Mudando o Rio com juízo

Em entrevista exclusiva ao aQui, concedida horas depois de sair consagrado das urnas por ter vencido com folga o primeiro turno das eleições para o governo do Rio, o juiz Wilson Witzel (PSC) fez uma análise do processo eleitoral. “Eu sempre tive confiança (que iria para o segundo turno)”, afirmou, garantindo que, eleito, vai atrair investimentos da ordem de R$ 100 bilhões para o Rio. Ele foi além. Prometeu mandar investigar a fundo a lavagem do dinheiro “para asfixiar a fonte de renda do crime organizado”.

Na área da Saúde, que é das piores em todo o Brasil, o candidato do PSC disse ao aQui que vai lançar o programa Saúde Integral Sem Filas. “Vamos contratar até 500 mil consultas com médicos especialistas (particulares, com o Estado complementando a tabela do SUS) para zerar a fila de cirurgia no estado”, explicou, indo além. “E vamos reabrir as Casas de Saúde para criar 7 mil leitos de retaguarda, além de abrir filiais do Rio de Janeiro no interior”.

Wilson Witzel, que venceu Eduardo Paes e Romário, seus principais adversários, analisou a vitória massacrante do primeiro turno. “O motivo (a onda bolsonarista que o levou à vitória no primeiro turno) é que o cidadão não tolera mais tanta corrupção e desmando”, pontuou.
Veja abaixo a íntegra da entrevista exclusiva do aQui com o juiz Wilson Witzel

 

Aqui: Sinceramente, o senhor esperava por uma votação tão impressionante como a que obteve? Por quê?

Wilson Witzel: Desde o início da nossa campanha que estamos vendo o apoio dos eleitores nas ruas de todo o estado do Rio. Eu sempre tive confiança de que iríamos passar para o segundo turno. Agradeço a votação do primeiro turno e digo que vamos continuar apresentando as propostas para tirar o Rio de Janeiro desta situação calamitosa, causada pelo desmando e pela corrupção de governos anteriores. O eleitor quer propostas concretas para tirar o estado desta situação. Sou um candidato novo, ficha-limpa e que vai resolver, com firmeza e juízo, os problemas do Rio de Janeiro.

 

aQui: É verdade que o senhor esteve com Pezão, dias antes da votação, e teria pedido a ele para conhecer o Palácio Guanabara, dizendo que era ali que iria morar a partir de 2019? O que o levava a crer na vitória?

Witzel: Eu não estive com ele depois que me tornei candidato, e sim em uma ocasião há alguns anos. Eu pretendo continuar morando na minha casa no Grajaú, mesmo se eleito governador. Inclusive, pretendo abrir o Palácio das Laranjeiras para visitação pública, para escolas etc…, pois é um lugar que conta parte da história do Rio e do Brasil.

 

aQui: O primeiro turno já era e o senhor surpreendeu meio mundo, e agora? Qual será a estratégia? Vai continuar batendo na tecla da segurança e da lava-jato?

Witzel: Nossa campanha vai focar em propostas no segundo turno. Com mais tempo, será possível detalhar os projetos para o Rio de Janeiro. A segurança é um problema grave e vamos enfrentar com rigor. A polícia será mais bem treinada para operações, e por outro lado, vamos investigar a fundo a lavagem de dinheiro para asfixiar a fonte de renda do crime organizado. Mas não é só a segurança. Vamos atrair investimentos para o Rio de Janeiro. É preciso retomar a atividade econômica e atrair grandes obras de infraestrutura. Nossa previsão é atrair investimentos de infraestrutura em torno de R$ 100 bilhões nos próximos quatro anos. Só a Petrobras vai ingressar com R$ 30 bilhões na indústria da construção naval e com o pré-sal; a indústria de peças relacionadas a petróleo e gás; mais os investimentos de agricultura. Vamos criar segurança pública jurídica para que os investidores voltem para o Rio de Janeiro, aliado ao fato da eleição de um governador que não tem ligação com grupos políticos tradicionais, o que ajuda a recuperar a credibilidade de nosso estado. Outra prioridade é a saúde, com o programa Saúde Integral Sem Filas. Vamos contratar até 500 mil consultas com médicos especialistas (particulares, com o Estado complementando a tabela do SUS) para zerar a fila de cirurgia no estado. E vamos reabrir as casas de saúde para criar 7 mil leitos de retaguarda, além de abrir filiais do Rio de Janeiro no interior.

 

aQui: No Sul Fluminense, o senhor também obteve grandes votações. Em Volta Redonda, por exemplo, foram 61.671 votos contra 17.495 de Romário e 17. 315 de Eduardo Paes. Quais foram os motivos de ter tantos votos no interior, embora tenha vindo pouco à região?

Witzel: Eu agradeço a todos os eleitores de Volta Redonda e de todo o estado do Rio que votaram em mim. O motivo é que o cidadão não tolera mais tanta corrupção e desmando. As pessoas querem um governador que tenha pulso para resolver os problemas e que traga investimento, e que mude o Rio com juízo. Essa postura vale para todo o estado. E o eleitor sabe que eu sou ficha-limpa e que minha experiência como juiz federal vai contribuir para essa mudança

 

aQui: Em Volta Redonda, Eduardo Paes contava com apoio do ex-prefeito Neto e do atual prefeito Samuca Silva e deu no que deu. Eleito, qual será a postura do senhor para com os prefeitos que estavam fechados com seu adversário?

Witzel: Eu serei governador do Rio de Janeiro, de todo o estado. Tratarei todos os prefeitos de maneira republicana e respeitando as posições políticas contrárias. Vamos governar para tirar o Rio de Janeiro desta situação lamentável em que se encontra e retomar sua vocação para o crescimento.                       

 

Nota da redação:  O aQui também tentou fazer uma entrevista exclusiva com Eduardo Paes, mas o candidato do DEM não respondeu ao jornal dentro do prazo estipulado, o que convenhamos, é lastimável.

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