Luto

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Um acidente na tarde de terça, 14, na Usina Presidente Vargas, matou o metalúrgico Daniel Silvério Bragança, 34. Ele fazia manutenção em um transformador do Laminador de Tiras a Frio, quando o equipamento entrou em curto circuito e explodiu. Daniel teria ficado prensado no transformador e sofreu queimaduras graves.  Ele foi eletrocutado, teve mais de 85% do corpo queimado e chegou a ser socorrido no Hospital das Clínicas (antigo Vita), sendo transferido, de helicóptero, para um hospital especializado em queimaduras, em São Paulo, mas infelizmente não resistiu.

 

Daniel morreu na tarde de quinta, 16, e nas redes sociais, o clima era de revolta e consternação. Uma corrente de oração chegou a ser feita em prol da recuperação do metalúrgico. Amigos, companheiros de usina, parentes compartilharam fotos de Daniel com o filho de 2 anos no colo, com mensagens de tristeza e revolta pela falta de segurança no ambiente de trabalho.  Para o Sindicato dos Metalúrgicos, o acidente pode ter sido um somatório de causas, entre elas a precariedade dos equipamentos da usina e a falta de equipamentos de segurança.

 

Um metalúrgico ouvido pelo aQui – que não trabalhava na mesma área de Daniel, mas o conhecia bem  – disse que  o operário era experiente, porém, pela gravidade das queimaduras, tudo indica que ele não usava a proteção adequada. “Existem roupas especiais para manutenção elétrica: uma azul, que suporta pouca carga, e outra laranja, que suporta mais carga. Daniel estava usando a roupa azul, tanto é que ela foi vaporizada no corpo dele”, disse, ressaltando que pode ter havido falha do técnico de segurança da área, que permitiu que Daniel usasse uma roupa inapropriada para o tipo de serviço.

 

Outra questão levantada pelo metalúrgico – que pediu anonimato – é a extensão das queimaduras no corpo de Daniel. “Certamente ele não estava usando um visor de proteção”, afirmou. “Um médico que o atendeu nos contou que ele só não sofreu queimaduras no topo da cabeça (cocuruto) e nos pés, por conta do uso de botas. O resto do corpo inteiro foi queimado, o que sugere que ele não estava com o visor. Se estivesse, o rosto não estaria tão queimado”, aponta.

 

A fonte diz ainda que a precariedade dos equipamentos da Usina pode ter contribuído para o acidente. “Os equipamentos são velhos, obsoletos e precisam de manutenção constante. Há cerca de três meses, houve outro acidente durante uma manutenção elétrica. Quando foram mexer em uma gaveta de circuito elétrico, houve um curto circuito e o operário que fazia o serviço foi eletrocutado também. Mas estava com a proteção – a roupa laranja e o visor – e não teve tantas queimaduras”, disse.

 

Daniel estudava engenharia, era casado e tinha um filho pequeno. Seu corpo foi sepultado na manhã de ontem, no Portal da Saudade, o único da cidade do aço (o cemitério do Retiro não tem mais vagas). Tanto a CSN quanto o Sindicato dos Metalúrgicos divulgaram nota de pesar pela morte do metalúrgico. “O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense recebeu, com pesar, a notícia da morte do metalúrgico Daniel Bragança, de 34 anos, vítima de acidente de trabalho na CSN. Todos os esforços serão feitos e o Sindicato trabalhará, efetivamente, junto com a Cipa e a área de segurança da empresa para apurar a causa do acidente e garantir a aplicação de medidas de segurança que evitem futuras ocorrências”, diz a nota do Sindicato.

 

A CSN também lamentou o fato e disse que está dando auxílio à família do metalúrgico. “A equipe médica do Hospital 9 de Julho, especializada em queimaduras, não poupou esforços para salvar a vida do paciente. A Companhia está prestando todo auxílio à família de Daniel e manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos”.

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