Pollyanna Xavier
Uma ótima notícia para Volta Redonda: a cidade está há 77 dias sem registrar nenhuma morte por Covid. A última foi no dia 13 de agosto e, de lá para cá, a estatística felizmente zerou. Um alívio para quem acompanhou, assustado, o avanço do vírus de março de 2020 até hoje. Segundo o Portal da Transparência Cartorária, foram 2.014 mortes no período – é como se 0,73% da população local tivesse sido dizimada pela doença. Pior, 28,3% tiveram Covid, mas o percentual pode ser maior, considerando a subnotificação de casos.
A razão para a redução dos óbitos e a queda no número de novos casos tem duas explicações: a primeira é que o avanço da vacinação garantiu a imunização de uma boa parcela dos munícipes. Foram 258.692 pessoas vacinadas com a 1ª dose, o que corresponde a 94% da população. O número, porém, vai caindo nas segundas, terceiras e quartas doses, provando que muita gente não voltou ao postinho. Na segunda dose, por exemplo, foram 233.898 vacinados, na terceira, 205.699 e, na quarta dose, que priorizou os profissionais da saúde (linha de frente) e imunossuprimidos, foram imunizadas 40.111 pessoas.
A segunda explicação para a queda das mortes, internações e infecções pode estar no alto número de testagens realizadas. Mais da metade da população (76,2%) se submeteu a algum tipo de teste (PCR ou antígeno). Isso fez com que pacientes sintomáticos ou não, positivados, entrassem em isolamento, evitando contaminar outras pessoas e o aumento da circulação do vírus.
A redução dos indicadores da Covid não é uma exclusividade de Volta Redonda. Felizmente, outras cidades também apresentaram queda. Em Barra Mansa, o último óbito por Covid ocorreu em 10 de julho, e desde então, a cidade zerou as mortes pela doença. A vacinação no município também registrou números bastante positivos: foram mais de 140 mil pessoas imunizadas com a primeira dose, 128 mil com a segunda, 77 mil com a terceira, 28 mil com a quarta e ainda 19 vacinados com a 5ª dose. Além desse quantitativo, Barra Mansa imunizou quase 12 mil crianças com a chamada dose pediátrica.
Em Barra do Piraí, o boletim do último dia 21 mostrou que o município ainda enfrenta a doença, mas o combate foi reduzido a níveis baixíssimos. Apenas três pessoas estavam internadas na Santa Casa de Saúde do município (duas em leitos clínicos e uma na UTI), e outras duas no Hospital Municipal Maria de Nazaré. O último óbito foi registrado no dia 9 de setembro e, desde então, a estatística zerou. Em Porto Real, tanto o número de óbitos quanto o de internações e infecções também zerou, fazendo com que o prefeito desobrigasse o uso de máscaras nas escolas municipais – último espaço de aglomeração que ainda exigia o EPI.
Percorrendo os registros de óbitos nas demais cidades do Médio Paraíba, a reportagem verificou que apenas Resende registrou morte em outubro – foi no dia 2, de um homem com comorbidades. No boletim da prefeitura na quarta, 26, foi informado que 12 pessoas estavam em isolamento por suspeita de infecção pelo coro-navírus. O docu-mento informa ainda que Resende vacinou 122.784 pessoas com a primeira dose ou dose única (92,14% da população total do município) e 112.050 com a segunda dose. O quantitativo da terceira dose prova que muita gente não voltou aos postos para tomar o reforço, deixando o esquema vacinal incompleto. Nesta situação estão mais de 40 mil pessoas.
Itatiaia, Quatis, Pinheiral, Rio das Flores, Rio Claro e Valença – que também compõem o Médio Paraíba e o Consórcio Intermunicipal de Saúde da região – não registraram óbitos por Covid de julho para cá. Nestas cidades, os casos da doença indicaram uma queda substancial, fazendo com que os prefeitos revogassem decretos com medidas restritivas, liberando a livre circulação de pessoas sem a máscara e ainda reduzindo (não zerando) a compra de insumos para o enfrentamento da doença.
A queda dos indicadores (óbitos, internações e infecções) não é só uma boa notícia, mas representa uma luz no fim do túnel num período recente de muita incerteza e escuridão.

