Política & Cia

Clima de guerra entre os vereadores

Não está nada bom o clima na Câmara de Volta Redonda. Os parlamentares do ‘Grupos dos 14’ e do ‘Grupo dos 7’ estão em pé de guerra. E isso ficou claro na sessão de quinta, 11, quando o Projeto de Lei 086/2017, de Paulinho do Raio-X – aliado a Samuca – foi rejeitado. Pelo PL, o prefeito teria que disponibilizar um profissional acolhedor em cada unidade de saúde . Só que desde o início dos trabalhos já se sabia que o projeto não seria ‘acolhido. Prevendo que a matéria fosse reprovada, o vereador Maurício Pessoa (do Grupo dos 7) pediu vistas do PL, mas, para surpresa geral, seu pedido foi rejeitado pelo ‘Grupo dos 14’.

 

Com a rejeição do pedido de vista, o PL acabou sendo apreciado e rejeitado. “Lamento que o projeto tenha sido rejeitado porque é a população que vai perder”, pontuou Paulinho, ressaltando que sua ideia era manter uma pessoa em cada Unidade de Saúde para dar informações sobre o paciente que estava sendo atendido para os familiares do lado de fora. “A população vai continuar sofrendo por causa de ego alguns”, completou.

 

Paulinho, vereador de primeira viajem, foi além. Denunciou que quando assumiu a cadeira de vereador, outro parlamentar o teria xingado de “filho disso, filho daquilo”, disse, sem revelar o nome do ofensor. “Eu encontrei vários homens aqui dentro, mas encontrei uma criança que sempre tomou leitinho da prefeitura, de todas as secretarias. Foi eleito por causa do leitinho da Smac, da Fazenda. Essa criança não cresceu. E toda semana aqui sou provocado. A cidade perde, os munícipes perdem”, completou Pau-linho, revelando então que o vereador seria Neném.

 

Como não poderia deixar de ser, Neném se defendeu. “Eu estou aqui há 12 anos. E sempre tivemos situação e oposição e sempre tive liberdade com todo mundo. Seja de oposição ou situação, minha relação sempre foi boa com todo mundo. Agora, o que eu não gosto é de falta personalidade, de mentiras, de falsidade. Tem parlamentar aqui que chuta porta de Policlínica e depois diz que não chutou; que ameaça funcionário e depois diz que não ameaçou; etc”, afirmou, referindo-se a Paulinho do Raio-X. “Eu estou muito tranquilo quanto a votação. Nunca votei contra a população, estou aqui há 12 anos e não é uma Casa cheia ou vazia que vai me fazer mudar minha postura”, disparou Neném.

 

Coube ao presidente da Câmara, Sidney Dinho (PEN) – do ‘Grupo dos 14’ – explicar o motivo da rejeição do projeto. “Eu digo ao senhor, quem tem voto, vota. Ou o voto é feito pelo lado técnico ou pelo lado político”, explicou, lendo o parecer da Consultoria Jurídica da Câmara, que dá conta que o projeto seria inconstitucio-nal por vício de iniciativa. Ou seja, só poderia ser proposto pelo prefeito local. Rodrigo Furtado, que é advogado, foi pelo mesmo caminho. “O senhor (Paulinho) pode propor isso através de requerimento. A sua ideia não morreu. Mas o projeto é inconstitucional”, avaliou. 

 

Quem tentou defender Paulinho do Raio X foi Maurício Pessôa. “Eu pedi vista e a vista foi negada. É lamentável que não dêem ao autor do projeto a possibilidade de tentar modificar, melhorar o projeto. Agora se ele é inconstitucional, deveriam dar a oportunidade do colega de modificar o projeto. Não foi dada a oportunidade. Lamento muito. Sempre foi costume da Casa acatar pedido de vista”, comentou.

 

Tigrão (PMDB), que é desafeto declarado de Pessôa, retrucou. “Vereador Maurício, vou voltar um pouco no tempo. Lembra o que você fez com a vereadora Neuza Jordão? Ela fez um projeto de grande alcance social e foi rejeitado. Ela e eu éramos do ‘Grupo dos 8’ e vocês do ‘Grupo dos 13’ e o projeto foi rejeitado. Também não foi dado o direito dela de pedir vista. A gente pediu vista e vocês rejeitaram”, lembrou Tigrão.

 

O detalhe é que não é costume na Câmara de Volta Redonda rejeitar qualquer projeto que seja. Isso porque sempre dizem que, quando um projeto é inconstitucional, ele serve no mínimo para provocar o Poder Executivo. A rejeição do PL de Paulinho mostra eu explodiu a guerra entre o grupo dos 7 – fiel a Samuca – e o grupo dos 14. Estes, mesmo que não façam oposição sistemática ao prefeito, não querem se vestir de verde. A guerra promete…

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