Palanque político

Por Pollyanna Xavier

A Comissão Externa da Câmara Federal, criada para ‘acompanhar’ o despejo do Hospital Vita, a pedido do ainda deputado Deley de Oliveira (PTB) e formada por parlamentares que – em sua maioria – nem Volta Redonda conhecem, acaba de divulgar um relatório sobre o assunto. Totalmente inclusivo, é bom que se frise. Não é para menos. É que o despejo, determinado pela 3ª Vara Cível na ação de cobrança de aluguel que a CSN ainda move contra o Grupo Vita, era puramente técnico. E foi decidido, judicialmente, sem necessidade de qualquer intervenção política.

No relatório não há qualquer informação técnica sobre o assunto, muito menos respostas às perguntas feitas ao Grupo Vita e ao Ministério da Saúde, que Deley & Cia tentaram incluir no caso para pressionar a CSN. “As atividades realizadas ao longo dos trabalhos por esta Comissão Externa tiveram como objetivo principal conseguir informações fidedignas sobre a situação Hospital Vita”, diz um trecho do documento. Tem mais. Os deputados reconhecem que, em todas as tentativas de obter as informações, não obtiveram respostas. O silêncio não foi proposital. É que a questão era judicial, e foi decidida judicialmente.

A Comissão Externa foi criada por Deley, que não se reelegeu, quando o despejo do Hospital Vita tomou conta do noticiário regional. Na época, o próprio juiz Roberto Henrique dos Reis criticou a intervenção política e repreendeu os parlamentares (federais, estaduais e municipais) que usaram o despejo como cadafalso. A justificativa dos políticos envolvidos era a preocupação com o impacto à saúde da população e a qualidade do atendimento médico pós-despejo. Os atendimentos, porém, fluem normalmente desde que o Vita deixou Volta Redonda, sem qualquer prejuízo para os pacientes, que atualmente são atendidos pelo Hospital das Clínicas.

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