Preconceito

A volta-redondense Leiciane Rodrigues causou um furor no Instagram ao denunciar a loja de chocolates Kopenhagen, localizada no Sider Shop-ping, na Vila, por preconceito social. A polêmica acabou descambando para uma discussão sobre racismo. Acontece que Leiciane, que usa cabelo crespo, esteve na loja, perto de onde ela trabalha, também no shopping, para tomar um café. Pelo que postou, pegou um sachê de açúcar, onde estava lanchando, mas não pagou por ele. A gerente da loja, então, chamou sua atenção e foi neste ponto que a polêmica aumentou.
Leiciane afirma que teria sido chamada de burra e que deveria pentear o cabelo. “Hoje deixo aqui registrado a minha tristeza. Fui extremamente humilhada por uma gerente da Kopenhagen, do Sider Shopping. Ela me fez pagar um sachê de açúcar. Como trabalho por ali e conheço todos, pensei que não faria falta. Mas sim, fez muita falta para a gerente que gritou dentro da loja. Fui lá e perguntei na maior educação. Ela falou que se eu não entendo de administração e que não sei fazer conta deveria pagar o sachê. Disse que sabia administrar e que daria dez reais, pois não me faria falta. Ela simplesmente me chamou de burra e falou: ‘acho melhor você pentear esse cabelo horrível, sua pobre’. Gritando comigo”, escreveu Leiciane no Instagran.
Embora não tenha entendido o comportamento da gerente da loja como um crime de racismo contra ela, pois não se considera negra, Leiciane acha que teria sido vítima de preconceito por classe social. “Então deixo aqui para vocês. O preconceito não está na cor em si, mas na classe socia. Será que ela é melhor do que eu só por ela ser branca e usar mega hair e é gerente de uma loja chique será que ela, por ser isso tudo, pode humilhar as pessoas? Hoje escolhi estar com esse black, mas não sou negra na cor, mas de raça”, disse.
Leiciane revelou ainda na rede social que é filha de uma mulher negra, que tem parentes negros e amigos. “Nesse século temos realmente que passar por isso. Se eu fosse negra teria orgulho. Vergonha dessa loja. Essa gerente, será que ela sabe administrar? Nunca daria a minha equipe esse exemplo”, desabafou. “O combate a esse tipo de preconceito deve ser travado através da Educação que deve servir como parâmetro de compreensão do mundo e das diferenças, tendo sempre como objetivo a afirmação da igualdade de direitos e deveres que todos temos uns com os outros, independente de sexo, gênero, cor, orientação sexual, crença ou situação econômica”, completou na postagem.
O caso viralizou na internet e chamou a atenção da loja onde o caso se desenrolou. Em nota (ver foto), a Kopenhagen afirmou que repudia qualquer tipo de preconceito. “Mediante os acontecimentos gerados nas redes sociais, a Kopenhagen Volta Redonda declara que repudia quaisquer tipos de preconceitos raciais. As medidas jurídicas necessárias sobre o fato calunioso já estão sendo adotadas”, afirmou a empresa também pelo Instagran.
Para Juliana Carvalho, militante do movimento negro em Volta Redonda, a polêmica em torno da Kopenhagen que viralizou foi positiva, pois serve para conscientizar todos os lados sobre o debate de racismo. “É uma oportunidade de fazer a denúncia e até mesmo conscientizar a população. A jovem que denuncia também tem pouca politização. Principalmente quando entende que ela não é negra pela cor, mas sim pela raça. A outra questão é que o racismo é um problema estrutural e que ela na verdade não foi vítima de uma pessoa, ela é vítima da sociedade racista que constituímos. De fato, é uma oportunidade inclusive de mostrar a população quais órgãos ela deve recorrer nesses casos. Achei a campanha interessante”, resumiu.
Ainda de acordo com Juliana, combater o racismo só pelos bancos escolares não será suficiente para mitigar os efeitos do racismo estrutural. Segundo a militante, se faz necessário adotar políticas públicas efetivas. “Tem mais uma coisa, ela entende que o racismo deve ser combatido com a educação, e nós (movimento negro, grifo nosso) entendemos a necessidade emergente de política pública em toda estrutura da sociedade, e que nem isso foi suficiente, levando em consideração que negros pobres são a população encarcerada, e a população que sofre o genocídio”, completou.

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