Pedras portuguesas do coração da Vila já estão sendo trocadas por piso ruim e feio

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Foto: Luiz Vieira 

Uma má notícia para os moradores de Volta Redonda, que enfrentam há quase três anos a novela mexicana que é a reforma da Rua 33 – iniciada em 2021 e até hoje em obras. Pior: sem previsão de conclusão. As pedras portuguesas do coração do bairro mais valorizado do município, retiradas da 33, também vão para as cucuias. Vão dar lugar aos blocos de cimento cinza que foram e estão sendo colocados pelo governo Castro em vários bairros, como na Vila e no Aterrado. Agora, como mostram as fotos, o serviço começou a ser feito em frente e ao lado da agência do Banco do Brasil.
Se a troca do piso das calçadas vai continuar pela Rua 12, passando pelo Sider Shopping até chegar ao antigo Escritório Central da CSN, e se a obra vai atingir também as ruas 14 e 16, ninguém sabe dizer. O que se sabe é que no ano passado o prefeito Neto chegou a dizer ao aQui que seu sonho, quando terminasse a obra da 33, seria completar o serviço em todo o bairro. Detalhe: com a ajuda de empresas como a Light, e o Sider, entre outras. Só não ia mexer na fiação das ruas, como está fazendo na 33.
Vale lembrar que muitos arquitetos e moradores consideram um absurdo a troca das pedras portuguesas por um piso de qualidade e preço inferiores. “Várias cidades se destacam pelas calçadas com pedras portuguesas. O Rio de Janeiro é um exemplo. As praias de Copacabana, Leblon e Ipanema são lindas por natureza, e mais belas ainda porque suas calçadas são com pedras portuguesas”, comparou um deles, pedindo anonimato. Outro, que também não quis se identificar, comentou quanto a prefeitura de Volta Redonda (governo do Estado) estaria desperdiçando ao trocar o piso de várias ruas da cidade do aço. “Nós tínhamos na Rua 33 cerca de 6.000 m2 de pedras portuguesas. Eram 1.000 m x 6 m de cada lado. Ou seja, 6.000 m2 foram arrancados e levados não se sabe para onde”, detalhou. “Dizem que foram recolhidas pela empreiteira da obra”, acrescentou. “As pedras portuguesas recuperadas e limpas podem ser vendidas no mercado por R$ 35 o m2. Poderiam gerar R$ 210 mil”, calculou, usando a mesma quantidade de m2 (seis mil) de pedras arrancadas e multiplicando pelo atual valor de mercado. “Se considerarmos que vão tirar outras centenas de pedras por outras ruas da Vila, os valores são maiores”, lamentou.
Procurada, a Secretaria de Comunicação da prefeitura de Volta Redonda confirmou que asobrasnaRua12,ado Sider Shopping, estão mesmo a cargo do governo do Estado, por conta do convênio de Mobilidade Urbana assinado com o Palácio 17 de Julho. E, surpresa, anunciou que as pedras portuguesas, retiradas da 33, foram enviadas para a Secretaria de Infraestrutura. ““Pelo contrato, elas (pedras portuguesas) são retiradas e encaminhadas para a Secretaria de Infraestrutura”, explicou a pasta.

SUGESTÃO
O empresário João Henrique Ferraz passou recentemente pela Praça Sávio Gama e, ao ver o estado do piso em frente ao Palácio 17 de Julho, aproveitou para sugerir ao prefeito Neto que use a quantidade necessária das pedras portuguesas arrancadas da Rua 33 para arrumar o passeio da praça (ver foto). “Calçada toda esburacada em frente à praça da prefeitura, debaixo do nariz do prefeito, e ninguém faz nada; em tempo de alguém cair e se machucar!” desabafou. Ele foi além. “Em Volta Redonda, o síndico que se diz prefeito está gastando do cofre público 4 milhões para construir um hospital veterinário, mais sua manutenção, com equipamentos, veterinários, enfermeiros e afins para seu funcionamento, com gastos eternos, inclusive até para quem ainda não nasceu… Enquanto a cidade está cheia de pessoas morando nas ruas, dormindo debaixo de marquises… Somos uma sociedade hipócrita”, comparou.

Avenida reaberta
O trecho da Avenida 17 de Julho, no Aterrado, que ilustrou a capa da edição passada, por estar fechado ao trânsito para a troca do piso das calçadas da via, foi reaberto para os veículos na quinta, 25. Embora seja uma obra do governo do Estado, coube ao secretário
de Transporte e Mobilidade Urbana, Paulo Barenco, ‘explicar’ que foi preciso
fazer uma readequação do projeto no local, a pedido de moradores e comerciantes.
Segundo ele, o planejamento inicial previa o corte das árvores da calçada em frente ao Edifício Bandeirante para “atender aos critérios de acessibilidade”. “Pelo projeto original, teríamos que cortar aquelas amendoeiras gigantes para atender às normas de acessibilidade. Como os moradores argumentaram que essas árvores protegem os prédios do calor, foi preciso desistir de retirar o obstáculo, e a única solução foi contorná-lo. Porém, para atender às questões de acessibilidade, foi preciso avançar a calçada em direção à avenida, eliminando algumas vagas de estacionamento”, explicou.
Ele foi além. Disse que, com essa mudança no projeto das calçadas, a maior parte das vagas no lado direito da Avenida 17 de Julho será reservada para idosos e pessoas com deficiência (PCDs), além de vagas rápidas para quem for utilizar o comércio local. O lado esquerdo da avenida será destinado ao Estacionamento Rotativo, e, por isso, o espaço destinado para carga e descarga – próximo à esquina com a Luiz Alves Pereira – será mudado para a Desembargador César Salamonte, esquina com a própria 17 de Julho.