“Negligência”

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ACIDENTE: CAT de operária morta na UPV não foi aberto voluntariamente

 Pollyanna Xavier  

Na edição número 1490, o aQui publicou uma reportagem sobre a possível subnotificação de acidentes de trabalho na Usina Presidente Vargas envolvendo trabalhadores da CBSI – empresa do grupo CSN. Diferentemente do que foi informado na matéria, a morte de uma trabalhadora – ocorrida há um ano, exatamente no dia 10 de janeiro de 2025 – não foi no local do acidente. 

De acordo com informações prestadas por familiares, Lauriene Cristina leal de Souza chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Santa Cecília, onde passou por uma cirurgia, tendo recebido uma transfusão de sangue, mas infelizmente morreu dez dias depois. 

Em entrevista ao aQui, a irmã de Lauriene disse que a família acionou a empresa na Justiça porque, conforme divulgamos, a CBSI não fez a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) por iniciativa própria, exigida em casos como o da operária. A reportagem mantém, portanto, o questionamento quanto à notificação do caso como acidente de trabalho, uma vez que, segundo os registros do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), do Ministério do Trabalho e Emprego, o óbito não consta nos dados oficiais referentes ao ano de 2025. 

Ainda de acordo com a irmã de Lauriane, a CAT foi aberta por pressão do advogado da família, que teria solicitado o documento na Justiça. “A CAT foi aberta, sim, mas não no dia certo do acidente (…) ela foi aberta a pedido do meu advogado”, garantiu. 

O documento, vale destacar, é essencial para resguardar os direitos do trabalhador acidentado ou de seus familiares, em casos de óbito, garantindo a reparação de danos. “Inclusive, houve negligência no acidente dela, pois foi constatado que a área da aciaria (onde ela sofreu o acidente) não estava sinalizada e havia um buraco lá”, revelou a irmã. 

Lauriene morreu no dia 20 de janeiro de 2025, no Hospital Santa Cecília, vítima de uma queda na aciaria da Usina Presidente Vargas. Ela era funcionária da CBSI e deixou uma filha de 9 anos. A família busca reparação na Justiça.