Pacote de bondades

Neto anuncia retomada de Plano de Mobilidade Urbana com a ajuda do governo do Estado

Roberto Marinho

O prefeito Neto mudou o discurso e o humor. Parece até ter deixado a Covid de lado. Motivo: vai poder retomar o seu projeto de mobilidade urbana, aquele que deixou prontinho para sair do papel e que, por picuinha, Samuca mandou jogar pela janela quando tomou posse, mesmo com R$ 80 milhões em caixa para tocar as obras. “Será o maior projeto da história de Volta Redonda”, avaliou, ao anunciar que vai resgatar o ambicioso plano – da construção de três viadutos e uma ponte sobre o Rio Paraíba, entre outras intervenções – sem se preocupar em como pagar as obras, avaliadas agora, quatro anos depois, em R$ 96 milhões. “Será pago pelo governo do Estado”, explicou, fazendo juras de amor ao governador Cláudio Castro. “Nunca tivemos uma parceria desse tamanho”, disse, todo empolgado.
Neto estava tão feliz em dar as boas novas que adiantou até que tudo poderá ficar pronto em menos tempo. A princípio, a licitação, que está sendo preparada pelo governo Cláudio Castro, deve ocorrer em 30 dias, e as obras deverão durar 18 meses. “Vamos tentar fazer em 15 meses”, disparou, mostrando que não acredita em empecilhos que licitações desse vulto costumam gerar.
Segundo Neto, o projeto original começou há seis ou sete anos, e contou com a participação de Paulo Barenco (na época, presidente da Suser), atual secretário de Transporte e Mobilidade Urbana, e de Lincoln Botelho, ex-secretário de Planejamento. “Sem intermediários, conseguimos a liberação de R$ 80 milhões do governo Federal para tocar as obras”, relembrou, aproveitando para voltar a criticar seu desafeto Samuca Silva. “O ex-prefeito, a primeira coisa que ele fez quando assumiu, foi devolver o dinheiro que conseguimos com muito sacrifício e muita competência”, alfinetou, na noite de terça, 25, quando fez mais uma live pelas redes sociais. “Estamos há três meses conversando com o governo do Estado, que prometeu nos ajudar. Na sexta (dia 21) foi anunciado o convênio”, completou, sem revelar qual será o papel prático da sua equipe, já que o serviço será terceirizado.
Marcha lenta
O plano de revitalização viária de Volta Redonda existe desde a década de 70 e, assim como qualquer obra de porte, andou em marcha lenta por muito tempo. O projeto ganhou o nome pomposo de Plano de Mobilidade Urbana de Volta Redonda por volta de 2015, com a definição das obras que deveriam ser feitas para desafogar o trânsito pela cidade do aço. E foi atualizado financeiramente, é claro. Os R$ 80 milhões, dinheiro que sairia dos cofres do Palácio 17 de Julho, viraram R$ 96 milhões, que serão pagos, espera-se, pelo Palácio das Laranjeiras. “Foram feitas adequações ao projeto, o que resultou em acréscimo no valor. Essas adequações tornam o projeto mais completo, priorizando a qualidade, com utilização de materiais de alta durabilidade”, justificou Barenco, em nota enviada ao aQui pela Secom (secretaria de Comunicação).
Além de três viadutos e uma ponte, o projeto prevê a construção de 18 quilômetros de ciclovia em torno da CSN e entre os bairros Santa Cruz e Niterói, interligando as ciclovias já (?) existentes; requalificação de seis quilômetros de calçadas, com acessibilidade; a criação de um corredor estrutural de transporte público, de 15 quilômetros, com implantação de faixa exclusiva para ônibus, recuperação de todo o pavimento e sinalização viária; e a instalação de semáforos inteligentes, com controle de tráfego em tempo real. As maiores intervenções serão no Aterrado, principal ligação entre os setores norte e sul da cidade, sendo que, de acordo com o governo, a prioridade será melhorar o transporte público.
O engraçado é que todos os viadutos, pontes e ciclovias que estão no papel já têm nome; pelo menos no que depender da vontade de Neto. A ideia do prefeito é aproveitar as obras do megaprojeto para homenagear seus colaboradores mais fiéis, já falecidos, como o ex-secretário de governo Fernando Almeida; o assessor especial Hudson de Oliveira, advogado; e o ex-subprefeito do Retiro, Maurício Monteiro, o Porreca. O fundador do UniFOA, Dauro Aragão, e o empresário Porfírio Almeida, da construtora Almeida e Filhos, também serão home-nageados.
O Viaduto Dauro Aragão, por exemplo, vai ligar o Jardim Amália, na altura do antigo restaurante Casarão, à Vila Americana, próximo à base da Petrobrás, facilitando a passagem dos caminhões oriundos da BR-393 com destino ao centro da cidade. No Viaduto Heitor Leite Franco será construída uma alça viária – batizada de Fernando Almeida -, descendo na Avenida Geraldo Di Biase (Avenida do Canal), que será totalmente revitalizada.
No final desta via haverá uma ponte – Dr. Hudson de Oliveira – por cima do Rio Paraíba, fazendo a ligação com o Aero Clube, chegando até a Radial Leste. A ponte terá uma ciclovia, e a obra vai agilizar a chegada ao Fórum de Volta Redonda e ao campus Aterrado da UFF (Universidade Federal Fluminense).
Próximo ao quartel do 28° Batalhão da Polícia Militar, haverá um viaduto – Porfírio Almeida -, que deve eliminar o cruzamento e os semáforos que existem no local, ligando as avenidas Nossa Senhora do Amparo e Sávio Gama. Detalhe: no vídeo do projeto lançado pelo governo do Estado, o viaduto foi batizado como Nossa Senhora do Amparo. A nova ciclovia – em torno da usina da CSN – receberá o nome de Maurício Monteiro, o Porreca.

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