‘Me esqueça’

O ex-prefeito Samuca Silva não deixou por menos ao ser procurado pelo aQui para falar sobre o fim do convênio da prefeitura de Volta Redonda com a Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre o uso do Annita em pacientes suspeitos de estarem contaminados pela Covid-19, assinado por ele no ano passado e já cancelado pelo governo Neto. Inicialmente, ele garantiu que não escondeu nada de ninguém. “Não escondi absolutamente nada da nossa população”, disparou, esquecendo que a cópia do convênio que tinha prometido enviar ao aQui, até hoje não chegou à redação do jornal.
O ex-prefeito também jura que não fez nenhum pagamento referente ao convênio assinado com a UFRJ e crê até hoje que a parceria entre eles ‘salvou vidas’. Não satisfeito, acusa o atual governo de estar matando pessoas. E voltou a reiterar um pedido a Neto: “Que me esqueça”.
Veja abaixo a íntegra da entrevista exclusiva com o ex-prefeito Samuca Silva:

aQui: Como o aQui mostrou na última edição, em teoria o senhor assinou um convênio com a UFRJ para oferecer Telemedicina para as equipes de saúde de Volta Redonda, como parte do enfrentamento da Covid-19. Mas, na prática, era para prescrever a nitazoxanida para pacientes infectados. Por que escondeu a questão da população e ainda permitiu o uso de uma medicação que nunca esteve no protocolo das autoridades sanitárias do país?
Samuca: Em primeiro lugar, é importante deixar claro que a atual gestão deveria me esquecer e trabalhar pelo combate a pandemia. NENHUM desembolso foi realizado para este convênio. Vazaram documento público para tentar amenizar o impacto negativo da suspensão do protocolo da Nitazoxanida que matou pessoas. O meu convênio salvou vidas a decisão de cancelar matou pessoas. Em segundo lugar é importante frisar que não escondi absolutamente nada da nossa população, a afirmativa que escondi não é minha. Funcionários da linha de frente estavam realizando o curso, vários foram ao RJ e deveriam continuar ampliando os funcionários capacitados, mas o convênio foi desfeito. Sobre a medicação, era um protocolo que adotamos na cidade (assim como alguns locais usam cloroquina). Mais de 600 pessoas passaram pelo tratamento e nenhuma precisou de internação ou teve o agravamento do caso. Temos nome, telefone, cpf, são pessoas reais que se salvaram. Era um protocolo inovador e que estava funcionando na cidade. O fim do protocolo talvez explique porque janeiro de 2021 é o mês com mais mortes por Covid-19 na cidade, segundo o Governo do Estado.

aQui: A prescrição da nitazoxanida nada mais é do que uma conduta adotada pelo médico Edmilson Migowski, não configurando uma recomendação do Ministério da Saúde. O que ele fez para convencer o senhor, a ponto de levá-lo a destinar cerca de R$ 500 mil para cursos de telemedicina?
Samuca: Nenhum recurso foi pago, a nota de empenho refere-se à possibilidade e lamento muito o atual governo vazar o documento ao jornal sem dar uma informação desta, tentando mudar o sentindo das coisas: os medicamentos foram doados e nenhum recurso a UFRJ foi repassado justamente pelo motivo de não cumprimento de parte do convênio. O que me levou a assinar o convênio foi o desejo e o anseio de salvar vidas e salvamos, não matamos ninguém ao contrário do atual governo. O convênio com a UFRJ era amplo: ele previa o curso de telemedicina, acompanhamento dos casos de Covid-19 na cidade, acompanhamento das pessoas que estavam adotando o protocolo na Anitta e o próprio protocolo. O médico Edmilson Migowski é respeitado por toda a classe médica e acompanhou todo o procedimento. Conseguimos reduzir drasticamente o número de internação, o que permitiu o retorno das atividades econômicas.

aQui: Segundo o atual governo, os cursos nunca foram oferecidos. O que o senhor tem a dizer?
Samuca: Que o atual governo deveria me esquecer e apurar melhor as informações passadas a imprensa. Não me joguem uma responsabilidade que não tenho. Vazaram informações para justificar o fim de um protocolo que estava dando resultado positivo e a população estava aprovando.

aQui: A secretaria de Saúde, conforme mostramos, mandou cancelar o convênio que o senhor assinou com a UFRJ e ainda o empenho referente ao último pagamento não será cumprido. O que o senhor tem a dizer?
Samuca: Não efetuamos qualquer pagamento para a UFRJ tendo em vista que houve partes do contrato que não foram cumpridas. O valor estimado seria cumprido se o contrato fosse cumprido na íntegra. A responsabilidade administrativa da prefeitura é da atual gestão, que ainda está sob liminar. Quem deve se posicionar é a atual gestão. Mas talvez isso explique porque janeiro de 2021 foi o mês com mais mortes em Volta Redonda desde o início da pandemia, dados do Governo do Estado. Mataram pessoas!

aQui: Se os cursos não foram dados, por que a secretária de Saúde de seu governo teria insistido em pagar uma parcela do convênio à UFRJ no dia 29 de dezembro, às vésperas do fim do seu mandato?
Samuca: Volto a repetir, servidores foram preparados, ligavam para pacientes que estavam com Covid-19 e passando pelo protocolo, entre outros. O convênio estava em vigor. Se a atual gestão por liminar quisesse continuar, poderia. Mas escolheram terminar o convênio. Não houve nenhum pagamento e na sua pergunta você afirma que tentou, quem tentou não pagou.

aQui: O senhor está ciente de que pode responder por crime de responsabilidade e desvio de finalidade por conta desse convênio?
Samuca: Isso é uma suposição. O fato é que A atual gestão poderá ser responsável pelas mortes e fraca atuação no Covid. Não fechou comércio, não restringiu nada, não fiscaliza, não abriu leitos, acabou com centros de triagens, não prioriza os profissionais de saúde e ainda acabou com tratamento precoce que salvou muitas pessoas. Alerta: estão justificando a fraca atuação num convênio que salvou vidas e não teve nenhum desembolso. Quem perde é a população. Podem me cobrar tudo, mas a população sabe o trabalho sério que fizemos no combate à pandemia. Priorizei a vida e não a política.

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