida pelos poderes constituídos como legítima representante dos titulares dos serviços notariais e de registro no Estado do Rio de Janeiro, atuando em todas as instâncias e Tribunais. Com sede na capital fluminense, a Anoreg/RJ mantém atuação articulada com outras entidades do segmento, especialmente com os Institutos Membros e Sindicatos representativos das especialidades, promovendo a integração e o fortalecimento da atividade extrajudicial. Sua estrutura é regida pelo Código Civil brasileiro, pelas legislações pertinentes e por seu Estatuto próprio.

