“Glitter e purpurina”

natã teixeira

Amanhã, domingo, 12, têm tudo para ser especial em Volta Redonda. Melhor: para ser colorido pelas cores do arco-íris. É que dois blocos carnavalescos – voltados para o público LGBT – vão tomar as ruas e avenidas do Aterrado, nas proximidades do quartel do Corpo de Bombeiros, e do Centro, nas imediações do camelódromo da Avenida Amaral Peixoto. O detalhe é que os foliões dos dois blocos vão se concentrar quase que no mesmo horário, o que provocará um racha do público gay e seus simpatizantes. O quiproquó nasceu do fato de duas famosas boates, Auê e The Gaarden, disputarem o promissor mercado LGBT para o Carnaval, tanto que criaram e lançaram seus próprios blocos carnavalescos.   

 

No meio da confusão, estava a prefeitura de Volta Redonda que até ontem, sexta, 10, somente tinha dado autorização para o desfile do ‘Tô no Brilho’. O bloco é organizado pelo Auê e tem a concentração marcada para a Rua Major Aguiar – transversal com a Avenida Amaral Peixoto – às 16 horas de amanhã, domingo. “Com muito amor e purpurina vamos fazer o nosso auê de carnaval na rua. Isso mesmo, sem preconceitos e totalmente aberto ao público. A única regra do bloco é ser feliz, respeitando sempre o espaço do próximo”, diz a propaganda do bloco postada no Facebook.

 

Entre as atrações do Auê aparece a DJ Gina Indelicada, que faz sucesso nas redes sociais. Tem mais. Até banhos de glitter estão programados. “Para garantir nossa sarrada rebolativa (sic) no som vai rolar de tudo: axé, pop, indie, funk, sertanejo, e claro, muita bagaceira! Então ó, contamos com seu apoio para convocar o maior número possível de pessoas para este evento. Vamos fazer um carnaval lindo, na base do beijo e do amor, cheio de brilho e diversidade”, garante a organização do evento que deverá contar até com um palco na rua de onde rolará a festa. Outro ponto do Carnaval do Auê será a escolha da Musa e do Muso do bloco.

 

Já o segundo bloco, da The Gaarden, é o LGBT Folia, marcado para acontecer na Rua Deputado Geraldo Di Biasi, no Aterrado, bem pertinho do quartel dos Bombeiros. O bloco, até à tarde de ontem, não tinha autorização para acontecer, mas, segundo seus organizadores, o problema será resolvido. O evento está marcado para acontecer das 14 às 20 horas, com show da cantora de popfunk Lexa e da DJ Irmã Zuleide. O bloco da boate The Gaarden conta com apoio da ONG VR Sem Homofobia.

 

Segundo Natã Teixeira, coordenador da ONG, o problema com a autorização do bloco será resolvido. ”Eles (prefeitura) estão com uma picuinha com a gente. Eu estive ontem (quinta) no Corpo de Bombeiros e vou pegar o ‘nada opor’ daqui a pouco. Nosso bloco é o único que está atendendo todas as exigências das autoridades. A gente está com toda documentação. Vai ser resolvido”, destacou Natã, ressaltando que a festa não vai atrapalhar, “como dizem as amigas”, a saída dos caminhões dos Bombeiros caso seja preciso. “O bloco vai acontecer na rua dos Bombeiros, mas não atrapalharemos a saída. Só o retorno deles ao quartel é que será alterado. A saída para os casos de emergências continuará no mesmo lugar”, explicou Natã.

 

Questionado se estaria havendo uma briga entre as duas boates, que promoveram dois blocos para o público LGBTs no mesmo dia, o coordenador do VR Sem Homofobia garante que não. “Briga não tem. Mas eu, como coordenador da ONG, chamei as boates e outros grupos para conversar sobre a ideia de ter um bloco LGBT na cidade. Mas, o Auê quis fazer sozinho e ainda fez um projeto muito parecido com o nosso”, pontuou Natã.   

 

Segundo ele, para evitar que o LGBT Folia vire um ‘Bloco do Isoporzinho’, que tanto assusta moradores, foram contratados 30 seguranças. “A Polícia Militar foi informada que contratamos seguranças e eles também garantirão a nossa segurança. Fizemos um acordo de lacrar (fechar) um pedaço da rua, só podendo entrar as pessoas após serem revistadas, tudo isso para evitar brigas e drogas”, comentou Natã, destacando que conversou com alguns moradores do Aterrado. E nenhum deles teria criticado a realização do evento. “Nosso bloco quer levar a diversidade. Crimes de homofobia crescem muito durante o carnaval e por isso resolvemos criar um bloco para os LGBTs”, concluiu.

 

Força Tarefa

Apesar da afirmação de Natã, muitos moradores não gostaram do que já aconteceu no Aterrado, onde no último final de semana, integrantes do ‘bloco do Isoporzinho’, que não tem pai nem mãe, criou uma tremenda confusão, que terminou na noite de domingo, 5, com brigas e tiros. Resultado: o prefeito Samuca Silva mandou chamar presidentes de associações de moradores, presidentes de blocos carnavalescos e representantes das polícias Militar e Civil, Defesa Civil, Guarda Municipal e Corpo de Bombeiros, para estabelecer ações que possam acabar com as ilegalidades que estão acontecendo nos blocos de carnaval, principalmente o do grupo conhecido por ‘Isoporzinho’.

 

O aposentado Marcos Cardoso, morador do Aterrado, quer maior rapidez dos agentes da GM e Polícia Militar. “O que foi aprovado (para sair, grifo nosso) foi um bloco e o que vimos foi uma baixaria. Pessoas sem respeito algum pelos moradores. Foi uma afronta à família”, reclamou, solicitando mais segurança e ambulâncias para enfrentar situações como a de domingo passado. O comandante da Guarda Municipal, Paulo Henrique Dalboni, pediu desculpas pela demora no atendimento e por informações erradas que eram fornecidas pelo Ciosp. “Peço desculpas, pois esse não é o procedimento padrão. Já estamos verificando os fatos e garanto que o procedimento é atender ao cidadão com gentileza e rapidez”, disse, acrescentando que o movimento, conhecido como Isoporzinho, tem se alastrado pela cidade. E amanhã tem mais.

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