quinta-feira, julho 18, 2024

Grampos

2024 (I) – Na noite de segunda, 29 de janeiro, o prefeito Neto se reuniu no Hotel Bela Vista com alguns diretores da CSN para ouvir parte dos planos da siderúrgica para 2024. Coube à diretora de Sustentabilidade, Helena Guerra (ver foto), falar sobre o processo de modernização da UPV e apresentar metas até 2026. No release enviado aos jornais foi destacado que, com o início das reformas e trocas de equipamentos na linha de produção de aço, a CSN “pretende gerar cinco mil novos postos de trabalho na cidade até 2026”.

2024 (II) – Além de Helena, estavam o diretor executivo de Siderurgia, Alexandre Lyra, e o diretor institucional, hoje respondendo também pelo jurídico, Luiz Paulo Barreto. Foi dada ênfase às ações emergenciais adotadas pela CSN em 2023 para “mitigar os efeitos do chamado ‘pó preto’”. E a diretora confirmou que os trabalhos de modernização da UPV seguirão em 2024. Segundo ela, as sinterizações e as coquerias da UPV, por exemplo, receberão novos equipamentos. Lyra foi além. “A empresa vai fazer a instalação dos novos equipamentos, mais modernos e menos poluentes, e até julho pretendemos começar a funcionar com essa nova realidade”, prometeu o executivo, garantindo que serão investidos mais de R$ 2 bilhões no processo de modernização, que vai gerar os cerca de cinco mil novos empregos na UPV.

CIDADE (I) – No release enviado pela prefeitura – e não pela CSN –, Neto deixou claro que acredita nas promessas da empresa. “Todos querem a CSN produzindo mais e poluindo menos. Estamos vendo que isso é possível e temos este compromisso firmado pela direção da empresa com nossa cidade. Estamos vendo as coisas acontece- rem, vamos seguir atentos e cobrando melhorias, mas felizes por ver a empresa investindo na usina. Vai melhorar a qualidade de vida da nossa população e dos trabalhadores”, disse.

CIDADE (II) – Logo a seguir, Helena voltou a abordar os investimentos que a CSN pretende fazer na cidade. Fato que vira e mexe é tratado com Neto, sem grandes resultados. Confirmou, por exemplo, que existem planejamentos para o Escritório Central – o que o aQui já cansou de abordar – e até para o Aero Clube. Segundo Helena, o Escritório Central passará por um “retrofit” (que chique heim), para abrigar salas comerciais e outros empreendimentos, enquanto o terreno do Aero abrigará um misto de conjunto habitacional com espaços comerciais. Ah, segundo a Wikipédia, retrofit é um termo utilizado principalmente em engenharia para designar o processo de modernização de algum equipamento já considerado ultrapassado ou fora de norma. Tudo a ver, né?

DA SÉRIE – Perguntar não ofende: por que Helena Guerra e os convidados não falaram sobre a reforma do alto-forno 2 da UPV, anunciada pelo empresário Benjamin Steinbruch em dezembro de 2022, durante evento com investidores, que foi reproduzida com exclusividade pelo aQui (edição 1337) em 21 de janeiro de 2023?

AF-2 – No evento, batizado de ‘CSN Day’, Steinbruch anunciou que a empresa iria reformar o Alto-Forno 2 e que o equipamento teria de ficar parado por 180 dias. A previsão era que a reforma acontecesse em 2023. Não saiu do papel.

NOVA CLASSE – Novidade mesmo anunciada por Helena Guerra foi que a CSN pode entrar ‘pesado’ no mercado de venda de imóveis residenciais. Seria como reviver a Cecisa (Imobiliária Santa Cecília), que existia nos tempos da CSN estatal, extinta há décadas. Para começar, Helena disse que dois terrenos, localizados no Belvedere e Vila Rica, “serão ocupados por prédios de apartamentos para a ‘nova classe média’ de Volta Redonda”. A ideia, se- gundo ela, é usar os subsídios do governo Federal (‘Minha Casa, Minha Vida’) dentro das faixas 2 e 3 para famílias que ganham de R$ 2,6 mil a R$ 8 mil. “Percebemos que há uma carência neste ramo imobiliário em Volta Redonda e vamos atuar. A presidência do grupo quer estes estudos prontos o mais rápido possível”, disse Helena, sem especificar datas. Também não disse se a CSN pode vir a se desfazer das casas que possui em Volta Redonda. A mansão onde funcionava a Fundação CSN, no Laranjal, onde o m2 é dos mais caros, está meio que abandonada, com vidros quebrados etc.

2024 (III) – As questões ambientais também foram abordadas. E Helena anunciou que a CSN comprou e vai doar ao Inea quatro coletores, para que o instituto possa medir a emissão do “pó preto”, agora incluído na lista de materiais a serem analisados pelos órgãos ambientais. Os coletores devem entrar em funcionamento já em fevereiro.

2024 (IV) – Quanto à polêmica da escória armazenada em bairros de Volta Redonda, a diretora da CSN apresentou um balanço sobre a entrada e retirada do material das margens do Rio Paraíba. Estudo que ela diz já ter sido apresentado aos órgãos ambientais e ao Ministério Público Federal. E, pela centésima vez, a CSN garante não existir risco de desastres ambientais relacionados às pilhas de escória. Apesar disso, reafirmou que os acordos feitos para desmobilização das áreas estão e serão cumpridos. “Esse diálogo é importante, essa apresentação torna a relação da CSN com a cidade mais transparente. A partir disso, temos mais instrumentos para fiscalizar, cobrar e informar nossa população do que está sendo feito”, disse Neto, só faltando bater palmas para Guerra.

PÓ PRETO’ (I) – A missão de Helena Guerra continuou na manhã de terça, 30, quando ela repetiu tudo aos vereadores de Volta Redonda. Dando preferência, é claro, ao tema ‘pó preto’, que é o que mais interessa aos parlamentares. Lyra e Luiz Paulo estavam presentes, e ainda quatro diretores operacionais da Usina Presidente Vargas, além de gerentes das áreas problemáticas. Dos 21 vereadores, apenas 16 estiveram presentes. Os que não compareceram explicaram que estavam fora de Volta Redonda. De férias…


‘PÓ PRETO’ (II) – Além das medidas para reduzir a emissão do ‘pó preto’, que em julho do ano passado atingiu seu ápice, com Neto reclamando publicamente que
a cidade não aguentava mais conviver com a poluição da UPV, Helena voltou a falar da compra dos medidores deste tipo de partículas, que serão operacionalizados pelo Inea. Isto porque, até então, as medições da qualidade do ar em Volta Redonda sempre foram feitas com base nas emissões de gases e das chamadas ‘partículas inaláveis’, que são aquelas que fazem mal à saúde. Já o ‘pó preto’ entra na classificação das ‘partículas sedimentáveis’. “Por isso, muita gente estranha quando há um problema de emissão do pó preto e aquele aparelho de medição na rua está indicando a qualidade do ar como boa ou moderada. É que neste caso o pó preto não está incluído, pois não se enquadra entre as partículas inaláveis, que fazem mal à saúde. Os novos medidores vão aferir essas emissões”, garantiu.

PÓ PRETO’ (III) – O famoso ‘pó preto’, segundo Helena, não causa danos à saúde, mas provoca problemas que incomodam os moradores: “Não afeta a saúde, mas causa sujeira, incômodo, e claro que não queremos isso. Por esse motivo, estamos adotando todas as medidas para combatê-lo, inclusive a reforma dos filtros das sinterizações e a construção de novos filtros”, disparou.

ESCÓRIA (I) – Helena Guerra chegou a mostrar aos 16 vereadores presentes que estudos independentes (contratados pela CSN, grifo nosso) demonstram que as chama- das pilhas de escória da Brasilândia são seguras: não correm risco de cair nas águas do Rio Paraíba, “ao contrário do que sugere a lenda popular”: “Temos equipamentos chamados inclinômetros instalados diretamente no local. Nenhuma das pilhas se moveu um centímetro sequer ao longo de anos. Sem contar que aquela pilha mais próxima ao Rio Paraíba é tão sólida quanto uma rocha”, crê.

ESCÓRIA (II) – De qualquer forma, segundo Helena, a CSN tem cumprido seu compromisso de retirar mais escória do que acrescenta no local. “Só em 2023, houve uma redução de mais de meio milhão de toneladas no pátio de escória da Brasilândia”, ressaltou

DO CONTRA (I) – Entre os vereadores que não foram ao encontro da CSN, apenas Raone Ferreira recusou-se a comparecer por questões ideológicas. Chegou a postar nas redes sociais, ironizando, que “preferia o rango da sogra”. Deselegante.

DO CONTRA (II) – O engraçado é que, em vez de simplesmente almoçar na casa da sogra, o vereador procurou sua amiga Gisele Penido, dona de uma empresa chamada Eckoslife, para desmentir a apresentação de Helena Guerra. Tem mais. Usando linguagem supostamente técnica, ela descreveu, em entrevista a um jornal local, apenas uma parte do processo siderúrgico, concluindo que o pátio de escória provocaria riscos ambientais à cidade do aço. Helena Guerra, horas antes, havia mostrado aos vereadores justamente o contrário.

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