Na mão

Butantan cancela pedidos da Coronavac feitos por prefeitos; seringas já começaram a ser entregues

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Pollyanna Xavier

Uma boa e uma má notícia sobre a vacinação contra a Covid-19 no estado do Rio: a boa é que a secretaria estadual de Saúde começou ontem, sexta, 15, a distribuir seringas para todo os municípios fluminenses com vistas à primeira fase da campanha de vacinação contra o novo coronavírus, que tem tudo para começar até o final de janeiro. A má notícia é que o Instituto Butantan cancelou, como o aQui previa, os pedidos de compra da Coronavac feitos por dezenas de prefeitos, como Rodrigo Drable, Mário Esteves e o ex-prefeito Samuca Silva. O motivo é simples: o imunizante será distribuído, gratuitamente, em todo o território nacional pelo SUS.
O cancelamento dos pedidos de vacina atingirá 184 municípios fora do estado de São Paulo – sede do Instituto Butantan – , e será formalizado na próxima segunda, 18. Dentre essas cidades estão Volta Redonda (70 mil doses), Barra Mansa (80 mil doses), Barra do Piraí (40 mil doses). Todas elas anunciaram no início de dezembro a assinatura de um protocolo de intenções com o Butantan para a compra antecipada da Coronavac. O objetivo, além de político, era garantir um plano de vacinação municipal, caso o governo Federal não avançasse nessa questão.
Só para que o leitor entenda a importância da má notícia (para os prefeitos), se Barra Mansa recebesse suas 80 mil doses, o município teria que arcar com 800 mil dólares, já que o valor que estava sendo negociado pelo Butantan era da ordem de 10 dólares a unidade. Com o dólar a quase R$ 6, Rodrigo Drable teria que arcar com R$ 4,8 milhões. Volta Redonda, se Neto confirmasse o pedido feito por Samuca, teria que desembolsar um pouco menos: R$ 4,2 mi. E Barra do Piraí, cujo prefeito, Mário Esteves, gabava-se de ter sido o primeiro a comprar a Coronavac, teria uma despesa de 400 mil dólares, ou R$ 2,4 mi.
Sorte dos prefeitos – muitos sem dinheiro para pagar até a coleta de lixo – é que no início de janeiro, o Ministério da Saúde firmou convênio com o Butantan por meio do Programa Nacional de Imunização para vacinar a população brasileira. E avisou: toda a produção da Coronavac seria dele. Desde então, os municípios que procuraram diretamente o Instituto para firmar acordo ficaram sem saber se o convênio seria mantido ou não. Essa semana, Rodrigo Drable e Mário Esteves se manifestaram sobre a situação. “Depois que nós assinamos o protocolo com o Butantan, o diretor do instituto informou que o governo Federal vai comprar todas as vacinas. Então, a expectativa de compras se encerra e nós temos que esperar o envio das vacinas pelo governo Federal”, pontuou Drable.
Mas ele não desiste de comprar algumas doses de uma vacina contra a Covid. Segundo Drable, Barra Mansa também teria assinado um protocolo de intenção com a Fiocruz para garantir a vacina de Oxford – a AstraZeneca. Mas essa vacina também tem tudo para não chegar a Barra Mansa através desse acordo, porque o governo Federal também comprou a vacina para atender o Plano Nacional de Imunização (PNI).
Já Mário Esteves reagiu diferente. Foi aos jornais e avisou que ajuizou uma ação no Supremo Tribunal Federal para garantir que a Coronavac seja entregue a Barra do Piraí. “Não acho justo que sejamos forçados a entrar, na marra, no PNI, principalmente porque isso significa não saber sequer quando começaríamos a vacinar em nossa cidade”, reclamou ao jornal A Voz da Cidade.
Em Volta Redonda, existe uma particularidade que deve ser levada em conta: o protocolo de intenções com o Butantan foi assinado no início de dezembro pelo ex-prefeito Samuca Silva para a aquisição de 70 mil doses da Coronavac. Samuca não foi reeleito e o prefeito Neto ainda não tinha batido o martelo. Em entrevista a Dário de Paula, na manhã de quinta, 14, o prefeito disse que acha que a vacinação vai começar no dia 24, na capital, e avisou que quando a vacina chegar no interior, toda a população será vacinada – cada qual dentro do seu grupo prioritário. “Todo mundo vai tomar a vacina, eu tenho certeza que em Volta Redonda todo mundo vai tomar e de uma forma mais rápida possível. Eu vou estruturar a vacinação”, prometeu.
GT e seringas
A secretaria estadual de Saúde, que não gosta de atender a imprensa do interior, criou um Grupo Técnico (GT) para discutir as questões envolvendo o plano estadual de vacinação em todo o território fluminense. A próxima reunião do GT vai acontecer na segunda, 18, e deverá contar com a participação de municípios da região, como Volta Redonda, Barra Mansa e Piraí. A pauta desse encontro será justamente definir algumas diretrizes para o início da imunização da população. Ontem, dia 15, o Estado deu início a distribuição de insumos para a campanha e as seringas já começaram a ser entregues.
Outra questão que ficou acertada é sobre o cartão de vacinação e o cadastramento no aplicativo ‘ConecteSUS Cidadão’. Até então, falou-se que só receberiam a dose da vacina as pessoas que se cadastraram neste aplicativo ou que apresentassem o Cartão Nacional de Vacinação nas unidades vacinadoras. Porém, uma nota técnica do Conselho Nacional de Secretários de Saúde esclarece que não serão exigidos nem uma coisa nem outra. Ainda bem!
“O acesso a vacinas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) não está condicionado ao cadastramento em aplicativo ou plataforma. O direito decorre da gratuidade e universalidade do SUS”, diz um trecho da nota do Conass, a que o aQui teve acesso. O documento ressalta a importância da identificação das pessoas que serão imunizadas e a orientação é que as pessoas atualizem, preferencialmente, o número do CPF ou do Cartão Nacional de Vacinação. “Entretanto, se no momento da imunização contra a Covid-19 o cidadão não estiver de posse de nenhuma identificação, o estabelecimento de saúde, em sua plataforma CadSus poderá efetuar o devido cadastro e o processo de imunização ocorrerá normalmente. Ninguém que pertence ao público prioritário da campanha, definido naquele momento, deixará de ser vacinado”, encerra a nota. Escapamos por pouco de mais uma jogada política da SES, não é mesmo?

 

Central Única de Regulação é oficializada pelo Estado

Garantia!

A resolução que cria a Central Única de Regulação em todo o estado do Rio já foi publicada e, a partir de agora, todos os leitos destinados a pacientes com Covid-19 em território fluminense passam a ser regulados pela secretaria estadual de Saúde (SES), o que inclui leitos clínicos, obstétricos, pediátricos e de terapia intensiva com suporte ventilatório de todos os hospitais públicos do estado. A resolução não informa se os hospitais particulares foram incluídos na normativa, o que era de se esperar partindo da SES, é claro.
O que se sabe é que a Central Única de Regulação faz parte do Plano de Resposta de Emergência ao Coronavírus apresentado pelo governo do Estado aos municípios fluminenses, através da Câmara Técnica da Comissão Intergestora Bipartite (CIB). A ideia ao criar a Central Única de Regulação é permitir o acesso de todos os pacientes infectados com Coronavírus aos leitos de terapia intensiva das unidades públicas de saúde. Há, porém, o risco de a Central funcionar bem apenas para a capital, onde o número de pacientes que aguardam uma vaga nos leitos de UTI é bem maior do que no interior. No interior, aliás, não há registro de fila reprimida ou represamento de pacientes em unidades intermediárias.
Segundo a SES, os municípios ficarão responsáveis por informar ao Estado o número de leitos em suas unidades, e ainda atualizar (em tempo real) o mapa hospitalar junto ao Sistema Estadual de Regulação. “O leito não é de um município, de uma unidade nem de uma pessoa. O leito é do SUS. Todos os cidadãos têm direito a um leito de forma igualitária. A regulação única sempre foi nosso principal objetivo. Estamos começando com os leitos de Covid e vamos ampliar essa regulação unificada para a alta complexidade”, avisou o secretário de Estado de Saúde, Carlos Alberto Chaves.
Região – Conforme o aQui noticiou na sua última edição, sobre a criação da Central Única de Regulação, vale uma última informação: a regulação de leitos não está limitada à Covid-19, mas abrange todas as doenças. De acordo com o Estado, cabe aos municípios a regulação dos serviços de baixa e média complexidade, como cirurgias de vesícula, hérnia, catarata, entre outras. Mas cabe à SES a tarefa de controlar, avaliar e auditar o acesso a esses serviços, especialmente aos leitos de UTI para pacientes infectados com o novo Coronavírus.

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