Homens: tabus e desinformação

Se entre os jovens ouvidos pela pesquisa a vergonha diante da depressão se destaca, os homens formam um outro público que merece mais atenção porque, entre eles, os tabus ligados à doença ganham força. Quando perguntados sobre a relação da depressão com a falta de fé, por exemplo, 30% dos homens ou indicam que essa associação é verdadeira ou afirmam que não sabem avaliar sua veracidade. Entre as mulheres, por outro lado, esse percentual cai para 17%. Esse mito, em particular, também se destaca entre os entrevistados mais velhos, assim como é mais evidente entre os participantes de Fortaleza.
A maioria dos homens também não está convencida de que ter uma atitude positiva e alegria de viver não são suficientes para vencer a depressão. Questionados sobre isso, 55% dos entrevistados do sexo masculino ou acreditam que essas atitudes bastam ou não sabem opinar. Menos da metade, ou 46% da amostra, tem a informação de que se trata de um mito. Além disso, para quase um terço desses entrevistados não está claro que a depressão não é mero sinal de fraqueza ou pouca força de vontade: 29% deles ou acreditam nesse mito ou, pelo menos, estão em dúvida sobre essa afirmação.
Assim como as mulheres, os homens também acreditam que é possível superar a depressão. Mas o suporte médico é menos valorizado por eles: quando perguntados sobre as formas mais importantes de vencer a doença, o acompanhamento médico aparece em terceiro lugar, ao passo que essa estratégia surge na segunda posição para o público feminino. Para ambos, o acompanhamento psicológico é o fator mais citado e, entre os homens, a prática regular de exercícios físicos se destaca também, em segundo lugar.
Questionados especificamente sobre o tratamento medicamentoso, os homens também se mostram mais resistentes do que as entrevistadas. Pelo menos um a cada cinco (21% da amostra) diz que não tomaria antidepressivos mesmo que o médico prescrevesse, um percentual que cai para 16% entre as mulheres. “Esse é um sinal de alerta muito importante se considerarmos que os homens compreendem a maior parte dos casos de suicídio e a maioria dessas vítimas sofria de transtornos mentais, como a depressão”, reforça Márjori.

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