‘Mico’ financeiro

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Para muitos, a prefeitura de Volta Redonda atrasou os salários de junho por estar, literalmente, sem dinheiro. E ao invés de depositar o dindim dos servidores na sexta, como era de esperar, só o fez totalmente na manhã de segunda, 2. “Depois de 20 anos com o Neto pagando em dia, o Samuca atrasou o pagamento”, foi a tônica dos comentários – dos adversários do governo, é claro. Samuca, por exemplo, diz que é mentira a informação que tomou conta das redes sociais. “Isso não é verdade”, disparou, garantindo que o Palácio 17 de Julho enviou à Caixa Econômica todos os recursos referentes à folha de pagamento de junho.

Em entrevista exclusiva ao aQui, Samuca dá detalhes da operação que criou a maior confusão – provocada, até prova em contrário, pela secretaria de Administração – e  diz que a prefeitura terá uma economia da ordem de  R$ 1 milhão só com os ajustes que anda promovendo na máquina de governo.

 

aQui: Muitos especulam que a prefeitura atrasou o pagamento por falta de dinheiro e não por problemas no sistema. O que realmente aconteceu?

Samuca: Isso não é verdade, tanto que ainda na sexta-feira, dia 29, enviamos os recursos para a Caixa Econômica Federal. O que houve, de fato, foi um atraso por conta de inconsistência no Banco de Dados da secretaria municipal de Administração. Recebi um relatório da Comissão de Sindicância, que apontou situações irregulares de servidores, e determinei à SMA a retirada dessas pessoas da folha de pagamento. E por conta dessa retirada houve uma inconsistência no sistema. Esse foi o motivo.

 

aQui: Por que quando o governo fez o recadastramento dos servidores – com a mudança de dados de muitos deles – não houve problemas com a folha de pagamento? 

Samuca: A questão foi a data em que recebi o relatório da Comissão de Sindicância e determinei a tirada desses servidores da folha de pagamento. Já estava no final do mês, foi no dia 27 de junho, mas era necessário fazer essa retirada. Nosso governo não compactua com ilegalidades. É um processo contínuo, que se iniciou em 2017. A sindicância foi aberta e apresentou relatório no mês passado e as medidas foram legais e transparentes.

 

aQui: O volume de dados inseridos no sistema aumentou? Por quê?

Samuca: Essas são alterações no sistema, de retirada e atualização de dados, o que gerou um atraso, segundo informações da SMA.

 

aQui: Foi só o aumento no volume de dados que causou o problema?

Samuca: Não foi volume, foram ajustes. Nós tínhamos recurso suficiente para fazer o pagamento da folha. Tanto que fizemos.

 

aQui: Como se sente sendo acusado nas redes sociais de não saber gerir a folha de pagamento? 

Samuca: Como um prefeito com R$ 1 bilhão de dívidas mantém os salários e o pagamento a fornecedores em dia não sabe gerir? A rede social aceita tudo, temos hoje muitos fakes disseminando notícias falsas (as chamadas fake news). O problema é que essas informações falsas, boatos e acusações, têm apenas o objetivo de confundir a cabeça da população. E podem estar interessando apenas a alguns grupos políticos que ajudaram a quebrar nossa cidade. Nos esquecemos que a campanha passou e eu sou o prefeito. Estas pessoas não querem o bem da cidade. Lembro que alguns diziam que não teríamos recursos em agosto de 2017.

 

aQui: Em termos de cortes, qual foi, em reais, a redução da folha de junho para a de maio? 

Samuca: Com a retirada de cerca de 880 matrículas, a economia já passa de R$ 1 milhão.

 

aQui: Outras reduções ainda podem ocorrer durante os próximos meses? Qual a expectativa de redução da folha de pagamento e do número de servidores? 

Samuca: Sim, estamos realizando um grande ajuste fiscal. E a Comissão de Sindicância, que apura irregularidades na folha de pagamento, ainda está atuando. Os secretários e titulares, conforme decreto, terão que autenticar individualmente a atuação física de cada pessoa.

 

aQui: A oposição diz que depois de 20 anos, a primeira parcela do 13º não será liberada. Por que isso?

Samuca: Em 20 anos, deixaram cerca de R$ 200 milhões, entre restos a pagar e precatórios, de prestadores de serviço. Pagar a primeira parcela do 13º assim é fácil. Mas esse não é um governo irresponsável, é bom deixar claro. Os últimos meses foram muito ruins no que se refere a arrecadação municipal e não há recursos suficientes para antecipar a primeira parcela do 13º. Estamos buscando medidas para aumentar a arrecadação. Mas não podemos, como outros governos fizeram, deixar de pagar contas e endividar ainda mais os cofres do município. Quem acaba pagando isso, de uma forma ou de outra, é a população e isso não pode acontecer.

 

aQui: É verdade que o governo Samuca está gastando mais do que permite a Lei de Responsabilidade Fiscal? Explique.

Samuca: Posso garantir que o índice já estava estourado quando assumimos o mandado e o Ministério Público será notificado enquanto isso. As medidas já deveriam ter sido tomadas na gestão passada.

 

aQui: Tem medo de enfrentar um processo de cassação por improbidade administrativa? Explique.

Samuca: Nenhum medo disso, porque o limite já estava estourado. Medidas como recadastramento, redução de cargos, contingenciamento e fim do RPA foram adotadas por este governo.

 

aQui: Como andam os processos de corte de 30% dos Cargos Comissionados e RPAs? O que já aconteceu na prática?

Samuca: O município está passando por um grande ajuste fiscal. A arrecadação municipal chega a R$ 800 milhões por ano e nossa dívida ultrapassa R$ 1 bilhão. Temos uma dívida maior que a arrecadação, um absurdo! Por isso estamos realizando esses cortes, tudo dentro de um planejamento estratégico, para não atrapalhar o atendimento à população.

 

aQui: Sobre o PCCS dos professores, o acordado era que todos receberiam o valor, mas muitos dizem que não receberam (nem neste mês nem no mês passado). O que aconteceu? Mais problemas no sistema da administração?

Samuca: Essa é uma boa pergunta. Esse tema ficou sendo empurrado com a barriga durante mais de 20 anos. E eu fiz questão de ir à Justiça para buscar um acordo e começar a implantar o PCCS. Como o processo é judicializado, realizamos o pagamento para quem é indicado pela Justiça, através do sindicato que representa a classe. É o sindicato que aponta quais profissionais têm direito de receber.

 

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