Jogo de poder

A Polícia Civil de Porto Real e integrantes do Ministério Público prenderam no final da tarde de quarta, 19, Adriano Arlei Serfiotis. Ele é filho do ex-prefeito Jorge Serfiotis – falecido em julho de 2017 – e irmão do deputado federal Alexandre Serfiotis. Adriano foi preso por suspeita de extorsão contra o atual prefeito, Ailton Marques. Outros três suspeitos – Halysson Guilber Mury de Freitas, Michael Cardoso Santana e Rodrigo Costa Caldeira, todos de Duque de Caxias, na Baixada – foram denunciados pelo MP e estão foragidos.
O grupo é suspeito de tentar extorquir R$ 2 milhões de Ailton Marques, referente a uma dívida de campanha das eleições de 2016. Na época, Ailton era candidato a vice de Jorge Serfiotis e o acordo envolvendo a quantia teria nascido aí. Eleito, Serfiotis morreu logo depois, Ailton assumiu o Executivo e não teria cumprido o acordo, alegando que o mesmo não teria sido feito por ele. Adriano foi preso em um haras.
A Polícia e o MP linkaram a prisão de Adriano Serfiotis ao episódio ocorrido no dia 2 de maio, quando um helicóptero vindo da baixada fluminense, com quatro homens, pousou na praça da prefeitura de Porto Real, e os homens – um deles armado com uma pistola – entraram no prédio da prefeitura atrás do prefeito. A polícia foi acionada e todos foram parar na delegacia. Na ocasião, a Polícia chegou a dizer que tudo não tinha passado de um ‘mal entendido’. Ailton chegou a dar entrevistas a um jornal local negando ter sido ameaçado de morte, dizendo que aguardava as informações da polícia para tentar entender o que aconteceu.
Na quinta, 20, a Polícia informou que três dos quatro homens que estiveram em Porto Real, em maio, seriam suspeitos da tentativa de extorsão ao prefeito juntamente com Adriano Serfiotis. Dois deles são policiais: um civil e outro militar. As investigações da Polícia e do MP apontam ainda que Ailton Marques teria sido atraído para um encontro, no dia 23 de abril, a um escritório em Porto Real, que seria de Adriano, onde o prefeito teria sido ameaçado a pagar a dívida, inclusive com armas apontadas em sua direção. Foi a partir deste encontro, segundo o MP, que iniciaram as extorsões.
Adriano, filho do ex-prefeito, está recolhido na cadeia pública de Volta Redonda e a família preferiu não se pronunciar a respeito.

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